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Seção: 3G 02/02/2009 |
Google quer ser a Microsoft da Indústria Celular: Não vimos este filme antes?
Consultor na Amdocs Consulting, em Atlanta
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O tsunami tecnológico que está acontecendo nas áreas de telefônia celular e Internet poderão causar mudanças parecidas com a revolucão do computador pessoal iniciada pela Microsoft no inicio dos anos 80. A causadora desse maremoto na área celular é a Google com sua visão de que, em um futuro próximo, as pessoas irão accessar a Internet via o telefone celular, ou ‘smart phones’, ao invés do microcomputador (personal computer, PC) ou notebook. Quer dizer, o microcomputador será substituido pelo telefone celular como principal ponto de accesso a Internet. Na visão da Google o aparelho celular está progressivamente sendo usado como o microcomputador é usado hoje, o qual as pessoas usam para accessar a Internet para trabalhar e surfar a Internet. E quando essa visão futuristica se tornar uma realidade, a Google quer ter um olho (ou o sistema operacional) em todos os celulares accessando a Internet.
Como a Google quer puxar a Microsoft para o lado
Google está usando a mesmo truque usado pela Microsoft no inicio da revolucão do PC: Ter o próprio sistema operacional (SO) instalado em cada aparelho celular e incentivando programadores a criar aplicações para a plataforma. Mas, ao inves de cobrar taxas exorbitantes pelo SO como a Microsoft faz, a Google irá dar o sistema operacional de graça, sem custo nenhum para empresas de handset. Em Novembro de 2007 , Google lançou o sistema operacional ‘Android’ com o suporte de grandes nomes da industria de celular. Android foi bem recebida por programadores e a T-Mobile nos USA lançou , com grande successo, o primeiro celular com o Android instalado, a qual não custa nada para a T-Mobile. Até o meio de 2009, Motorola, Sony-Ericsson, Toshiba and Asus já tem planos de lançar celulares com Android instalado, e programadores ja estão fazendo aplicações em cima da plataforma‘Android’. Esses são os primeiro passos para a quebra total dos ‘walled gardens’na industria de celular.
Do ponto de vista econômico, programadores terão total liberdade de produzir aplicações na plataforma Android e vendê-las. Applicações criadas para a plataforma do iPhone tem que passar por censura da Apple, e se a aplicacão for aprovada, a Apple pega uma fatia da receita da venda da aplicação. Aplicações criadas para a plataforma Android podem ser vendidas livremente para usuários, sem censura da operadora ou Google, e toda receita gerada pela aplicação vai para o programador.
No plano mestre da Google de dominar a indústria celular, a Google não planeja se tornar uma fabricante de aparelho celular ou muito menos se tornar uma operadora de celular. Simplesmente, a Google planeja dar de graça um robusto sistema operacional para os fabricantes de celular e lançar suas famosas aplicações (Busca,gMail,gTalk,gPay, gMaps, e outras a vir) para serem usadas pelo usuário no aparelho celular. Além disso, a Google tem sociedades com inúmeras companhias como ShopSavvy, que tem uma aplicacão que transforma o celular em um processador de barcode para retornar preços de produtos imediatamente, ou a PedNav, que transforma o celular em um Global Positioning System (GPS).
Oferecendo o Android como uma plataform de baixissimo custo (ou sem custo) com suporte da Google é um imã de atracão para programadores talentosos. Com criacao de aplicacoes para a plataforma, o valor do SO aumenta e consequentemente, os grandes fabricantes de celulares (Nokia, Motorola, Samsung, etc) vêem mais incentive para instalar o Android em seus aparelhos.
“Internet Anywhere”
O ‘plano machiavélico’ da Google de dominar a indústria de celular não teria nehum sentido se não existisse o conceito da ‘Internet Anywhere’. Acredita-se que, nos Estados Unidos nos próximos 3 a 5 anos, a Internet será accessivel de qualquer lugar (anywhere) via banda larga, proporcionando uma experiência de comunicacão e comércio nunca antes vista pelo usuário. E, de acordo com a Google, o Android irá ser o cavalo de força para puxar a ‘Internet anywhere’.
Esse eco-sistema tecnológico alimentado por fabricantes de aparelhos celulares, programadores talentosos, operadoras e Internet accessivel em qualquer lugar irá criar uma experiência personalizada inédita pelo usuário, onde o usuário terá mais liberdade de escolher que tipo de experiência e qualidade de comunicacão ele quiser. Usuários poderão trocar de operadoras pois a Internet estará em todo lugar. Banda larga será uma ‘commodity’, e produtos serão os mesmo entre as operadoras. Conectar com Internet banda larga via o celular sera tão comum como o sinal de TV. Consequentemente, o ‘competitive advantage’ das operadoras será a experiência do consumidor ao usar a Internet do seu celular e sua relacão com a operadora. Esse tipo de experiência é intangível e impossivel de capturar com KPIs.
A atual recessão mundial (2007-2008) é prova mais recente de como o celular está se tornando uma peça indispensável no dia-a-dia das pessoas. Nos Estados Unidos, por examplo, pessoas estão cortando gastos diários em ate 60% (comprando comida barata, cancelando TV a cabo, vendendo casa, etc) e milhares de pessoas estão entrando em bancarota. Mas pessoas vêem o seus aparelhos celulares como intócaveis. Vendas do celular com o Android e iPhone bateram recordes de vendas durante o Natal, enquanto vendas em outras áreas da economia cairam 2.7% , o pior indice do varejo desde 1970.
Tempo Irá Julgar
O tempo irá julgar se a estratégia da Google foi jogada de gênio, ou se tudo não se passou de furada genial. Estudando o inicio do dominio do Windows e como uma companhia pequena chamada Microsoft veio a dominar a indústria de microcomputadores, parece que o passado está acontecendo de novo, em diferentes condições e indústria.


