|
Artigo
Topologias para Redes GPON
Recentemente a oferta de novos serviços e
aplicações cada vez mais diversificados e
sofisticados, como, por exemplo, video-conferência,
vídeo sob demanda, jogos on-line e voz sobre IP,
justificou o investimento na tecnologia de Fiber to the
Premises (FTTP), ou seja, a utilização de fibras ópticas nas redes de acesso. Segundo estimativas
recentes, a demanda por largura de banda apresenta
um crescimento anual superior a 50% nos últimos
anos.
A utilização de FTTP atende a uma série de requisitos
da rede de acesso, entre eles: capacidade potencial
de Gbit/s alcançando distâncias de até dezenas de
quilômetros, facilidade de instalação e atualização,
possibilidade de serviços simétricos, baixo custo de
operação e manutenção, confiabilidade, imunidade a
interferências eletromagnéticas, cabos mais leves e
mais compactos. Entretanto, até recentemente, os
equipamentos necessários para a implantação dessa
tecnologia apresentavam custos superiores aos de
outras tecnologias e a demanda por banda não era
suficiente para justificar o investimento nessa
tecnologia.
Além da necessidade de alta capacidade de
transmissão e processamento, a rede de acesso tem
uma série de requisitos específicos, entre os quais
destacamos: a necessidade de oferecer
multisserviços (voz, vídeo e dados) a clientes variados
(residências, condomínios, empresas), a instalação de
equipamentos em ambiente não-controlado (fora de
estações), a exigência de baixo custo (infra-estrutura
de rede compartilhada entre um número reduzido de
usuários) e a expectativa de alta confiabilidade dos
serviços por parte do cliente.
Entre as três arquiteturas básicas de redes ópticas de
acesso – ponto-a-ponto, estrela passiva e pontomultiponto –, a grande maioria das redes de acesso
que estão sendo instaladas são ponto-multiponto ou
redes ópticas passivas (Passive Optical Networks –
PON), em função da redução nos custos de operação
e manutenção quando comparadas com as outras
arquiteturas. A arquitetura ponto-multiponto usa um
ou mais níveis de acopladores ópticos passivos para
distribuir o sinal aos clientes. O acesso ao meio na
transmissão ascendente é feito por meio de
multiplexação no tempo (TDMA), para evitar colisões
no acoplador.
Duas tecnologias de redes ópticas passivas com
TDMA são disponíveis hoje: GPON (com capacidade
de Gigabit), GPON (padronizada pela ITU-T G.984) e
Ethernet PON, EPON (padronizada pela IEEE
802.34h). O padrão GPON foi desenvolvido pelas
operadoras de telecomunicações e oferece algumas
vantagens técnicas sobre o EPON, como, por
exemplo, maiores taxas de tráfego descendente e
ascendente, maior eficiência de banda, maior
variedade de serviços e suporte a Operation,
Administration and Maintenance (OAM) e serviços
Time Division Multiplexing (TDM). Entretanto, o
padrão EPON apresenta custos menores e é uma
tecnologia em estágio de maturidade mais adiantado
que a tecnologia GPON.
Muitos países estão realizando testes de campo e
instalando produtos de acesso ópticos lançados
recentemente, sendo que, neste ano, o número de
usuários conectados por fibra no mundo já ultrapassa
30 milhões. Entretanto, as redes ópticas passivas
representam uma tecnologia ainda não
completamente madura, e há várias questões não
consolidadas. As operadoras ainda enfrentam uma
série de desafios associados ao projeto e à
implantação dessas redes. Um dos principais desafios
relacionados ao projeto e à implantação é a definição
da topologia da rede, que depende da distribuição
geográfica da demanda e da infra-estrutura existente
na região, influenciando fortemente os custos da rede
de distribuição.
Estudos recentes revelam que mais da metade da
quantidade de fibra que está sendo instalada não é
necessária para a implantação da rede de
distribuição. Isso ocorre por duas razões principais: a área de cobertura das redes de distribuição é maior
do que o necessário, ou seja, não é otimizada, assim
como o posicionamento dos acopladores em campo
também não é otimizado.
Propomos uma nova topologia que faz uso de
distribuição híbrida simétrica/ assimétrica de potência óptica para a entrega do sinal aos usuários nas rede
GPON. Essa nova topologia, adequada a uma
distribuição linear de ONTs. A topologia básica é de
barramento, aplicada para atendimento de uma
demanda de tráfego distribuída ao longo de uma
rodovia ou para aproveitamento de infra-estrutura já
existente e disposta de forma linear. O alcance
geográfico da rede GPON, ou seja, a máxima
distância entre o OLT e o ONT mais distante,
apresenta uma limitação lógica e uma limitação física.
A limitação lógica, de 60 km, está associada aos
protocolos de comunicação entre OLT e ONT, que
têm como requisito um tempo máximo de recebimento
de mensagens. A diferença entre as distâncias do
ONT mais afastado e o ONT mais próximo do OLT
não deve superar 20 km para que o protocolo de
ranging funcione adequadamente.
A limitação física do alcance dessas redes estárelacionada às características ópticas da rede. Nesse
caso, o alcance depende fortemente da topologia da
rede de distribuição, além de fatores como atenuação
das fibras nos comprimentos de onda ascendente e
descendente, número de ONTs ligados a cada OLT,
número de níveis de distribuição, potência de saída
dos transmissores e sensibilidade dos receptores
utilizados.
Foram realizadas análises de uma rede com 32 e 64
ONTs distribuídas de forma linear e considerando o
tráfego ascendente, pois a maior limitação do alcance
está associada a ele, em virtude da maior atenuação
da fibra no seu comprimento de onda. A Figura 1
mostra os diagramas esquemáticos das duas
topologias comparadas.

Figura 1 Rede de distribuição para GPON de 32 ONTs
com acopladores simétricos e assimétricos, acopladores
simétricos com três estágios de distribuição.
As Tabelas 1 e 2 mostram os valores das margens e
as quantidades de fibra para os dois tipos de
topologia, sendo que para a topologia simétrica, são
apresentadas três combinações possíveis de
acopladores.
Tabela 1 Comparação entre as margens das
topologias híbrida simétrica/assimétrica e simétricas
convencionais para 32 ONTs
| Topologia
32 ONTs |
Média
(dB) |
Mínima
(dB) |
Máxima
(dB) |
Quant.
Fibra (km) |
Híbrida
Sim/Assim |
5,1 |
4,0 |
6,3 |
32 |
Simétrica
1:2/1:4/1:4 |
5,2 |
4,8 |
5,6 |
50 |
Simétrica
1:4/1:2/1:4 |
5,2 |
4,8 |
5,6 |
54 |
Simétrica
1:8/1:4 |
6,3 |
5,1 |
7,5 |
58 |
Tabela 2 Comparação entre margens das topologias
híbrida simétrica/assimétrica e simétricas
convencionais para 64 ONTs
| Topologia 64 ONTs |
Média
(dB) |
Mínima
(dB) |
Máxima
(dB) |
Quant.
Fibra (km) |
Híbrida
Sim/Assim |
1,3 |
0,5 |
2,1 |
48 |
Simétrica
1:2/1:4/1:8 |
1,5 |
1,1 |
1,9 |
66 |
Simétrica
1:4/1:2/1:8 |
1,5 |
1,1 |
1,9 |
70 |
Simétrica
1:8/1:8 |
2,6 |
1,4 |
3,0 |
74 |
Quando avaliada e comparada com as topologias
convencionais, em que o sinal é distribuído apenas de
forma simétrica, a topologia híbrida simétricaassimétrica
requer uma quantidade menor de fibra
com um melhor aproveitamento das fibras no cabo.
As topologias convencionais com distribuição
simétrica geram um desperdício de fibras no cabo,
pois somente parte das fibras usadas na distribuição
são utilizadas ao longo de todo o cabo, e algumas
fibras ficam com trechos sem utilização, conforme
Figura 1b. Na nova topologia proposta com
distribuidores assimétricos, as fibras são utilizadas ao
longo de todo o cabo.
As margens de potência óptica da nova topologia são
inferiores às das topologias convencionais, porém,
bastante próximas. É importante destacar que esta topologia para a rede
de distribuição, baseada em distribuição híbrida
simétrica/assimétrica de potência óptica é adequada
para aplicação em um conjunto de ONTs dispostos de
forma linear.
A identificação e análise de topologias deve ser
realizada para cada geografia de demanda e é um
passo essencial para o projeto de redes PON
eficientes e otimizadas em custo.
Miriam Regina Xavier de Barros é
pesquisadora do CPqD
|