Seção: Comentários Teleco

 Publicado 06/06/05


Dados podem evitar a queda do ARPU das Operadoras de Celular?

 

A receita média mensal por usuário (ARPU), das operadoras de celular, apresentou uma pequena queda no primeiro trimestre de 2005 (1T05) quando comparada com o 1T04.

 

Fonte: Operadoras exceto % Pré-pago da Tim que foi estimado pelo Teleco.

 

Esta queda deve-se, em grande parte, ao crescimento de 39,7% do número de celulares no Brasil no período. Com este crescimento a densidade de celulares no Brasil passou de 27 celulares por 100 habitantes (1T04) para 37 (1T05) . Uma penetração cada vez maior implica em agregar cada vez mais à base de celulares, clientes das camadas de mais baixa renda, que apresentam uma menor receita para a operadora. Um dos indicadores deste processo é o crescimento do porcentual de celulares pré-pagos no Brasil que passou de 77,7% no 1T04 para 80,3% no 1T05.

 

Uma das maneiras de evitar a queda do ARPU seria evitar a captura de clientes de mais baixa renda o que deixaria no entanto a operadora com uma base menor de clientes. Por outro lado só interessa à operadora o cliente que traz uma receita que supere o seu custo de aquisição. Calibrar as promoções de modo a, na média, capturar apenas clientes rentáveis é um dos desafios das operadoras e é o pano de fundo para a discussão travado no artigo do em debate de José Luis De Sousa:A possível diferença na contagem do número de celulares no Brasil

 

A estratégia adotada por operadoras de outros países para compensar a queda do ARPU tem sido aumentar a oferta de serviços de valor adicionado (SVA), também denominados serviços de dados ou não voz, de forma a capturar uma receita adicional de seus clientes.

 

Operadora 1T05 Cresc.
1T05/1T04
Rec. Dados/

Rec. Serviços

Celulares

(Milhares)

ARPU* Celulares ARPU 1T05 1T04
TIM (Itália) 26.186 28,1 0,6% 0,7% 18,2% 15,6%
TMN (Portugal) 5.087 22,6 3,3% -2,2% 10,9% 9,5%
Telefonica (Espanha) 19.077 32,9 -4,3% 4,8% 13,4% 12,4%
Vodafone (Alemanha) 27.223 24,9 8,8% -3,5% 18,1% 17,4%
Vodafone
(Japão)
14.692 6.148 40,9% -8,6% 21,5% 21,9%
TIM (Brasil) 14.650 35,7 60,6% -10,1% 6,3% 2,7%
Vivo (Brasil) 26.957 28,8 23,2% -16,8% 5,2% 4,2%

* R$ (Brasil), Yen (Japão) e Euros (demais). Fonte: Operadoras.

 

Como se pode observar, todas estas operadoras, inclusive TIM e Vivo e suas controladoras na Itália, Portugal e Espanha aumentaram a participação da receita de dados na receita de serviços da operadora. No Brasil este porcentual ainda é pequeno quando comparado ao Japão (Vodafone) ou Itália (TIM).

 

Com exceção do Japão e outros países da Ásia, a maior parte da receita de dados destas operadoras é proveniente de serviços de mensagens (SMS). Na Vodafone da Alemanha, por exemplo, os serviços de mensagem respondem por 90% da receita de dados, enquanto na Vodafone do Japão os serviços de mensagem representam apenas 35% da receita de dados.

 

No Brasil, a TIM, que oferece serviços como o Te ligou, serviços de mensagem (SMS e Blah Chat) e de entretenimento (Ringtones e Jogos em Java) é a operadora que vem apresentando bons resultados em relação a esta estratégia. A TIM, como as demais operadoras GSM, utiliza tecnologia GPRS/EDGE. Trinta por cento (30%) dos telefones celulares vendidos pela TIM no 1T05 incluiam GPRS.

 

Fonte: Operadoras e Teleco

 

A Vivo utiliza as tecnologias CDMA 1xRTT e EVDO. O serviços de mensagens curtas (SMS) representaram 73% da receita de dados da Vivo no 1T05. Na Telesp Celular Participações a média mensal de envio de SMS foi de 80 milhões. Os 27% restantes são provenientes de acesso à internet, downloads e outros. O número médio de downloads no trimestre foi de 850 mil por mês.

 

A Oi também apresentou um crescimento no ARPU da receita de serviços de valor adicionado (SVA). A Claro não divulga dados sobre este item.

 

O Brasil é um país em desenvolvimento com uma grande população de baixa renda. As operadoras brasileiras apresentam um ARPU que é em média 1/3 do ARPU das operadoras européias. Diante deste quadro pergunta-se:

  • A estratégia de aumentar o ARPU, ou pelo menos evitar a queda, através de serviços de valor adicionado terá sucesso no Brasil?
  • Até que ponto se conseguirá aumentar a participação de serviços de valor adicionado na receita líquida da operadora?
  • O investimento em redes de dados de 2,5/ 3ª Geração é rentável? Uma operadora pode deixar de investir nesta direção?

Comentário de Rogério Rios Meireles

 

A estratégia de aumentar o ARPU, ou pelo menos evitar a queda, através de serviços de valor adicionado terá sucesso no Brasil?

 

O sucesso deste aumento de ARPU por meio dos serviços de valor adicionado depende exclusivamente do trabalho das operadoras na divulgação dos serviços aos clientes. Deve-se mostrar de forma mais clara as vantagens destes serviços diferenciados, mostrar que o serviço móvel não é apenas a comunicação por meio da voz.

 

O Serviço de Mensagens - SMS é o primeiro passo para introduzir este conceito nos usuários. O mercado permite que o SMS represente uma fonte adicional de renovação no fornecimento de serviços, pois possui preços relativamente baixos, quando comparados à comunicação de voz e à de dados.

 

Existe grande procura para serviços que incluem a integração do SMS com outras áreas, por exemplo:

- recebimento de mensagem SMS quando a pessoa usar seu cartão de crédito;

- centro de mensagem WEB para alerta de vencimento de faturas, onde quando uma pessoa recebe uma mensagem em sua caixa postal, receberá também uma mensgem SMS.

 

No entanto as operadoras do SMP ainda cobram caro para estas aplicações, talvez pela incapacidade da rede que ficaria sobrecarregada, não podendo assim garantir a entrega das informações pelo SMS uma vez que estas mensagens trafegam no canal de controle.

 

Enfim, cabe à operadora definir em quais serviços será feita essa compensação da queda do ARPU e continuar a INVESTIR na implantação destes projetos. Quando destaco a palavra "investir", tento expressar esta necessidade, ao contrário  da filosofia que vem sendo empregada e comentada por alguns, onde se rege o fato de que os grandes investimentos iniciais no setor precisam ser amortizados; "as operadoras, hoje, estão por conta apenas de arcar com os lucros do investimento anterior", porém isso não pode ser levado como regra, pois o perfil dos usuários se altera. Apesar do mercado consumidor possuir uma entrada de novos usuários (em sua maioria os de baixa renda), os usuários antigos carecem de novidades acessíveis por eles no SMP.

 

 

Até que ponto se conseguirá aumentar a participação de serviços de valor adicionado na receita líquida da operadora?

 

Estima-se para 2006 que, da receita com serviços móveis no Brasil, 25% será obtida com os serviços de dados. Neste contexto, dos 25%, o SMS corresponderá mais de 70% dos serviços não voz de uma operadora. Além disso, espera-se que 60% dos usuários das operadoras utilizem estes serviços, ou seja, ainda falta uma boa parcela que deve ser incentivada a usar estas aplicações.

 

Para se conseguir aumentar a participação dos usuários do serviço móvel nos serviços de dados, as operadoras devem atingir em cheio os novos usuários, apresentar de forma concreta os serviços e criar a cultura das aplicações fornecidas.

 

Desta forma espera-se começar a aumentar a parcela dos serviços de dados na receita total. Lembrando que todo o projeto deve ser bem planejado, não esperando uma mudança brusca, pois tudo isso abrange mudança comportamental no usuário e campanhas com focos diferentes em cada perfil de cliente.

 

O investimento em redes de dados de 2,5/ 3ª Geração é rentável? Uma operadora pode deixar de investir nesta direção?

A atitude do consumidor perante as novidades das novas gerações de celular é, sem dúvida, importante para entender o potencial e as limitações existentes. Estes estudos de atitudes que condicionam a compra de novos modelos de aparelhos, bem como a substituição do terminal, revelam um grau não desprezível de "gradualismo", resultado das limitações financeiras, bem como de um momento de empolgação com as novas tecnologias.

 

Com a definição dos perfis de consumidores, a telefonia móvel tem um mercado certo pela frente e sabe para onde se deve voltar a evolução do sistema.

 

Outro fator importante é a consolidação do mercado de telefonia móvel no Brasil que ainda aguarda algumas definições nas fusões de empresas e consolidações. Acredita-se que em algumas áreas de prestação de serviços, a quantidade de operadoras não suportará a concorrência entre 4 ou 5 empresas como ainda existe.

 

As maiores vantagens da 2,5 /3ª geração são as aplicações de transmissão de dados, porém no Brasil ainda falta aumentar o uso destes serviços para que se comece a mudar a rede.

 

A 3a geração não é apenas um ganho na velocidade de transmissão de dados, trata-se de uma quebra de paradigmas e a inserção dos usuários num mundo praticamente ilimitado de aplicações. Antes do oferecimento deste novo cenário, o cliente deve estar preparado para ele.

 

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