Seção: Comentários Teleco

 07/07/05


Longa Distância e VOIP no Brasil

 

O mercado de Longa Distância Nacional (LDN) e Internacional (LDI) tem uma nova variável que pode alterar o seu perfil. Esta variável atende pelo nome de VoIP (tecnologia Voz sobre IP) que, apesar de não ser uma tecnologia completamente nova, tem sido viabilizada para a prestação de serviços de Voz, principalmente nesse mercado de chamadas LDN e LDI.

 

Longa Distância Nacional e Internacional

 

Com o cumprimento das metas de universalização, o mercado nacional de chamadas LDN e LDI tomou um novo rumo, já que as concessionárias de telefonia fixa local começaram a oferecer também serviços de LDN (fora sua área sua concessão) e LDI, e outras prestadoras de menor porte também obtiveram autorizações para esses serviços. Por seu lado, as operadoras de telefonia celular obtiveram autorização para chamadas de longa distância com as licenças SMP.

 

Segundo dados analisados pelo Teleco, no final de 2004 o market share dos mercados de LDN apresentava o seguinte perfil:

 

 

Apesar da Embratel ainda deter a maior parcela do market share, há uma tendência para que o mercado seja distribuído pelas operadoras de telefonia fixa, principalmente pelo fato destas operadores estarem mais próximas dos assinantes.

 

Outro fator relevante para esse mercado é que a partir de 2006 as autorizações dos serviços de STFC (Telefonia Fixa Comutada) incluem também os serviços de Longa Distância (LDN/LDI). Entretanto, prestar o serviço de STFC sempre implica em cumprir as metas de qualidade definidas e os seus custos têm um enquadramento tributário bastante complexo.

 

Apesar do crescimento da receita nesse mercado, que passou de R$ 10,7 bilhões em 2000 para R$18,2 bilhões em 2004, os maiores consumidores têm sido bastante sensíveis ao valor das tarifas, e procuram aproveitar as promoções oferecidas, buscando também novas formas ou tecnologias para minimizar os seus custos.

 

Serviços VoIP

 

O uso da tecnologia VoIP tem sido adotado pelas operadoras de serviços LDN e LDI de 2 formas:

  • Através do uso de VoIP apenas nos seus backbones, mantendo o acesso convencional.
  • Através de solução VoIP completa, que inclui também o uso de terminais de telefonia IP ou mesmo computadores conectados através de acessos Internet de banda larga.

No primeiro caso, as operadoras prometem reduções de custo menos generosas em relação ao custo de uma ligação convencional, pois ainda têm que considerar as eventuais taxas de interconexão com as outras operadoras de telefonia fixa.

 

Muitas operadoras de Telefonia Fixa, no Brasil e no exterior, já utilizam a tecnologia VoIP nos seus backbones de Voz para tráfego de Longa Distância, o que já tem permitido uma redução de custos nas chamadas de longa Distância nacional e internacional, mesmo sem o usuário final ter ciência desse fato.

 

Entretanto, este ainda é o meio mais fácil de utilizar os serviços oferecidos por essas operadoras, uma vez que pode ser utilizado o telefone convencional como forma de acesso.

 

No segundo caso, como o assinante utiliza uma conexão de Internet de banda larga, as reduções de custo podem chegar a índices bem mais altos. Entretanto, o mercado de banda larga, primordial para esse tipo de serviços, atingia apenas 2,28 milhões de usuários no Brasil no final de 2004 (ver seção Banda Larga). O Teleco estima que no final de 2005 esse mercado deverá atingir 4,21 milhões de usuários.

 

Outro fator importante que contribui para a redução de custos é que parte dos serviços VoIP via Internet está sendo pago através de cartão de crédito no exterior ou como serviço de valor adicionado sem pagar ICMS.

 

Impactos

 

A nova onda chega para propiciar o acesso VoIP ao usuário final e, principalmente, aos usuários corporativos, trazendo uma nova oportunidade de redução de custos e oferecendo serviços adicionais que dão novo fôlego e charme aos serviços de Voz.

 

Como tecnologia, o VoIP não tem impactos regulatórios, já que a prestação de serviços públicos de Voz tem regulamentação própria, que impõe metas de qualidade e serviço, e não distingue tecnologia. A questão maior, e que fica sem resposta clara no momento, é se os serviços VoIP, na solução VoIP completa, devem ou não ser considerados de valor adicionado apenas, o que leva a uma economia adicional pelo enquadramento tributário distinto dos serviços de telecomunicações. A verdade é que é difícil controlar o uso de serviços de voz quando feitos pela Internet.

 

As projeções mundiais são que a receita de Voz cairá significativamente nos próximos anos com grande impacto nas operadoras de telefonia local. Em países com maior penetração de Banda Larga, este impacto ocorre mais rapidamente. No Japão, o número de usuários VoIP já é 11% do total de domicílios.

 

 

Diante deste quadro pergunta-se:

  • Até 2004 a receita de LDN cresceu no país. Será que as ofertas de VoIP de outras operadoras poderão mudar este quadro?
  • Qual será o posicionamento das atuais concessionárias do STFC perante a tecnologia VoIP, já que estas são também os maiores provedores de acesso a Internet de banda larga?
  • Uma legislação mais agressiva para o unbundling poderá aumentar a oferta de banda larga no país?

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Comentário de Ibrahim Mathias Boufleur

Acredito que as empresas de telefonia estarão se adaptando as novas tecnologias, concentrando-se principalmente em comercialização de banda larga via cabo e sem fio com redes WI- FI e WIMAX. Além disso todas as operadoras já tem sua estratégia pronta para combater o VOIP e na maioria delas a estratégia é simples esperar as mini operadoras VOIP crescer e depois sair as compras adquirindo a base de clente das mesmas.

 

Esse futuro está projetado para curto prazo, no caso da Brasil Telecom a mesma tem como principal estratégia iniciar suas atividades em redes WIFI  e WIMAX em no máximo 2 anos e começar a adquirir as pequenas operadoras em no máximo 3 anos.

 

 

Comentário de Joseph Haim

Minha sugestão é que as prestadoras passem a oferecer 2 tipos de serviço: LDN/ I dentro das regras atuais (com backbone IP gerenciado ou TDM) atendendo as metas de qualidade e serviço existentes e definidas pelo orgão regulador e consequentemente com preços controlados e um novo serviço de longa distancia VoIP de valor adicionado com preços bem inferiores, sem qualidade garantida e não regulamentado.

 

O fato é que a maior parte das prestadoras já vem oferecendo o primeiro tipo de serviço via backbone IP sem qualquer qualidade de serviço, com grande incidencia de atrasos e eco nas chamadas e ao mesmo tempo cobrando dos usuários tarifas como se fossem de chamadas TDM.

 

 

Comentário de José Roberto de Souza Pinto

Se voce tem dúvidas sobre a evolução da solução VoIP, pense como era o e-mail a 7 anos atrás e veja que voce já envia mais e-mails do que fala ao telefone.

 

A solução VoIP é sem dúvida um poderoso instrumento de by-pass das redes de longa distância com reduções incríveis de custos para os usuários finais que só pagam as chamadas como locais e nas conexões em banda larga a comunicação de voz já faz parte do serviço, portanto sem custo, tal como o e-mail. E só para lembrar sem ICMS.

 

A questão central é como ficarão as concessões de longa distância que perdem totalmente o sentido neste cenário de convergencia de serviços, redes e tecnologias. Então suge a pergunta: O que deve ser garantido em termos de concessão de Longa Distância pela União, como serviço público?

 

O importante neste momento é ter coragem para direcionar a regulamentação seguindo esta tendência, e não criar artifícios regulatórios que serão superados pela Internet ou melhor pela Comunicação Eletrônica, que é um conceito muito mais amplo que as Telecomunicações.

 

 

Comentário de Maikel Dias

 

Na verdade ao voip é um dos outros serviços que a internet pode prover, como email, e outros afins, o que chama a atenção das operadoras é que elas poderão perder muito a sua receita, uma vez que as operadoras de longa distância não teriam sentido com esse tipo de serviço, no futuro acredito, as operadoras irão sobreviver em prover serviços locais, tornando mais caro o seu uso, e cobrando um preço fixo de mercado, isso se as mesmas não derem um jeito nisso.

 

 

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