Seção: Comentários Teleco

09/07/2006


O que muda com a ida da Vivo para o GSM

 

 

 

A Vivo anunciou recentemente estar avaliando "a construção de uma rede GSM/EDGE escalável a WCDMA, a ser acrescida à sua atual rede CDMA, que continuará em pleno funcionamento e expansão".

 

Esta possibilidade, analisada em Comentário do Teleco, foi considerada vantajosa para a Vivo por 64% das mais de 850 pessoas que responderam à enquete do Teleco sobre o tema. Notícias veiculadas pela imprensa indicam que já foi colocado um pedido de proposta (RFP) para a construção da rede que deverá iniciar a sua operação no final deste ano.

 

O que muda com a ida da Vivo para o GSM?

 

A posição competitiva da Vivo melhora. A Vivo vem perdendo market share há mais de 3 anos. Com a opção por uma rede "Overlay" GSM ela passa a ter uma alternativa para competir de igual para igual com as demais operadoras no que se refere ao preço de telefones celulares e roaming nacional e internacional. Estas condições, associadas à força da marca Vivo, devem colocá-la em posição de voltar a crescer dentro da média do mercado e estancar a perda de market share. De fato, a Vivo será a única operadora a oferecer o melhor do CDMA e do GSM/WCDMA para todos os segmentos de mercado, o que significa real vantagem competitiva.

 

A Vivo deve atingir cobertura nacional adquirindo novas autorizações para o Nordeste e Minas Gerais. A Banda E está disponível no Nordeste e a compra da Telemig Celular, que possui uma rede GSM, passa a ser mais atrativa para a Vivo. Outra opção é a aquisição de autorizações de freqüências em 1.900 MHZ a serem oferecidas pela Anatel.

 

A competição deve se acirrar. Como todo novo entrante no GSM, a Vivo precisará ser agressiva até atingir um volume mínimo de clientes em sua rede GSM. Desta forma, o usuário de celular no Brasil deve ser beneficiado com novas promoções oferecidas pelas operadoras. Já os clientes da Vivo não terão o seu serviço afetado por esta mudança e poderão, no futuro, optar pela nova tecnologia ao trocar o seu telefone celular.

 

Ganham os fornecedores (Vendors) de infra-estrutura, que vivem um período de baixa nas encomendas no Brasil. Perdem os fabricantes de telefones celulares focados na tecnologia CDMA. A opção da Vivo foi um dos motivos que levou a Nokia a desistir de ter desenvolvimento próprio de telefones celulares CDMA passando a comercializar apenas telefones de outros fornecedores (OEM) para essa tecnologia, a partir de 2007. A Qualcomm, apesar de no longo prazo ser beneficiada pela opção pelo WCDMA, pode perder no curto prazo.

 

O grande perdedor é o padrão CDMA adotado por cerca de 14% dos celulares do mundo. Em Março de 2006 existiam 318 milhões de celulares CDMA no mundo, sendo 136,2 milhões na Ásia/Pacífico, 112 milhões na América do Norte e 64 milhões na América latina. Destes últimos, 24,8 milhões (7,8% to total do mundo) eram da Vivo no Brasil.

 

Pode ou não acelerar a implantação do 3G no Brasil. A Vivo largará na frente ao implantar uma rede preparada para evoluir rapidamente para 3G (WCDMA). O fato de estar implementando inicialmente uma rede GSM pode, no entanto, tirar o fôlego da Vivo para investir mais pesadamente em 3G. A resposta das outras operadoras será decisiva para o "timing" de implantação do 3G no Brasil.

 

O maior desafio será a integração dos sistemas de TI que, necessariamente, tem que permitir a convivência das tecnologias AMPS, TDMA, CDMA e GSM/ WCDMA com transparência para o cliente, possibilitando migrações sem alteração de número do celular, sem perda de qualidade nas faturas mensais (conta telefônica) ou da qualidade do atendimento.

 

A comunicação bastante focada em cobertura e qualidade das ligações deverá ser replanejada para evitar perda de imagem e aumento de reclamações na ANATEL e potencializar os benefícios de ser a única operadora a oferecer os maiores benefícios das tecnologias CDMA e GSM.

 

A rede de distribuição deverá ser objeto de redobrada atenção da Vivo, evitando-se excesso de estoques de aparelhos nos pontos de venda, integrando a rede de distribuição com os sistemas da operadora e ampliando a capacidade de treinamento, qualificação e monitoramento da rede. No grande varejo talvez se instale, definitivamente, a venda de aparelhos GSM abertos para todas as operadoras, com os subsídios de aparelhos migrando para comissões de vendas de Sim Card. Neste caso, os fabricantes de aparelhos vão precisar expandir o modelo de negócio no qual a maior parte da venda é feita diretamente ao varejo e não via operadora.

 

Finalmente, o anúncio da opção da Vivo pela implantação de uma nova rede GSM provocou uma queda de suas ações na Bovespa. Trata-se de um investimento vultoso que deve implicar que ela operará no vermelho no curto prazo. É, no entanto uma decisão corajosa que deve trazer benefícios no longo prazo e preservar a posição de liderança que a Vivo ocupa no mercado brasileiro.

 

Diante deste quadro pergunta-se:

  • A Vivo conseguirá interromper a sua perda de market share? Quando?
  • A Vivo irá adquirir a Telemig Celular e ampliar sua área de cobertura no Nordeste?
  • A opção da Vivo serve para alinhar seu posicionamento com as outras operadoras na questão de 3G?
  • Qual será a reação das concorrentes?
  • Este movimento poderá potencializar a entrada de MVNO’s no Brasil?

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Comentário de Paulo Monte Serrat Neto

A decisão da Vivo pelo WCDMA irá colocá-la no mundo GSM, que hoje já conta com mais de 2 bilhões de usuários. O mercado brasileiro de telecom passará por mais um período de crescimento.

Com a nova rede GSM, provavelmente, serão instaladas mais de 5 mil ERBs ainda este ano. Outro tanto virá a ser ao longo de 2007. Haverá abertura de muitas vagas de trabalho para suprir o pico de demanda durante os próximos 6 a 12 meses. Serão milhões de novos aparelhos colocados no mercado, principalmente nas proximidades das festas do final deste ano e no início de 2007.

 

Haverá um acirramento da concorrência e novos planos, novos serviços, novos aparelhos, serão oferecidos aos consumidores, a qualidade de atendimento também tende a melhorar. O grande beneficiado será o consumidor.

 

Possuindo os mesmos recursos da concorrência, além da rede CDMA com ampla cobertura nacional, a Vivo irá se estabilizar e reverter a queda de participação no mercado (Market Share) que vem sofrendo nos últimos tempos. É provável que essa estratégia recentemente adotada venha defendê-la de muitas ameaças dos concorrentes e venha mantê-la como líder de mercado ainda por vários anos.

 

 

Comentário de Jorge Araujo

A decisão da VIVO confirma a veracidade da comparação entre as tecnologias GSM-CDMA e VHS-Betamax dos videocasstes dos anos 80 ou PC-Apple nos microcomputadores ou Linux-Windows... o mercado de massa demanda soluções com padrões abertos para baratear e disseminar tecnologias, aliás 3G no Brasil é mercado de nicho para um futuro nebuloso (WIMAX, WIFI, VoIP...). Nesse sentido a VIVO se dobra à realidade tardiamente no Brasil, vai perder a hegemonia de mercado e sangrar muito mas não está ferida de morte uma vez que a Telefonica Móviles tem já uma base GSM muito forte na América Latina e é uma das líderes mundiais na inovação dos serviços GSM/UMTS oferecidos aos usuários. Quem deve morrer é a Portugal Telecom, que se despedirá muito em breve... o CDMA também dará adeus da mesma forma que o AMPS e o TDMA fizeram, digam o que quiserem. A VIVO terá que comprar outros players GSM se quiser recuperar o atraso, não haverá como crescer organicamente tão rápido sem REVOLUCIONAR o mercado, inclusive baixando suas tarifas - O QUE SERIA MUITO BOM PARA OS CONSUMIDORES - até hoje as operadoras fizeram de tudo, menos baixar o preço da cesta de tarifas... Provavelmente essa situação dê um novo gás para os subsídios de aparelhos celulares GSM, pois a fúria pelo binômio churn-retenção deverá recrudescer no fim do ano. Agora só vai faltar a ANATEL liberar o NUMBER PORTABILITY, ou portabilidade do número do celular pelo usuário na troca de operadora, para que a competição realmente comece... aí sim o "bicho vai pegar", para todas.

 

 

Comentário de Rodrigo Matos

Vivo não vai manter a rede CDMA dela. Ela pretende em 3 anos já estar com toda a rede GSM. O CDMA estará extinto no Brasil.

Até onde eu sei, elá está cotando uma nova rede para MG , ou seja, ela está estudando a oportunidade de ser mais uma operadora a competir com a Telemig, ao invez de compra-la. Mas como eu disse...ela esta estudando o mercado.

Acredito que, com o GSM ela será "mais uma" a ter roaming nacional junto a TIM, puxando as operadoras para melhorias em seus planos mensais e mais competitividade. Quem ganha somos nós usuários.

 

 

Comentário de Rodrigo Matos

Vivo não vai manter a rede CDMA dela. Ela pretende em 3 anos já estar com toda a rede GSM. O CDMA estará extinto no Brasil.

Até onde eu sei, elá está cotando uma nova rede para MG , ou seja, ela está estudando a oportunidade de ser mais uma operadora a competir com a Telemig, ao invez de compra-la. Mas como eu disse...ela esta estudando o mercado.

Acredito que, com o GSM ela será "mais uma" a ter roaming nacional junto a TIM, puxando as operadoras para melhorias em seus planos mensais e mais competitividade. Quem ganha somos nós usuários.

 

 

Comentário de Patrick Asturiano

Isso já era uma tendência natural, uma vez que a Portugal Telecom e a Telefónica Móviles, em seus países de origem e nos outros atuantes, são utilizados tecnologia GSM.

 

Agora comentando o colega Rodrigo Matos, a Vivo não poderá entrar em MG com uma nova rede, já que a legislação brasileira não permite, e acredito por motivos de espectro. Minas Gerais já tem 04 operadoras, todas em GSM (Telemig, TIM, Oi e Claro).

 

Então a única opção, comprar a Telemig. Claro que eles vão brigar por uma alternativa, mas o GSM só opera com frequência na faixa de 1800 MHz.

 

No Nordeste, é plausível uma nova rede para a Vivo, se houver autorização da Anatel, já que tirando os estados de Bahia e Sergipe, toda a região tem 03 operadoras, assim como em São Paulo. Nesse caso, para os 06 estados do Nordeste, é possível uma nova rede em GSM. E no caso de Maranhão, a Vivo já opera em banda B.

 

Como a grande questão é o estabelecimento em Minas Gerais, que já é bastante maduro, então ou a Vivo adquire a Telemig (para ter 100% de cobertura no estado, como as concorrentes), ou adquire a CTBC (que cobre somente o Triângulo Mineiro), que já tem uma parceria com a Vivo na disposição de seus sites para uma rede CDMA para possibilitar roaming digital na região.

 

 

Comentário de A. C.

Conforme a materia em questão, a Vivo realmente vai investir no GSM para que seja criada uma rede WCDMA.

 

Minha opinião a essa situação é: todo o investimento da Vivo para implantar uma rede GSM, não vai deixar fôlego para a implantação do WCDMA com qualidade e uma rede ampla. As demais operadoras que já possuem rede GSM pronta , vão implantar suas redes WCDMA antes da vivo e com menor custo e maior qualidade. Os problemas operacionais na troca de tecnologia vão afetar os clientes base com erros sistemicos, e conseqüentemente trazer perda de market share com insatisfação de seus clientes que migrarão para as concorrentes.

 

A Vivo não terá disponibilidade financeira, para brigar com a Claro na aquisição da Telemig, e para investimentos em outras regiões  já que vai ter um investimento alto para a implantação do GSM em todos os estados que ela já esta presente.

 

Com tudo isso as concorrentes que já tiveram suas dificuldades em implantar uma nova rede GSM, e hoje já minimizaram tais problemas e teriam mais tempo e disponibilidade financeira para a implantação de uma rede WCDMA, e ainda ter a vantagem de não ter que manter uma rede paralela a qual trás custos operacional alto pois os clientes demoram para migrar de tecnologia.

 

Para agilizar este quadro a operadora terá que subsidiar mais aparelhos para migrar para a rede GSM o que trás perdas momentânea e aumentar seus investimentos,  já que se trata de clientes da própria base.

 

A Vivo com certeza esta em uma situação delicada. Não quis aderir ao GSM junto as outras operadoras, onde os investimentos seriam a longo prazo. Hoje descobriu um pouco tarde que esta com uma rede que a cada dia vem perdendo mercado mundial e acaba de seguir o mercado, basicamente sendo obrigada a investir em uma rede que tanto criticava.

 

Com certeza se a Vivo  tivesse tido esta visão de mercado antes, os prejuízos e investimentos seriam menores. Com tudo isso as concorrentes da Vivo, tentarão aumentar seu market share com eventuais problemas dos desafios que a Vivo vai encontrar.

 

 

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