Seção: Comentários Teleco

 


Quem vai comprar a Embratel?

Publicado em: 13/12/2003, atualizado em 15/03/2004

 

Telmex compra a Embratel

 

A MCI informou em 15 de março de 2004 ter concordado em vender sua participação na brasileira Embratel Participações para a mexicana Telefonos de Mexico (Telmex), por 360 milhões de dólares.

 

A MCI informou também que a conclusão da operação de venda está sujeita à aprovação da Corte de Falências dos Estados Unidos da América (“US Bankruptcy Court’) e das autoridades e órgãos reguladores competentes no Brasil. A venda já foi aprovada tanto pelo Conselho de Administração da MCI como pelo seu Comitê Oficial de Credores.

 

Embratel

 

  • Concessionária e maior operadora de Longa Distância (LD) do Brasil.
  • Receita líquida (Jan-Set 03) de R$ 5,17 bilhões sendo 57% LD Nacional, 12 LD Internacional, 26% Dados e 5% outros.
  • Maior backbone Internet do Brasil, possui 22,6 mil Km de rotas de fibra óptica e 4 satélites.
  • Adquiriu recentemente a Vesper tornando-se a empresa espelho da Telemar e da Telefonica.

 

A MCI declarou sua intenção de vender o controle da Embratel e contratou o banco de investimentos (Lazard Freres LLC) para cuidar da venda.

As propostas de qualificação de candidatos a compra foram entregues em 11 de dezembro. Esse foi o primeiro passo de um processo que poderá levar vários meses para ser concluído. A controladora da Embratel está dentro do chamado “Chapter 11” (espécie de concordata nos EUA) e a venda só deverá se concretizar após ela sair dessa condição, o que deve ocorrer no início de 2004.

 

Candidatos a compra

 

Segundo informações de mercado, apresentaram propostas um consórcio do qual participam Brasil Telecom, Telefônica e Telemar, outro consórcio organizado pela Telos (fundo de pensão dos funcionários da Embratel) e a Telmex (ainda não confirmada).

 

Consórcio das 3Ts (Telemar, Telefonica e Brasil Telecom)

 

A compra da Embratel eliminaria um concorrente de peso nos mercados de longa distância e dados. As três concessionárias passariam a deter conjuntamente mais de 90% do mercado. Na Telefonia local, com a incorporação da Vésper, Telemar e Telefonica passariam a deter quase que 100% do mercado.

Apesar se esperar-se do consórcio uma montagem jurídica que atenda às limitações legais a possibilidade de sua aprovação pelo Governo é controversa. O artigo 202 da LGT e a resolução 101 da Anatel são apontados como limitantes. A associação das três pode ser vista também como prática de cartel e terá de ser avaliado pelo CADE se as normas gerais de proteção à ordem econômica estão sendo atendidas.


Consórcio da Telos

 

A proposta da Telos de participar ou liderar um consórcio para compra da Embratel tem como motivação a manutenção da empresa como entidade independente no mercado.

Esta iniciativa esbarra no fato que a Telos não possui recursos suficientes para ser majoritária no grupo comprador. O patrimônio total da Telos é R$ 2,3 bilhões, com um limite de 10% para participação em um único setor, devendo ser deduzidas as participações já existentes enquanto o valor mínimo estimado pelo mercado para a compra do controle é R$ 1 bilhão.

A Telos necessitaria portanto de um volume grande de recursos de terceiros, sejam eles outros fundos ou o BNDES. Dependente de apoio do Governo ela poderia ser interpretada pelo mercado como uma re-estatização e prejudicar os esforços no sentido de buscar assegurar um ambiente favorável aos investidores estrangeiros.

 

Telmex

 

A compra da Embratel pelo grupo liderado pelo empresário Carlos Slim que controla a Claro, 2º maior operador de celular do Brasil e que adquiriu recentemente a AT&T consolidaria a presença do grupo na área de Telefonia de Longa Distância e Dados no Brasil, complementando desta forma sua operação na telefonia celular.

Considerada pelo mercado como a mais forte candidata a Telmex pode ser colocada diante de um dilema. A aquisição da Embratel consolida o grupo como alternativa independente o que pode dificultar no futuro a compra ou associação com outras operadoras (Telemar ou Brasil Telecom). A compra da Embratel pelas 3Ts por outro lado pode restringir o espaço de atuação do grupo no país e tornar mais cara a participação no grupo de controle de uma destas operadoras.


Outras empresas

 

O atual momento de telecomunicações não indica que novos investidores, hoje ausentes do setor no Brasil possam vir a se interessar por essa compra. Dentro do leque atual a Telecom Itália, que comprando a Embratel poderia buscar uma solução para o seu impasse com o Opportunity, pode ser um candidata.

Finalmente, a MCI deve estar satisfeita com a disputa que torna mais valioso o ativo colocado a venda.

 

 

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