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Seção: Comentários Teleco
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Quem vai comprar a Embratel?
Publicado em: 13/12/2003, atualizado em 15/03/2004
Telmex compra a Embratel
A MCI informou em 15 de março de 2004 ter concordado em vender sua participação na brasileira Embratel Participações para a mexicana Telefonos de Mexico (Telmex), por 360 milhões de dólares.
A MCI informou também que a conclusão da operação de venda está sujeita à aprovação da Corte de Falências dos Estados Unidos da América (“US Bankruptcy Court’) e das autoridades e órgãos reguladores competentes no Brasil. A venda já foi aprovada tanto pelo Conselho de Administração da MCI como pelo seu Comitê Oficial de Credores.
Embratel
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A MCI declarou sua intenção
de vender o controle da Embratel e contratou o banco
de investimentos (Lazard Freres LLC) para cuidar da
venda.
As propostas de qualificação de candidatos
a compra foram entregues em 11 de dezembro. Esse foi
o primeiro passo de um processo que poderá levar
vários meses para ser concluído. A controladora
da Embratel está dentro do chamado “Chapter
11” (espécie de concordata nos EUA) e a
venda só deverá se concretizar após
ela sair dessa condição, o que deve ocorrer
no início de 2004.
Candidatos a compra
Segundo informações de mercado, apresentaram propostas um consórcio do qual participam Brasil Telecom, Telefônica e Telemar, outro consórcio organizado pela Telos (fundo de pensão dos funcionários da Embratel) e a Telmex (ainda não confirmada).
Consórcio
das 3Ts (Telemar, Telefonica e Brasil Telecom)
A compra da Embratel eliminaria um
concorrente de peso nos mercados de longa distância
e dados. As três concessionárias passariam
a deter conjuntamente mais de 90% do mercado. Na Telefonia
local, com a incorporação da Vésper,
Telemar e Telefonica passariam a deter quase que 100%
do mercado.
Apesar se esperar-se do consórcio uma montagem
jurídica que atenda às limitações
legais a possibilidade de sua aprovação
pelo Governo é controversa. O artigo 202 da LGT
e a resolução 101 da Anatel são
apontados como limitantes. A associação
das três pode ser vista também como prática
de cartel e terá de ser avaliado pelo CADE se
as normas gerais de proteção à
ordem econômica estão sendo atendidas.
Consórcio
da Telos
A proposta da Telos de participar
ou liderar um consórcio para compra da Embratel
tem como motivação a manutenção
da empresa como entidade independente no mercado.
Esta iniciativa esbarra no fato que a Telos não
possui recursos suficientes para ser majoritária
no grupo comprador. O patrimônio total da Telos
é R$ 2,3 bilhões, com um limite de 10%
para participação em um único setor,
devendo ser deduzidas as participações
já existentes enquanto o valor mínimo
estimado pelo mercado para a compra do controle é
R$ 1 bilhão.
A Telos necessitaria portanto de um volume grande de
recursos de terceiros, sejam eles outros fundos ou o
BNDES. Dependente de apoio do Governo ela poderia ser
interpretada pelo mercado como uma re-estatização
e prejudicar os esforços no sentido de buscar
assegurar um ambiente favorável aos investidores
estrangeiros.
Telmex
A compra da Embratel pelo grupo liderado
pelo empresário Carlos Slim que controla a Claro,
2º maior operador de celular do Brasil e que adquiriu
recentemente a AT&T consolidaria a presença
do grupo na área de Telefonia de Longa Distância
e Dados no Brasil, complementando desta forma sua operação
na telefonia celular.
Considerada pelo mercado como a mais forte candidata
a Telmex pode ser colocada diante de um dilema. A aquisição
da Embratel consolida o grupo como alternativa independente
o que pode dificultar no futuro a compra ou associação
com outras operadoras (Telemar ou Brasil Telecom). A
compra da Embratel pelas 3Ts por outro lado pode restringir
o espaço de atuação do grupo no
país e tornar mais cara a participação
no grupo de controle de uma destas operadoras.
Outras
empresas
O atual momento de telecomunicações
não indica que novos investidores, hoje ausentes
do setor no Brasil possam vir a se interessar por essa
compra. Dentro do leque atual a Telecom Itália,
que comprando a Embratel poderia buscar uma solução
para o seu impasse com o Opportunity, pode ser um candidata.
Finalmente, a MCI deve estar satisfeita com a disputa
que torna mais valioso o ativo colocado a venda.
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