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Competição e Tarifas de
Telefonia Fixa
Publicado em 05/07/2004
A Anatel homologou em 29/06 o índice
de reajuste das tarifas de telefonia fixa utilizando
o IGP-DI como indexador (7,97%). Aplicando-se o fator
de produtividade obteve-se um índice de reajuste
médio de 6,89%. As assinaturas e o pulso local
tiveram um reajuste médio de 7,43% e a habilitação
uma redução de 20%. Este reajuste, já
em vigor, foi aplicado aos valores que estavam sendo
praticados pelas concessionárias, os quais foram
calculados com base no IPCA, conforme decisão
provisória do judiciário em 2003. Consulte
o comentário: O Reajuste
das Tarifas de Telefonia Fixa.
Em 01/07 o STJ restabeleceu o IGP-DI,
como previsto nos contratos de concessão, para
o índice de reajuste para as tarifas em vigor
desde de julho de 2003, modificando desta forma as bases
sobre a quais serão aplicados os índices
homologados em 29/06 pela Anatel. O reajuste médio
das tarifas de assinatura e pulso local em relação
aos valores praticados até junho de 2004 pelas
concessionárias passaria a ser, no acumulado,
de 15% e não os 7,43% homologados pela Anatel.
As concessionárias têm
afirmado que não pretendem pleitear a aplicação
retroativa do IGP-DI e estão definindo como o
reajuste adicional, proveniente da decisão do
STJ, será implementado.
O impacto maior destes reajustes
acaba ocorrendo nos telefones residenciais onde existe
menos competição. O mercado corporativo
dispõe de mais alternativas.
Este processo traz à tona
mais uma vez os problemas de um sistema de preços
controlado por parte do governo, reforçando a
tese de que a melhor solução é
deixar que o mercado regule estes preços através
da competição como já ocorre hoje
no Brasil na telefonia celular e de longa distância.
Infelizmente, em situações de quase monopólio
como ocorre na telefonia local, este controle não
pode ser evitado. Veja o tutorial do Teleco sobre Regulação
de Tarifas.
Planos Alternativos
A falta de competição
no serviço local leva também a ausência
de planos alternativos de serviço. Enquanto na
telefonia celular menos de 2% utilizam os planos básicos
de serviço, cujos preços são controlados
pela Anatel, na telefonia fixa local para praticamente
todos os clientes residenciais das concessionárias
aplica-se o plano básico de serviço.
Um dos problemas que têm impedido
o crescimento do número de telefones fixos residenciais
e contribuído para aumentar a inadimplência
é o fato do usuário residencial de menor
poder aquisitivo ter dificuldades para manter um gasto
mensal mínimo de R$30 a R$40 para ter um telefone
fixo decorrente do valor da assinatura. Este fato gerou
inclusive, no Congresso Nacional, o projeto de lei 5476/2001,
que propõe a extinção da assinatura
básica de telefone.
É importante lembrar que o
fim da assinatura pura e simples teria como consequência
um aumento dos valores cobrados pelo pulso o que pode
não ser vantajoso para uma parcela dos clientes
atuais. A melhor solução seria o oferecimento
de planos alternativos como aconteceu com o pré-pago
na telefonia celular. A Embratel já oferece planos
sem assinatura para a telefonia local mas que implicam
em valores pelo uso superiores aos das Concessionárias
de telefonia local. Veja Telefonia
Local sem assinatura.
Diante deste quadro pergunta-se:
- Como estimular a competição
na telefonia local? A entrada da Telmex na Gobopar
poderá impulsionar a oferta de telefonia local
da Embratel para o mercado residencial utilizando
a rede de TV a cabo da Net?
- Como a decisão do CADE
de aprovar a volta da Telecom Italia ao grupo de controle
da Brasil Telecom afeta este quadro?
- Como estimular o aparecimento
de planos alternativos na telefonia fixa? Cabe um
projeto de lei? É papel da Anatel? Não
caberia às concessionárias uma posição
mais pró-ativa?
- Reconhecer a competição
entre serviços (fixo e celular, por exemplo)
ajudaria muito nesta análise. O celular pré-pago
já é uma alternativa para o telefone
residencial. O preço da ligação
ainda é no entanto um limitante para o número
de chamadas, inclusive as recebidas. Até quando
este preço será uma barreira?
- Como afetarão este quadro
os novos regulamentos de interconexão e separação
e alocação de contas colocados em consulta
pública pela Anatel?
Comentário de : Andre
Verçosa Albuquerque
Creio que a competição
vai existir a curto prazo. A Telmex não está
aqui a passeio, e percebeu a enorme deficiência
que a Telemar tem para prestar o seu serviço,
mesmo sendo a ÚNICA.
O problema momentâneo está
na decisão de como entrar no mercado de telefonia
fixa. Agora que a Telmex tem duas opções.
Ou aumentar a rede da antiga Vésper, ou disponibilizar
uma nova tecnologia te telefones através dos
cabos da Net.
De uma forma ou de outra, com certeza
vai entrar com preços BEM mais competitivos.
Vide o exemplo da GVT na Região 2. Na época
do seu lançamento, em 2000 já ofereceu
aos seus clientes o sistema de “franquia”
onde o assinante pagava R$ 18,00 por 180 minutos em
chamadas locais (tanto GVT-GVT, como GVT-BRT). A Telemar
é incapaz de oferecer algo do tipo. Antes diziam
que era devido ao sistema de Billing, mas soube que
ocorreu uma migração de sistemas e que
atualmente eles utilizam o mesmo sistema que a GVT (Arbor/BP).
Com relação a utilização
de celulares pré-pago como forma de substituir
telefones fixos, creio que ainda vá demorar mais
um pouco. Até mesmo devido aos altos custos de
remuneração de rede entre as Operadoras
Fixas e Celulares. Com os preços atualmente praticados,
as Operadoras Fixas não conseguem abaixar o valor
da ligação fixo-móvel, e conseqüentemente
ainda fica caro para usuários realizarem ligações
para celulares.
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