Seção: Comentários Teleco

 


Telmex: Claro, AT&T Latin América, Embratel, Net. E agora?

publicado em 12/07/2004

 

A Telmex fez seus primeiros investimentos no Brasil no segmento de telefonia celular, adquirindo a ATL. Posteriormente, ampliou sua área de atuação comprando a Claro Digital, Americel, Tess, BSE e BCP, além de novas licenças na Bahia, Sergipe, Paraná e Santa Catarina. Hoje possui mais de 10 milhões de clientes no Brasil.

 

O segundo passo foi comprar a ATT-Latin América (hoje Telmex do Brasil) numa disputa com a Embratel e a Telefônica. Em seguida, comprou a Embratel (que havia adquirido a Vésper) e, mais recentemente, uma participação significativa (49%) do capital da Net.

 

Resumindo, hoje possui ativos nos segmentos de telefonia móvel, comunicação de dados (a maior rede do Brasil), longa distância, satélite, telefonia local e TV por assinatura. A Telmex não foi uma investidora no primeiro momento da privatização das telecomunicações brasileiras, ao contrário da Telefonica e Telecom Itália, outras duas operadoras internacionais presentes no país. Suas aquisições foram feitas “fora do momento de pico”, ou seja, por preços menores dos pagos na privatização e acredita-se, que em telecomunicações, tenha reduzido seu apetite para novas compras, mas ainda esteja analisando uma forma de entrar em telefonia celular em Minas Gerais.

 

A sua receita bruta no Brasil é apresentada no quadro abaixo:

 

Receita Bruta (R$ Milhões) 2003 1T04
Claro 5.223 1.302*
Embratel 9.177 2.500**
Net 1.532 409
Telmex Brasil (Ex ATT LA)* 150 40
Total Claro/Telmex 16.082 4.251

* Estimada pelo Teleco **inclui Vésper

 

A aquisição da participação na Net reforça a posição em receita bruta da Telmex/Claro como o 3º grupo do Brasil:

 

Receita Bruta (R$ Milhões) 2003 1T04
Telefonica/Vivo 29.152 7.951
Telemar/Oi 19.805 4.742
Claro/Telmex 16.082 4.251
Brasil Telecom 11.077 2.909
TIM* 5.300 1500

* Estimada pelo Teleco

 

A compra da participação na Net é uma indicação de que a Telmex pretende entrar na área de telefonia local usando a capilaridade da rede de TV a Cabo, presente em mais de uma centena de cidades brasileiras, nas classes mais altas da população. Uma limitação é que apenas parte da rede está preparada para tráfego bi-direcional.

 

Pode-se também esperar que haja uma intensificação das vendas do Vírtua, produto de banda larga da Net, que permitiria à operadora desenvolver ofertas de voz sobre IP. Atualmente, a empresa oferece o produto com foco no mercado residencial, em apenas 10 cidades, inclusive SP e RJ, passando na frente de 2,2 milhões de domicílios.

 

As opções estratégicas para integração dos ativos ainda deverão tomar algum tempo da alta administração da Telmex, assim como a implantação do estilo gerencial nas empresas adquiridas. A indicação de Carlos Henrique Moreira para a Embratel é um primeiro sinal de que mudanças advirão.

 

De início, não é de se esperar que a estratégia seja de integração entre as operações móveis da Claro e as operações da parte fixa (Embratel-Vesper-AT&T-Net), mas sim que essas sejam mantidas separadas. As operações móveis e fixas do grupo Telmex são controladas por empresas diferentes que somente se ligam na “holding” de Carlos Slim.

 

Sem dúvida, temos agora no Brasil mais um “player” de peso, com presença forte da América Latina, com bons ativos de longa distância e dados no país, com uma rede de TV por assinatura.

 

Diante desse quadro, pergunta-se:

  • A Telmex irá procurar conquistar o mercado corporativo ou, com a compra da Net, irá desenvolver ofertas de telefonia para as classes A e B, que constituem a base dos clientes da operadora de TV a Cabo?
  • Haverá um aumento da competição na telefonia local?
  • Como será a integração das operações da Vésper, operadora que oferece telefonia local sem fio? A solução 1xEVDO ganhará escala via Vésper na oferta de banda larga? Qual o nível de integração com as operadoras de celular que utilizam tecnologia GSM?
  • As operadoras de TV a Cabo irão finalmente entrar no mercado de telecomunicações?

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Comentário de Raffaele Antonini

A Telmex irá procurar conquistar o mercado corporativo ou, com a compra da Net, irá desenvolver ofertas de telefonia para as classes A e B, que constituem a base dos clientes da operadora de TV a Cabo?


Com a infra-estrutura da Net, fica claro que a Telmex irá explorar o mercado residencial, deixando o corporativo para ser atacado a partir das infras da Embratel e AT&T. Nesse caso, o potencial a ser explorado seria o da convergência, oferecendo o serviço de voz e dados a partir de uma mesma conexão e conta para pagamento. A pergunta que fica é : muito dizem que o fato de juntar serviços em uma mesma conta vai assustar o consumidor levando-o a reduzir seu gasto total nesta fatura. Como a Net-Telmex vai lidar com esse desafio ?


Haverá um aumento da competição na telefonia local ?


Com certeza que sim, mas não devemos esperar nenhuma revolução no cenário nem no curto nem no médio prazo. Lembremos da expectativa frustrada da entrada da Vesper e que a posição de mercado monopolista das operadoras fixas ( Telemar, Telefonica e BrT ) é muito difícil de se quebrar da noite para o dia.


Como será a integração das operações da Vésper, operadora que oferece telefonia local sem fio? A solução 1xEVDO ganhará escala via Vésper na oferta de banda larga? Qual o nível de integração com as operadoras de celular que utilizam tecnologia GSM ?


A minha dúvida é como vão conviver as ofertas de voz pelo cabo da Net com a oferta de voz local fixa sem fio da Vesper. Sem dúvida a Vesper deverá se utilizar de tecnologias de ponta como o 1xEVDO para melhorar sua oferta de serviço de dados, e assim eliminar a principal barreira ao seu serviço. Poderia também tentar uma diferenciação com o serviço semi-móvel ( somente dentro da área do local loop ) mas isso certamente vai ser uma guerra com questões regulatórias.

No caso de integração com as móveis, a única possibilidade que entendo ser viável é com a VIVO com o CDMA, mas nesse caso o conflito com a Claro vai inviabilizar a parceria...


As operadoras de TV a Cabo irão finalmente entrar no mercado de telecomunicações?

Entendo que sim, no mercado brasileiro, onde o preço do serviço de TV por assinatura praticamente inviabiliza sua massificação, não tem outra saída para essas empresas encontrarem a lucratividade esperada senão a diversificação.

 

 

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