Seção: Comentários Teleco

 


Comentário

publicado em 30/08/2004

 

ARPU: Como está a Receita Média por Usuário Celular?

 

O Brasil tem apresentado nos últimos meses um crescimento acelerado do número de celulares. As operadoras estão investindo na aquisição de novos clientes e em conquistar/manter market share. Enfrentam o desafio de equilibrar crescimento e rentabilidade.

 

Um dos indicadores que permite acompanhar este processo é a receita média mensal por usuário (ARPU). O ARPU é calculado dividindo-se a receita líquida de serviços pelo número médio de celulares (clientes).

 

A figura a seguir apresenta a evolução do ARPU do Brasil, estimado pelo Teleco a partir do ARPU divulgado pelas operadoras em seus relatórios trimestrais.

 

Evolução do ARPU do Celular no Brasil

 

 

O ARPU médio do Brasil caiu em um ano 14,7%, de R$ 38 por mês no 2º trimestre de 2003 (2T03) para R$ 32 em 2T04. Os seguintes fatores contribuiram para esta queda:

  • Bill and keep - o pagamento de interconexão entre operadoras do SMP passou a ocorrer somente quando o tráfego na mesma área de registro (VC1) exceder 55% em favor de uma delas. Seus reflexos começaram a aparecer a partir do 3T03 quando entrou em vigor entre as primeiras operadoras que migraram para o SMP.
  • Implantação do Código de Seleção de Prestadora para as chamadas de longa distância originadas de celular e aumento das áreas de registro, o que causou perda de receita para as operadoras.
  • Penetração do serviço em classes sociais de menor poder aquisitivo, que naturalmente originam menos chamadas.
  • Promoções e planos de serviço com descontos significativos para chamadas entre celulares do mesmo grupo (família, empresa, ...), principalmente no segmento corporativo.

Os usuários estão falando menos no celular?

 

O ARPU está caindo. Isto não significa no entanto que os usuários estão falando menos no celular.

 

O indicador utilizado neste caso é o MOU ou minutos mensais de uso por usuário. O que se observa é uma estabilidade do MOU como ilustrado a seguir para o MOU da Vivo estimado pelo Teleco.

 

Evolução do MOU da Vivo

 

Celulares Pré-pagos

 

Os celulares pré-pagos, devido a não cobrança de assinatura mensal, apresentam um valor do minuto de conversação mais elevado que o dos planos pós-pagos, o que é um desestímulo para o usuário originar chamadas.

 

Na Telemig Celular (2T04) 80% dos minutos de uso de um celular pré-pago eram de chamadas recebidas enquanto este mesmo percentual era de 37% para celulares pós-pagos. Esta característica faz com que o ARPU dos celulares pré-pagos seja muito dependente de receitas de interconexão (VUM). Estas receitas foram de um lado reduzidas pelo "Bill and Keep" e de outro beneficiadas pelo reajuste de 8% do VUM ocorrido em fevereiro.

 

Apesar disto, a receita proveniente do pré-pago não deve ser menosprezada. Na Vivo, por exemplo, ela já representa 45,6% da receita líquida de serviços (2T04), apesar do ARPU do pós-pago ser em média 4 vezes o do pré-pago. Nas operadoras da Banda B o peso do pré-pago é ainda maior. Na Global Telecom a receita do pré-pago representa 61% da receita líquida de serviços (2T04).

 

Novos serviços

 

É importante ressaltar que as operadoras estão procurando compensar esta queda no ARPU com o oferecimento de outros serviços. A receita de outros serviços da Vivo passou de 3,5% da receita líquida de serviços (2T03) para 6,6% no 2T04.

 

O serviço de mensagens curtas (SMS) é o grande responsável por este crescimento. No 2T04 a receita de dados da TCP ( Telesp Celular, Global Telecom e TCO) representava 4,8% da receita líquida de serviços, sendo que SMS respondia por 71% desta receita de dados.

 

ARPU por Operadora

 

 

A figura acima apresenta o ARPU por operadora. Note que a Amazônia e Telemig Celular, que no período considerado ainda não haviam migrado para o SMP, apresentam o ARPU mais estável.

 

Há de se considerar também que critérios diferentes utilizados pelas operadoras acabam causando impacto nos ARPUs apresentados. Um exemplo é o critério de contagem de clientes pré-pagos ativos.

 

Diante do exposto, pergunta-se:

  • Até quando o ARPU continuará caindo?
  • O ritmo atual de crescimento do celular obriga as operadoras a priorizarem o market share?
  • Veremos um maior foco na fidelização de clientes a partir de 2005?
  • Que efeito no ARPU do Brasil terá a entrada de uma 4ª operadora em São Paulo?
  • O lançamento de aparelhos celulares mais sofisticados contribuirá significativamente para o aumento do ARPU?
  • Um preço por minuto similar ao do pós-pago faria crescer o ARPU do pré-pago?

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Comentário de Rodrigo Perin - Ventsul

PARA O CRESCIMENTO DO ARPU DE 2004, E PARA UMA ESTABILIDADE EM 2005, PODEMOS AFIRMAR QUE O PREÇO MINUTO DO PRÉ-PAGO IGUALANDO AO DO PÓS PAGO TERIA UMA ALAVANCAGEM OPERACIONAL E CONSEQUENTEMENTE FINANCEIRA, POIS TENDO EM VISTA UMA TAXA DE 10% DO VALOR ATUAL DO PÓS PAGO , PARA MANUTENÇÃO DA CONTA, ISTO PODERIA CRIAR UMA RESISTÊNCIA QUANTO CONSUMO DO PÓS PAGO, CRIANDO UMA RENDA MINIMA PARA AQUISIÇÃO DO PRÉ-PAGO.

 

 

Comentário de Adalberto Venturini

O texto"Bill and keep - o pagamento de interconexão entre operadoras do SMP passou a ocorrer somente quando o tráfego na mesma área de registro (VC1) exceder 55% em favor de uma delas. Seus reflexos começaram a aparecer a partir do 3T03 quando entrou em vigor entre as primeiras operadoras que migraram para o SMP." não corresponde ao sistema Bill and keep.

 

O texto apresentado corresponde ao sistema de desbalanceamento de tráfego onde está estabelecido que quando houver "desequilíbrio adicional" a operadora responsável pela geração dos minutos de tráfego em desequilíbrio adicional deverá pagar a outra os minutos excedentes com base na fórmula estabelecida e preço do Convênio de Interconexão.

 

 

Comentário Teleco

As operadoras adotaram no Brasil em seus relatórios trimestrais o termo “Bill and Keep” para descrever a situação apresentada, apesar do significado original do termo não incluir este pagamento quando ocorre desbalanceamento de tráfego.

 

 

Comentário de Adrien Bisson

Gostaria porém de salientar que a diminuição do ARPU brasileiro a nível macro-econômico não corresponde necessariamente a uma diminuição a nível micro. Mesmo com o ARPU pós-pago crescendo e o ARPU pré-pago crescendo também, o ARPU geral pode estar diminuindo, por causa do aumento dramático de usuários pré-pagos.

 

O "peso" destes usuários pré-pagos está puxando o ARPU geral para baixo (tendência macro), mesmo com os dois ARPUs pré e pós crescendo (tendências micro.)

 

Isso serve em demostrar que a diminuição do ARPU brasileiro não é consequência de um investimento menor dos usuários (ao contrário!) mas do alargamento da base de usuários. Não estamos assistindo a uma desaceleração econômica, mas a uma inclusão econômica crescente.

 

 

Comentário Teleco

Apesar do que você descreveu ser um driver para a queda do ARPU este não foi o fator mais significativo no período considerado. Considerando o aumento do percentual do pré-pago no período considerado, se os ARPU do pré-pago e pós-pago tivessem permanecidos constantes, a queda no ARPU total seria de cerca de 5% e não 14,7% como ocorreu.

 

 

 

Comentário de Alexandre Warwar
  • Voz sobre IP traz benefícios enormes a redes corporativas ...integrando finalmente Dados e Voz e eliminando o custo adicional de se ter uma rede de Voz. As ligações internas (On-Net) simplesmente ficam bem mais barata. Óbviamente o custo adicional é de se desenhar e manter uma rede robustas com indice de availability na marca dos 100%...um problema na rede isolaria a empresa o que traria prejuizos enormes.
  • A definição do orgão regulador com relacao a Voz sobre IP definirá o futuro para uso publico. No mercado Internacional mais de 50% do trafego de voz ja é sobre IP e esse indice esta aumentando dia a dia. Para as novas operadoras e alocação de numeros assim como a regulamentacao da cobrança define o futuro dos novos entrantes.
  • Eu poderia 'comprar' um terminal (numero) no RJ e minha familia poderia ligar para mim em São Paulo pelo preco de uma ligacao local....ou ate mesmo para a Australia !
  • A pentração e Custo da Banda Large e tambem fundamental. O que as operadoras estabelecidas faram, e a cobranca do custo de broadband em pacote com um numero de ligacoes locais e interestaduais, tirando qualquer vantagem financeira na migração para Voz sobre IP.
  • O Custo do TA teria que ser amortizado como acontece hoje nos aparelhos de celulares
  • Finalmente os numeros de dsiponibilidade da rede da banda larga...num Pais como o Brasil aonde problemas de eletricidades podem inteferir no funcionamento, isso traria vantagens enormes ao PSTN.

 

 

Comentário de Edson Ferro

Ha pouco tempo fiz um comentário a respeito do número de celulares no Brasil, onde focava principalmente o poder aquisitivo do povo brasileiro.

 

Esta queda de arrecadação mostra exatamente o que sempre afirmei :

 

"Existe muita propaganda e uma enorme superestimação de mercado por parte de fabricantes de aparelhos e operadoras".

 

O brasileiro é muito modista. A febre do celular passa a medida que o dinheiro começa a afetar o orçamento de cada um. Ninguem é tão ignorante ao ponto de gastar dinheiro com inutilidades como : SMS, longos bate-papos, fotos, previsão do tempo e etc.

 

O ARPU vai cair, em valores reais, ainda mais a partir de já.

 

 

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