Seção: Comentários Teleco

25/06/2016


O pedido de Recuperação Judicial da Oi

 

A Oi entrou em 20 de junho de 2016 com um pedido de recuperação judicial e não terá que pagar as suas dívidas pelo prazo de 180 dias, período em que negociará com seus credores um plano de reestruturação financeiro.

 

 

 

 

 

A dívida bruta da Oi já era alta em 2013 (R$ 34,3 Bilhões), mas ainda estava dentro de parâmetros aceitáveis com a dívida líquida igual a 2,9 vezes o EBITDA.

 

O salto no endividamento ocorreu no 2T14, quando a Oi concluiu a integração dos negócios da Portugal Telecom (PT). Desde então, os ativos e passivos da PT passaram a ser consolidados no balanço patrimonial da Oi. A PT contribuiu com R$ 20,1 bilhões para a dívida bruta consolidada da Oi no 2T14. O aumento da dívida só não foi maior devido ao aumento de capital realizado em 5 de maio de 2014 no valor de R$ 8,0 bilhões.

 

A dívida bruta informada pela Oi para o 4T14 e o 1t15 aparece menor pois não inclui R$ 17,4 bilhões de dívida das operações portuguesas, que haviam sido colocadas à venda. Este valor voltou a ser incluído na dívida da Oi no 2T15, após a venda das operações em Portugal para a Altice por R$ 25,6 bilhões. Os recursos obtidos com a venda ajudaram a manter a dívida líquida em R$ 34,6 bilhões no 2T15, enquanto a dívida bruta voltava a crescer para R$ 51,3 bilhões.

 

 

 

A Oi terminou 2015 com uma dívida bruta de R$ 55 bilhões e uma dívida líquida 5 vezes maior que o seu EBITDA. Estava claro que a empresa precisaria renegociar as suas dívidas.

 

A Oi declarou no pedido de recuperação judicial possuir uma dívida bruta total de R$ 65,4 bilhões, composta por dívidas financeiras (R$ 50,6 bilhões), Anatel (R$ 10,6 bilhões), trabalhadores e fornecedores de serviços (R$ 1,65 bilhões) e outros passivos.

 

A dívida financeira da Oi pode ser classificada em:

 

Dívida Financeira
R$ bilhões
Comentário
BNDES
3,3
Dívida Assegurada
Dívida Local (Oi S.A, Oi Móvel e Telemar)
13,4
Com garantias
Notas emitidas pela Oi, Telemar e PT
33,9
Sem garantias. Títulos comercializados no mercado em média por 31% do valor.
Total
50,6
 

Fonte: Informações da Oi eleboradas pela Teleco.

 

O total das notas tem um valor de face de R$ 33,9 bilhões, mas elas estavam sendo comercializadas no mercado, antes da recuperação judicial, por em média 31% deste valor (R$ 10,4 bilhões). Em 2016 vencem R$ 4,4 bilhões destas notas e não seria uma boa estratégia para a Oi realizar estes pagamentos sem renegociar o valor total desta dívida.

 

Diante disso, a Oi iniciou no final de abril de 2016 uma negociação com a Moelis & Company, empresa que assessora um grupo de detentores de Notas da sua dívida. A proposta era reduzir o valor desta dívida de R$ 33,9 bilhões para cerca de R$ 9,0 bilhões, ficando estes credores com uma participação acionária na Oi. O ponto de divergência foi que os credores queriam 95% da Oi, enquanto os atuais acionistas ofereceram pouco mais de 80%.

 

Neste contexto, os atuais acionistas, representados no Conselho de Administração da Oi, decidiram pelo caminho da recuperação judicial, acreditando que desta forma poderiam melhorar os termos de negociação com estes credores. Este deve ser o foco da proposta que a Oi terá que apresentar a seus credores em até 60 dias, após a aprovação pela Justiça de seu pedido de recuperação. Os credores, por sua vez, terão 120 dias para aceitar a proposta, caso contrário será decretada a falência da empresa.

 

 

O mais provável é que as partes cheguem a um acordo, uma vez que em caso de falência todos perdem. Neste meio tempo, a Oi deve continuar operando normalmente, uma vez que possui caixa suficiente para sustentar sua operação.

 

Equacionada a questão da dívida, a Oi terá de promover uma reorganização societária de modo a assegurar recursos para fazer os investimentos necessários para desenvolver o seu potencial de mercado.

O plano estratégico apresentado pela Oi na negociação com os credores apresenta metas agressivas de crescimento anual da receita de 4% em 2017 e 2018.

 

 

 

 

Projeta também um crescimento da margem EBITDA de rotina para 30% em 2018.

 

 

 

 

Prevê, no entanto um aumento menor para o Capex, que voltaria para um valor próximo do de 2014 (R$ 5,1 bilhões), mas ainda distante do de 2013 (R$ 6,3 bilhões). Estes valores são menores que o Capex anual da Vivo e da Claro (mais de R$ 8 bilhões) e próximo do Capex da TIM (R$ 4,7 bilhões em 2015) que tem atuação concentrada no celular. 

 

 

 

 

Além disto, a Oi ainda terá de adquirir frequências na faixa de 700 MHz, uma vez que não participou da licitação realizada em 2014. Sem aumentar os investimentos, será difícil a Oi atingir o crescimento de receita e EBITDA proposto no plano estratégico.

 

 

Diante deste quadro pergunta-se:

  • Qual será a proposta da Oi para os credores?
  • A Oi vai sair da recuperação judicial em 2016?
  • Qual deveria ser o Capex anual da Oi?
  • Quais as apostas da Oi para o crescimento da receita e do EBTIDA?

 

 

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