Seção: Comentários Teleco

 


Pré-pago no Brasil

Publicado em: 17/01/05

 

Os Celulares pré-pagos começaram a ser disponibilizados no Brasil em 1998, com a CTBC Celular, e passaram a representar rapidamente a maioria dos celulares. O Brasil terminou 2004 com mais de 80% dos seus celulares sendo pré-pago (80,47%). O crescimento em 2004 dos celulares pós-pagos foi de 16,3% e dos celulares pré de 49,3%.

 

 

% de celulares pré-pagos em set/04 (3T04)

Oi Vivo Claro TIM

Telemig

e Amaz.

Brasil
85,5% 80% 81,40% 78%* 72,7% 79,6%

* Estimado pelo Teleco

 

Os usuários de celular pré-pago pagam mais por minuto quando originam uma chamada e pagam por seus terminais em média R$100 a mais que os usuários de planos pós-pagos. Enfrentam ainda limitações quando em roaming. Porque então eles se tornaram tão populares?

  • A principal vantagem do celular pré-pago é não existir comprometimento com uma conta mínima mensal. O usuário compra créditos conforme sua disponibilidade financeira, permitindo um melhor controle de gastos. Desta forma é possível ter um gasto mensal menor que a conta mínima de um celular pós-pago. No extremo o gasto pode ser praticamente nulo se o celular for utilizado apenas para receber chamadas e as chamadas originadas forem a cobrar. Na Telemig Celular (3T04), por exemplo, 76% dos minutos de uso de um celular pré-pago eram de chamadas recebidas. Ou seja, o perfil de uso da maioria dos clientes pré-pagos é mais adequado a este plano de serviço, por receberem mais chamadas que originarem.
  • O custo do aparelho, inclusive a diferença de R$ 100,00 em relação ao pós-pago, é amenizada com as ofertas de pagto. em 12 prestações, sem juros, adequando o desejo de ter um celular ao bolso do brasileiro.

Estes fatores fazem com que o ARPU do celular pré-pago seja menor que o do pós-pago. Na Telemig Celular, por exemplo, o ARPU do pós-pago é 5 vezes maior do que o do pré. O crescimento da base de pré-pago é uma das causas da queda do ARPU consolidado das operadoras de celular.

 

Apesar disto, a receita proveniente do pré-pago não deve ser menosprezada. Na Global Telecom, por exemplo, ela representou 60% da receita líquida de serviços no 3T04, apesar do ARPU do pós-pago ser 4 vezes o do pré-pago.

 

O celular pré-pago é um sucesso no Brasil e no mundo com países como México onde mais de 90% dos celulares são pré-pagos. Enfrenta no entanto alguns desafios no Brasil:

  • O modelo de interconexão brasileiro viabiliza a expansão da oferta de serviço pré-pago. A receita das operadoras de celular é muito dependente de receitas de interconexão (VUM). O valor do VU-M é um dos atuais pontos focais das preocupações das operadoras fixas e celulares, estando prevista a livre negociação deste valor em fevereiro de 2005. Este valor impacta de um lado, o equilíbrio econômico-financeiro das operadoras, principalmente celulares, e de outro o preço das chamadas para celulares, principalmente fixo-móvel.
  • Não existe um critério de desconexão de celulares pré-pagos utilizado uniformemente pelas operadoras. Este critério influencia diretamente o seu número de clientes, de um lado, e o ARPU, de outro. O Regulamento do SMP estabelece um prazo mínimo de 60 dias após o término dos créditos. O critério normalmente adotado é de 90 dias.

 

Telefone Fixo pré-pago

 

O baixo crescimento do número de telefones fixos em serviço no Brasil está em grande parte limitado por um problema de renda da população que não pode arcar com uma conta mínima mensal. Isto tem levado a setores da sociedade a pressionarem pelo fim da cobrança da assinatura mensal na telefonia fixa. Uma solução mais adequada poderia ser o oferecimento de planos alternativos de serviço baseados no modelo pré-pago.

 

Já existem algumas iniciativas neste sentido da parte da Anatel e de algumas operadoras:

  • Embratel, através da Vesper, oferece o serviço Livre.
  • Brasil Telecom tem um plano pré-pago para usuários inadimplentes
  • Telefonica oferece um número limitado de linhas com um plano alternativo pré-pago.

Nunca é demais lembrar que o orelhão (TUP) é uma forma de telefone pré-pago.

 

Diante deste cenário pergunta-se:

  • Até onde crescerá o percentual de pré-pago no Brasil?
  • Como o valor da VUM afetará este crescimento?
  • O telefone fixo pré-pago pode aumentar o número de telefones fixos em serviço?
  • A comparação entre ARPUs do pré x pós-pago é em parte distorcida porque pré é só varejo e pós é varejo e corporativo, que apresenta um ARPU muito maior. Qual seria o ARPU e perfil do usuário do pós-pago se o corporativo fosse considerado como uma categoria a parte?

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