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Seção: Em Debate
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Em Debate Especial
Publicado: 11/08/2008
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A Banda Larga incrementa
Parte 2
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Em 2003, o analista de indústria Criterion Economics refinou a sua pesquisa citada acima e concluiu que nos próximos 19 anos a adoção massificada da geração corrente do ADSL resultaria em aumento acumulativo de PIB americano (GDP - gross domestic product) de 179,7 BUS$ e 61.000 empregos por ano. O analista aproveitou também para introduzir a nova tecnologia de BL FTTH (Fiber to the home) que com um razoável passo que aumentaria o GDP acumulado para 440 BUS$ e novos empregos para 144.000 por ano (ver The Effect of Ubiquitous Broadband Adoption on Investment, Jobs, and the U.S. Economy, Set.2003).
Em Abril de 2005, o instituto Applied Economic Studies publicou um estudo focando na implantação da BL municipal em Lake County (Flórida) nos EUA. Este estudo concluiu que o município tinha experimentado aproximadamente um crescimento de 100% na atividade econômica – dobrando esta atividade em relação a outros municípios da Flórida – tornando a rede de BL disponível para as empresas e órgãos municipais no município (ver Broadband and Economic Development: A Municipal Case Study from Florida, Applied Economic Studies, Abril de 2005.
Em Fevereiro de 2006, as Universidades MIT e Carnegie Mellon publicaram os resultados de um estudo que elas elaboraram para o Depatarmento de Comércio (DoC) americano para medir o impacto da BL no crescimento econômico. A equipe das Universidades concluíram que “entre 1998 e 2002, as comunidades que tiveram acesso massificado a BL desde Dezembro de 1999 experimentaram um crescimento mais rápido em emprego, no número de negócios globais, e em negócios nos setores Tecnologia da Informação intensiva quando comparadas com as outras comunidades naquele mesmo período”. Eles também concluíram que o impacto em relação ao número de empregos e estabelecimentos comerciais foi particularmente maior em relação a expectativa deles (ver Measuring Broadband’sEconomic Impact, MIT e Carnegie Mellon, Fevereiro de 2006).
Em Junho de 2007, um estudo patrocinado pela Brookings Institution concluiu que, para todo um 1% de aumento de penetração da BL em um estado, a taxa de emprego aumenta de 0,2 a 0,3% por ano. Para todo o território dos EUA (não incluindo a zona rural). O estudo projetou um aumento de 300.000 empregos por ano, assumindo que a economia já não estava no nível de pleno emprego (ver The Effects of Broadband Deployment on Output and Employment: A Cross-sectional Analysis of U.S. Data, Brookings Institution, Junho de 2007).
Em Novembro de 2007, um estudo encomendado pela telco americana AT&T concluiu que a utilização de ADSL resultaria diretamente em 14.853 novos empregos no município de Solano (área de Califórnia) nos próximos 10 anos. O estudo também mostrou que um aumento de quase 4% na taxa dos adultos utilizando BL, traria para o estado da Califórnia um ganho líquido acumulativo de 1,8 milhão de empregos e 132 MUS$ na folha de pagamento durante a próxima década (ver Economic Effects of Increased Broadband Use in California, Sacramento Regional Research Institute, Novembro de 2007).
Em Fevereiro de 2008, o instituto Connected Nation anunciou um relatório estimando que se a adoção de BL aumentasse um adicional de 7% em todo estado, os EUA experimentariam uma experiência de benefícios econômicos agregados de aproximadamente 134 BUS$ por ano. Este valor inclui 92 BUS$ relativos a 2,4 milhões de novos empregos gerados ou salvos; 662 MUS$ em redução de custos de saúde; 6,4 BUS$ em economia por tráfego reduzido; 18,2 BUS$ em créditos de carbono associados com 3,2 bilhões de libras a menos de emissões de dióxido de carbono; e 35,2 BUS$ em economia de 3,8 bilhões de horas acessando a BL das residências (ver The Economic Impact of Stimulating Broadband Nationally, Connected Nation, Fevereiro de 2008.
Mais recentemente, o órgão Strategic Network Group (SNG) concluiu, em um estudo baseado nos efeitos das instalações de fibras em um total de 223 empresas em 03 comunidades que:
- O real benefício de FTTP (Fiber to the premises) são maiores que faqueles que fazer as mesmas coisas mais rápido. Os mais significantes ganhos de FTTP ocorrem depois de 02 anos de utilização uma vez que as organizações tenham adotados novos modelos de negócios para realizar novas fontes de receita e transformar os seus negócios para evitar custos. Enquanto os maiores ganhos são realizados quando muda-se de conexões dial-up para FTTP, existirão ganhos significantes contínuos para as empresas que movem-se de outras formas de acesso de BL;
- Em adição a estes benefícios diretos, existem efeitos multiplicadores (aumentos de PIB, empregos, receitas de impostos) que podem ser calculados. Na pesquisa do SNG desde 2003, foram encontrados significantes aumentos na atividade econômica local atribuída a BL. De fato, o aumento do PIB local é mais que 10 vezes maior que o valor dos investimentos na infra-estrutura de BL.
(ver The Transformative Effects of FTTP, Strategic Networks Group, Março de 2008; ver também Economic Impact Study of the South Dundas Township Fibre Network, Strategic Networks Group, 27.jun.2007).
A diferença entre 5-10 Mbps e 100 Mbps não é simplesmente transmitir e receber dados mais rápidos. Ela é, ao invés, uma diferença econômica crucial que causa uma profunda transformação como o meio é utilizado. Por exemplo, um estudo realizado no Japão dos efeitos da massificação de uma rede de 100 Mbps quase-simétrica (como oposto ao modelo de prioridade de download assimétrico dominante nos EUA), encontrou um dramático aumento na utilização de aplicações peer-to-peer de vários tipos, como também na criação de uma nova classe de heavy users que usufruem das vantagens destas aplicações (ver The Impact and Implications of the Growth in Residential User-to-User Traffic, Kenjiro Cho, et. al, sem data). Em outras palavras, a disponibilização de BL de alta capacidade resulta no aparecimento de novas aplicações e novos usuários como também de novos produtores de conteúdos/serviços que não existem – e nem podem existir – no ambiente de BL assimétrica e de baixa capacidade.
Como vimos nos estudos acima, a BL tem um papel – e terá muito mais nos próximos 10 ou 20 anos – no desenvolvimento econômico dos países pelo mundo afora.
O papel da BL no estímulo do desenvolvimento econômico tem se tornado um insumo muito importante principalmente para países com visão de futuro e inovação (que pena que temos o Nosso Guia e seus vassalos no Brasil, não é mesmo?) para criar novas oportunidades de emprego e fazer frente a competição global no mercado de trabalho de países como China, Índia e outros mais que possuem trabalhadores com melhor nível educacional que os brasileiros e ainda trabalham com tarifas menores. Desta forma, para assegurar o sucesso no desenvolvimento de mão de obra competitiva no mercado global, temos que disponibilizar redes avançadas de telecomunicações a preços acessíveis (conseqüência natural de um mercado de competição diferente do que temos aqui no nosso País). É aqui que questionamos – mais uma vez – a falta de competição do mercado brasileiro (p. ex., nas áreas de concessão da Oi e Telefônica) e a miopia do Governo Federal e da ANATEL (a referência Tough Choices or Tough Times mostra a ameaça da mão de obra externa nos EUA).
No livro O Mundo é Plano, o autor Thomas Friedman destaca a tendência das empresas no mundo de particionarem a cadeia produtiva em “tarefas discretas” que possam ser executadas por trabalhadores em qualquer lugar do mundo de maneira mais eficiente em custo e utilizando sistema avançados de comunicações para realizar qualquer trabalho com sucesso.
Um outro assunto em voga no mercado mundial é a ameaça da China ao mercado de trabalho global. No livro China Inc., o autor Ted Fishman destaca que a China espera que 300 milhões de chineses movam-se do país nos próximos 15 anos (sic!) para as principais cidades do mundo (i. e., 20 milhões por ano ou 1,66 milhão por mês o que significa quase uma cidade de Manaus por mês – um absurdo!). Este movimento massivo vai trazer uma grande dor de cabeça ao mercado de trabalho mundial, a medida que o trabalhador chinês atualmente não é só especializado em tecido, roupas e seda fina. Atualmente eles têm um skill bem mais abrangente e são também especializados em televisores, automóveis, caminhões, aviões, navios, redes de telefonia (conhecemos bem eles aqui nesta área com a ZTE e Huawei), fábricas, submarinos, satélites, e foguetes. Para permanecerem competitivos frente ao novo desafio chinês no mercado de mão de obra capacitada, os governos dos outros países do mundo devem assegurar que as empresas, instituições, e habitantes tenham acesso a uma infra-estrutura global de comunicações que é capaz de suportar as avançadas tecnologias de BL e aplicações.
Para finalizar vamos citar a referência The 2007 State New Economy Index do ITIF (Information Technology and Innovation Foundation) que desenvolve uma metodologia para medir e comparar o estágio de maturidade das economias estaduais (ou municipais) em relação a Conhecimento, Globalização, Empreendedorismo, Comandada por TI (IT driven), e Inovação. O ITIF mostra a evolução da economia dos EUA em diferentes estágios: Fabril (anos de 1890), Produção em massa e Corporativa (anos de 1940 e 1950), e agora temos a “Nova Economia” que começou a emergir nos anos recentes. O ITIF define a “Nova Economia” como sendo “uma economia global, empreendedora e baseada no conhecimento cujos fatores críticos de sucesso baseiam-se no conhecimento, tecnologia e inovação que são agregados nos produtos e serviços”. O índice do estudo do ITIF consiste de 26 indicadores agrupados em 05 categorias que melhor capturam o que é novo sobre a “Nova Economia”, a saber: Empregos com Conhecimento, Globalização, Dinamismo Econômico, Transformação em uma Economia Digital e Capacidade de Inovação Tecnológica. Um dos itens relevantes da Transformação em uma Economia Digital é a implantação de BL (indicador chave) que permitirá serviços diferenciados para as empresas e cidadãos. Este relatório do ITIF serve como base para um Estado (ou Município) qualquer avaliar o estágio da sua Economia com vistas a uma evolução para a “Nova Economia”!!!
Uma outra tendência que está tomando vulto nos EUA é apostar no fornecimento de Internet “para todos” fazendo a BL uma “prioridade nacional”. Este movimento está sendo capitaneado pelo Conselheiro Jonathan Adelstein do Órgão Regulador de Telecom dos EUA, o FCC (ver Adelstein: Internet For Everyone, Dailywireless, 23.jun.2008). Aqui você tem outra referência interessante sobre BL nos EUA: U.S. Broadband Penetration: 55%, Dailywireless, 03.jul.2008).
Hoje em dia o Brasil tem 18,3 internautas com BL. Este número representa 82% do total de internautas para uma população de 186,76 milhões de habitantes (estimativa de 2007). Pelo que vemos nestes números temos apenas 9,8% de internautas com BL no Brasil. Para começar a brincadeira “a vera” precisaríamos de no mínimo de uma taxa de 30% de penetração da BL! A lot of water rest to flow under this bridge! O que podemos fazer minha gente para evoluirmos com a BL no nosso País? Vou colocar aqui algumas perguntas para nos ajudar no nosso “dever de casa”, a saber:
- O PGO ora em Consulta Pública vai resolver o nosso problema de BL a curto prazo?;
- O Plano do Governo Federal de Abril de 2008 em conjunto com as grandes telcos do Brasil para levar a Internet a 56,9 mil escolas públicas de educação básica do país até 2010 vai ajudar muito na nossa baixa taxa de penetração de BL?;
- O que o Governo Federal e a ANATEL poderiam fazer para estimular a competição no mercado de BL no Brasil?;
- Quais os planos que os Governos Estaduais e Municipais poderiam elaborar para competir com os atuais provedores de BL no País? (sobre redes de BL municipais ver estas referências do Dailywireless: City Fiber Networks, 14.nov.2007; Municipal Fiber: Fits and Starts, 29.jul.2008; e Be Your Own Fiber Net, 01.ago.2008);
- Por que o governo Federal não faz um estudo sério sobre a BL no País? Por que o Governo Federal não faz um Planejamento Estratégico para incrementar a BL no País?;
- Os Pequenos Provedores que são fortemente defendidos pelas “ABRAs da vida” podem ajudar nesta tarefa hercúlea de aumentar a massificação da BL no País? (ver Provedores de Internet Banda Larga, Teleco).
Ufa ... espero que você também possa nos ajudar nesta tarefa de aumentar a penetração da BL no nosso País que deveria ser uma responsabilidade de todos nós para termos um País mais competitivo globalmente!
Eduardo Prado é Publisher da Revista de WiMAX.
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