|
Seção: Em Debate 11/05/2009 |
Em Debate

Telecomunicações: Necessidade do Compartilhamento de Dados
Presidente da Experian América Latina e da Serasa Experian
Há uma barreira cultural a ser ultrapassada no setor de telecomunicações: a do compartilhamento de dados. É importante compreender – e isso vale para empresas de qualquer segmento – que a colaboração entre fornecedores faz parte do modelo de concorrência global. Ter os dados do cliente como propriedade, como ativo da empresa, analisando-os no ambiente restrito de seus negócios, é tê-los com viés, pois não é avaliada a interação dele, cliente, com o mercado.
Cabe destacar que, hoje, tanto para se aumentar o market share quanto para a rentabilização de clientes e na medida em que o mercado evolui para soluções cada vez mais convergentes, é necessário que as empresas considerem também a informação positiva dos consumidores, como acontece nos mercados mais desenvolvidos do mundo. Por informação positiva entende-se o histórico de pagamentos, em dia e em atraso, dos clientes, e os compromissos em aberto, ou seja, as contas (vencidas ou não) ainda não pagas. Com a análise das informações positivas (Cadastro Positivo), é possível um aumento na aprovação de pedidos, gerando mais vendas e melhoria tanto no gerenciamento do risco quanto do relacionamento (cliente a cliente), aumentando a rentabilidade por cliente. Dessa maneira, torna-se possível a expansão de serviços de maior valor agregado, como o acesso à internet, downloads e serviços de mensagens.
Os benefícios de se compartilhar informações entre as empresas de Telecom são muitos. Merecem destaque a maior eficiência na abordagem de prospects – os elegíveis do ponto de vista do crédito –e que tipo deoferta compete a cada perfil;aagilização do processo de aprovação de pedidos; a melhora da avaliação do valor e do potencial do cliente e contar com um eficiente modelo para maior ativação de linhas, com menor risco de inadimplência e fraude, baseado no perfil de crédito do consumidor. Tudo isso voltado para maior segurança e rentabilidade dos negócios.
De acordo com o banco de dados da Serasa Experian, que está entre os maiores do mundo, para cerca de 45% dos CPF’s consultados pelas operadoras de telefonia móvel há algum tipo de informação positiva na base, sendo, aproximadamente, 40% no pré-pago e 55% no pós-pago. Assim, com o Cadastro Positivo em evolução, para 45% dos clientes conquistados há informação de histórico ou de comprometimento de crédito, o que ajuda a calibragem da oferta de celulares, telefones fixos, planos, pacotes etc. |
![]() |
![]() |
![]() |
Na situação atual, de assimetria das informações, não há um trabalho conjunto no sentido de se reduzir dois problemas comuns: a inadimplência e a fraude.
A inadimplência, como um dos principais reflexos da ausência de informações compartilhadas, é mais alta nas empresas de Telecom brasileiras do que nas congêneres que atuam em mercados mais desenvolvidos, onde há o Cadastro Positivo. No Brasil, a inadimplência do setor passa dos 10%, pelo menos dois pontos percentuais acima da média mundial (8%).

A fim de minimizar esse fenômeno, as operadoras em todo o mundo utilizam relatórios de crédito e modelos híbridos de scorings - com informações internas e de mercado - para a avaliação de novos clientes. Nesse contexto, a informação positiva se reveste de uma relevância maior. Com isso, se moderniza e se simplifica a análise de novos clientes, a reavaliação do potencial de consumo dos clientes que estão na base e a otimização da régua de cobrança.
Fica garantido, assim, o sigilo da informação, uma vez que é impossível a qualquer um dos players do mercado visualizar a informação analítica de um cliente específico ou de um conjunto deles e, ao mesmo tempo, um bureau externo isento garante o armazenamento e o tratamento destas informações, através de cláusulas de non-disclosure acordadas entre as partes.
![]() |
No caso da fraude, segundo a Associação de Controle à Fraude em Comunicações, nos Estados Unidos as perdas globais por esse tipo de ocorrência no segmento somaram US$ 40 bilhões em 2008, com crescimento de 10% ao ano. |
A prática de compartilhamento de dados é de interesse também para o consumidor, que será alvo de estratégias de relacionamento melhor definidas e de ações de marketing mais personalizadas, facilitando que ele enxergue melhor o valor de seu fornecedor de tecnologia, o que abre caminho das operadoras não só para o aumento das vendas, mas também para ações de rentabilização de clientes.
O setor de Telecom é fundamental para o desenvolvimento do país e para o amadurecimento de sua economia em termos globais. Dotar esse setor com melhor estrutura de informações para negócios é a garantia de bons resultados para toda a sociedade e de uma moderna relação ganha ganha entre seus componentes.
Comente! |
Para enviar sua opinião para publicação como comentário a esta matéria para nosso site, clique aqui!
Nota: As informações expressadas nos artigos publicados nesta seção são de responsabilidade exclusiva do autor. |






