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Seção: Em Debate Publicado: 23/09/05 |
Em Debate
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A possível diferença na contagem do número de Celulares no Brasil
Diretor do Teleco |
Recentemente a Vivo sugeriu que está havendo duplicidade na contagem de celulares no Brasil. A diferença de critério de contagem de clientes celulares da Vivo em relação a seus concorrentes justificaria a perda de market share experimentada pela operadora. Clientes de operadoras de GSM poderiam estar adquirindo novos SIM Cards sem desativar os existentes. As declarações da Vivo foram publicadas em jornais como Gazeta Mercantil de 24 de maio de 2005.
Estudo do Yankee Group publicado na revista Mobile Communications em março deste ano, tenta identificar o número de clientes (e não o número de celulares) em países da Europa. O estudo procura identificar os mercados nos quais as operadoras deveriam focar em atrair novos clientes (que ainda não têm um celular) e aqueles onde reter clientes seria mais vantajoso, procurando definir que mercados estão mais perto da saturação. Ou seja, o estudo procura identificar o porcentual de pessoas que possuem celulares, buscando definir que porcentual de clientes possui 2 e mais que dois celulares (ou Sim Cards).
Com metodologia própria o estudo conclui por exemplo, que a França, que tem 74% de penetração (densidade) de celulares pelos números oficiais, teria 48% de penetração de clientes. Que a Espanha, que apresenta 96% de penetração de celulares, teria 61% de penetração de clientes. A Itália, cujos números oficiais mostram 107% de penetração de celulares, teria 68% de penetração de clientes. E assim o Reino Unido 102% de penetração de celulares para 77% de penetração de clientes e a Alemanha de 84% de penetração de celulares para 56% de penetração de clientes.
Em fevereiro de 2005 estes países apresentavam os seguintes números, segundo a revista:
| País | Celulares (milhares) |
Crescimento Anual (%) |
Pré-Pago (%) |
Penetração* |
| Alemanha | 68.603 | 9,53 | 50 | 83,66 |
| Espanha | 38.490 | 3,22 | 53 | 96,47 |
| França | 44.086 | 7,30 | 38 | 73,85 |
| Itália | 61.288 | 9,64 | 84 | 106,77 |
| Reino Unido | 60.955 | 13,39 | 67 | 102,10 |
* Celulares por 100 habitantes.
No Brasil estes números,
em abril e março de 2005, eram:
| País | Celulares (milhares) |
Crescimento Anual (%) |
Pré-Pago (%) |
Penetração |
| Brasil (abr/05) | 70.790 | 40,6 | 80,52 | 38,61 |
| Brasil (mar/05) | 68.635 | 39,7 | 80,27 | 37,47 |
Vejo que o momento é adequado para debatermos o assunto e proponho analisarmos a questão a partir dos pontos abaixo, esperando que a comunidade de Telecomunicações coloque suas opiniões e levante novos pontos para enriquecer o entendimento comum da questão. Penso que com conceitos aceitos por todos e até oficiais poderemos chegar mais rapidamente a conclusões sobre nosso mercado.
Critério de
Contagem de Celulares Ativos
Celulares ativos são aqueles que geram
receita para a operadora, seja esta receita oriunda
dos gastos diretos do dono deste celular ou da
interconexão nas chamadas associadas ao
terminal.
Os celulares pós-pagos ativos são aqueles que podem receber e/ ou originar chamadas, pois têm seus limites de crédito respeitados. Os inativos, normalmente, são os inadimplentes ou aqueles que pediram o desligamento temporário de sua linha.
Os celulares pré-pagos inativos são aqueles que não possuem créditos válidos na plataforma, estão fora do prazo de recarregar e que estão há um certo tempo sem gerar receita para a operadora. Os demais são pré-pagos ativos. Este certo tempo varia de operadora para operadora. Algumas consideram 60 dias, outras 90, etc.
Como o porcentual de pré-pagos é elevado, os diferentes critérios podem causar diferenças significativas de contagem de clientes celulares de operadora para operadora..
As operadoras informam mensalmente o número de clientes celulares ativos, pré e pós-pagos, à ANATEL e pagam a taxa de fiscalização (FISTEL) pela diferença de clientes ativos em relação ao mês anterior.
Densidade (Penetração
do Serviço)
Densidade é o número de celulares ativos por 100 habitantes. Assim, a densidade no Brasil é obtida dividindo-se o número de celulares ativos divulgado pela ANATEL pela população do mês estimada pelo IBGE; este resultado é multiplicado por 100 para expressar o número de celulares por 100 habitantes.
O número de pessoas que possuem celulares não é um dado oficial, razão pela qual desenvolvem-se métodos próprios para encontrar este número.
Porcentual de Pré-Pagos
É o porcentual de celulares pré-pagos
entre os celulares ativos. O porcentual de pré-pagos
é obtido a partir dos dados de celulares
ativos pré e pós-pagos fornecidos
pelas operadoras à ANATEL.
Market Share
Market Share (participação de mercado)
de uma operadora é o porcentual do número
de celulares ativos desta operadora em relação
ao número total de celulares ativos do
País. O Market Share de uma operadora é
obtido a partir dos dados de celulares ativos
informados pelas operadoras à ANATEL.
A informação de Market Share informada
internacionalmente é a referente ao País.
Como apenas a TIM cobre todo o Brasil, algumas
vezes operadoras Brasileiras divulgam dados de
Market Share por elas calculados que se referem
apenas à sua área de atendimento,
o que pode confundir o leitor.
ARPU (Average Revenue
Per User)
O ARPU – receita media por celular ativo
– é obtido dividindo-se a receita
líquida de serviços da operadora
pelo número de celulares ativos.
Como o ARPU é um importante valor de referência para o mercado, o lógico é que as operadoras procurem ter critérios de contagem de número de celulares ativos que não distorçam o cálculo do ARPU, que finalmente será comparado com os valores de suas concorrentes.
Note-se que quanto maior é a densidade de celulares, menor é o ARPU. Isto se deve ao fato de que as camadas da população de menor poder aquisitivo gastam muito menos com seus celulares que as de maior poder aquisitivo e que estas adotam o celular muito antes que as camadas de menor renda.
Crescimento Anual
O Crescimento Anual é a variação
do número de celulares ativos nos últimos
doze meses. Portanto, para que sejam válidas,
as comparações devem levar em conta
os mesmos períodos de análise.
Os números das 5 maiores operadoras Brasileiras em março de 2005:
| - | Março 2004 | Março 2005 | ||||
| Celulares (milhares) |
MKT Share | ARPU (R$) |
Celulares (milhares) |
MKT Share | ARPU (R$) |
|
| Vivo | 21.876 | 44,5% | 36,3 | 26.957 | 39,3% | 28,8 |
| Tim | 9.123 | 18,6% | 39,7 | 14.650 | 21,4% | 35,7 |
| Claro | 9.957 | 20,3% | 29,0 | 14.292 | 20,7% | 26,0 |
| Oi | 4.408 | 9,0% | 23,8 | 7.250 | 10,5% | 21,1 |
Telemig/ Amaz |
3.432 | 7,0% | 36,3 | 4.136 | 6,0% | 25,7 |
OBS.: ARPUs da Vivo estimados pelo Teleco com base nos relatórios da operadora.
| - | Variação Março 2004 - Março 2005 | ||
| Celulares |
MKT Share (Pontos porcentuais) |
ARPU |
|
| Vivo | 23,2% | -5,2% | -20,7% |
| Tim | 60,6% | 2,8% | -10,1% |
| Claro | 43,5% | 0,4% | -10,3% |
| Oi | 64,5% | 1,5% | -11,3% |
Telemig/ Amaz |
20,5% | -1,0% | -29,2% |
Note-se que, como esperado, todos os ARPUs caíram de 2004 para 2005, com o aumento da densidade de celulares no Brasil. Como o mercado continua em crescimento há de se esperar que os ARPUs continuem decrescendo.
Troca
de aparelhos
No ano passado a indústria de aparelhos celulares instalada no Brasil distribuiu no mercado Brasileiro cerca de 30 milhões de aparelhos, dos quais cerca de 20 milhões foram para novos clientes, o que sugere que cerca de 10 milhões de aparelhos supriram o mercado de troca de aparelhos (GSM e CDMA por TDMA e upgrade de modelo, por exemplo).
E os aparelhos usados, para onde foram? Os números não são tão frios assim. Um porcentual significativo de aparelhos usados volta ao mercado, normalmente em novos números pré-pagos. Além disso, as operadoras e seus canais de distribuição terminaram o ano de 2004 com um considerável estoque de aparelhos celulares. Isto, certamente, contribuiu para as baixas vendas dos fornecedores nos primeiros meses do ano, com a conseqüente maior exportação.
O Debate
De volta ao debate, a questão colocada
pela Vivo é se os números informados
pelas concorrentes traduzem a realidade do mercado.
Ou seja, se o número de celulares informado é o número de celulares ativos ou
não.
- A análise dos números apresentados é suficiente para chegarmos a conclusões ou devemos considerar outros pontos?
- Com a conhecida pirâmide de poder aquisitivo do nosso País, que porcentual da população possui 2 celulares ativos e quantos por cento 3 ou mais celulares ativos?
- Quantos celulares (ou SIM Cards) inativos temos em nossas casas que ainda não são considerados inativos pelas operadoras?
- A perda de Market Share da Vivo pode ser justificada pela quantidade de pessoas com mais de 1 celular ou mais de 1 SIM Card como sugerido na Gazeta Mercantil? Poderia haver dupla contagem de clientes por parte das operadoras que usam tecnologia GSM?
- A ANATEL deveria impor critério único de contagem de celulares ativos?
- Como esclarecer a colocação feita pela Vivo?
Entendo que este é um importante debate para o setor e torço para que vocês expressem suas visões por este canal.
José Luis De Souza
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