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Seção: Geral
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Como foi: Painel 13 da Futurecom 2005
Veja como foi a Futurecom 2005

Em Debate: O Futuro da Regulação no Brasil
Durante a Futurecom 2005 em Florianópolis, o Teleco realizou um painel para comemorar o terceiro aniversário do Portal, que foi lançado durante o mesmo evento em 2002. O Painel reuniu:
Painelistas Convidados:
- Amadeu de Paula, presidente executivo da ACEL,
- Gilberto Alves, gerente geral de qualidade da Superintendência de Serviços Públicos da Anatel,
- José Fernandes Pauletti, presidente da Abrafix,
- Juarez Quadros, sócio da Orion Consultores Associados e ex-Ministro das Comunicações,
- Renato Guerreiro, sócio da Guerreiro Teleconsult e ex-presidente da Anatel,
- Silvia Melchior, advogada e sócia da Melchior e Micheletti Advogados Associados.
Na opinião de todos os debatedores, o modelo brasileiro não está esgotado e a Lei Geral de Telecomunicações, como marco importante do setor, deve ser preservada. Todos concordaram ainda que é fundamental a existência de uma agência reguladora fortalecida.
A advogada Silvia Melchior disse que, no entanto, o modelo não está completo e as regras do setor inacabadas, o que não garante a segurança necessária para que investidores entrem no mercado brasileiro, Em sua opinião, não existem fatores suficientes para atrair novos entrantes e aumentar a competição. Citou como dispositivos ainda não regulamentados o plano de numeração do SCM, a portabilidade numérica, a revenda e a desagregação dos elementos de rede (“unbundling”).
Juarez Quadros destacou que antes de regulamentar é preciso estabelecer políticas públicas. Frisou também que é importante cumpri-las. Sob o ponto de vista social, econômico e tecnológico os mecanismos de regulação devem garantir eficiência econômica, corrigir falhas de mercado, introduzir critérios de qualidade, assegurar acesso universal dos serviços, manter canais de interação entre prestadores e consumidores, estimular e promover a inovação tecnológica, assegurar padronização e compatibilidade de sistemas e a defesa do meio ambiente. Utilizando-se os referidos mecanismos, é preciso debater a previsibilidade e a necessidade de regulação. Se concluirmos por sua necessidade, a regulação deve ser eficiente, justa, clara e durável, com avaliação periódica e liberação de encargos inúteis ou dispendiosos. Quadros comentou ainda que a regulamentação deve ser simples, seguindo o modelo da iniciativa privada: enquanto órgãos do Governo produzem documentos de política com centenas de páginas, as empresas do setor privado definem objetivos, definições e diretrizes em apenas uma página.
José Fernandes Pauletti questionou: Existe mais de uma agência? Quais as funções da Anatel e quais as do Ministério? Ao afirmar a necessidade de uma só agência forte, Pauletti disse que além de ser independente é preciso que a agência exerça efetivamente essa independência. A indefinição demonstrada pelo Governo quanto ao papel que cabe à ANATEL não favorece o desenvolvimento do setor.
Renato Guerreiro lembrou que existem três funções das agências reguladoras: elaboração da regulamentação, concessão das outorgas dentro das regras estabelecidas e fiscalização. Guerreiro disse que a regulamentação deve limitar-se ao essencial, evitando aspectos e condições desnecessárias. Exemplificando, disse entender que, em sua opinião, o plano de alocação de custos (Resolução 396 da ANATEL) deveria restringir-se às concessionárias e não a todas as prestadoras de serviço de interesse coletivo.
Amadeu Castro referiu-se também à regulamentação excessiva. Vários regulamentos e dispositivos não deveriam aplicar-se a mercados competitivos, como o segmento de telefonia móvel onde na maioria dos mercados, existem 3 ou 4 concorrentes competindo intensamente. Amadeu lembrou a tendência da União Européia de simplificação da regulamentação.
Gilberto Alves disse entender que o mercado de telecomunicações no seu relacionamento com a agência ainda não havia atingido a maturidade. Muitas vezes as empresas solicitam a intervenção da agência para questões que poderiam ser resolvidas por negociação e que acredita que a tendência de longo prazo é que haverá menos necessidade de intervenção na medida em que os mercados adquiram mais maturidade.
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