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Seção: Tutoriais Operação

 

 
Histórico: Anos de 1940 e 1950: A Indústria durante a Segunda Guerra Mundial

 

Os anos de 1940 e 1950 assistiram ao aumento da produção de aparelhos de rádio, à implantação da televisão no Brasil e à fabricação de televisores. Nos anos de 1940, a instalação de indústrias foi favorecida pelas dificuldades de importação decorrentes da Segunda Guerra Mundial, pela proteção das Forças Armadas, e pelo interesse estratégico de manter autonomia em relação a alguns produtos de interesse para a defesa nacional.

 

A fabricação de rádios e televisores tem muito em comum. Utilizam a mesma técnica e as mesmas linhas de montagem. A partir da experiência na fabricação de rádios foi iniciada a fabricação de televisores, uns e outros com componentes cada vez menos importados. Estabeleceram-se fábricas de válvulas.

 

As partes do circuito que envolviam bobinas e fios de cobre passaram a ser produzidas em massa no Brasil, tanto para circuitos sintonizados de radiofreqüência como para outras finalidades, como os Flybacks para geração de sinais de varredura e de alta tensão utilizadas nos tubos de imagem da TV. Os próprios tubos de imagem passaram a ser fabricados aqui. Nessa época viabilizaram-se indústrias de pequeno porte e fabricantes locais, muitas vezes originadas de oficinas de consertos.

 

A implantação da televisão no Brasil teve um importante papel no incentivo à tecnologia nacional, uma vez que as estações de radiodifusão de televisão tinham todo interesse em induzir a fabricação em grande escala de televisores, para que seus índices de audiência pudessem ser altos. Data dessa época a criação dos primeiros cursos específicos de engenharia eletrônica e telecomunicações no Brasil.

 

O interesse por conhecimentos de eletrônica era já muito grande antes desses cursos, e era de certa forma atendido por algumas iniciativas de importância histórica. Destaque-se a revista Antena, editada no Rio de Janeiro, distribuída em todo o território nacional e que era lida com avidez por técnicos e jovens interessados por eletrônica, que já se anunciava como o futuro da tecnologia. Além das publicações como a revista Antena, apareceram também muitos cursos técnicos oferecidos por correspondência.

 

Tiveram um papel mais importante do que têm hoje, porque era a maneira mais eficaz de difundir conhecimentos especializados de forma sistemática, com distribuição de apostilas e sugestão de experiências práticas. O Instituto Radiotécnico Monitor, dos anos de 1940, mantido por Nicolas Goldberger, distribuía apostilas pelo correio a preços módicos, e com as apostilas seguiam periodicamente ferramentas, alicates de ponta e corte, solda, ferro de soldar, o instrumental básico para montagens eletrônicas na época.

 

Oferecia multímetros e um kit completo de radio receptor para ser montado pelo estudante. Junto com as apostilas, a intervalos predeterminados, seguiam também folhas de questões para avaliar o aproveitamento e as respostas eram corrigidas. No fim do curso, era emitido um Diploma de Radiotécnico, assinado por Nicolas Goldberger, com carimbos e o selo de Educação e Saúde, o que dava uma certa aparência oficial ao documento.

 

Muitas vocações foram despertadas (inclusive a do autor destes apontamentos) e muitas carreiras foram iniciadas graças a esses cursos. Já havia competência para que se oferecesse um curso completo de engenharia eletrônica, bem como uma forte demanda para que as principais escolas incluíssem cursos de engenharia eletrônica e engenharia de telecomunicações.

 

As mudanças e inovações dos cursos a partir dessa época foram decisivas para o desenvolvimento da eletrônica e das telecomunicações no Brasil e mais tarde o da computação. Impôs-se uma revisão do ensino da engenharia elétrica.

 

Como não era possível formar em cinco anos engenheiros que tivessem as bases para trabalhar em sistemas de potência e também em sistemas de baixos níveis de corrente, como se chamou no início a eletrônica, passaram a ser oferecidos cursos de engenharia elétrica com ênfase em eletrotécnica e, separados, cursos de engenharia elétrica com ênfase em eletrônica.

 

Esses cursos conduziam a diplomas iguais (apenas suas ênfases eram anotadas) que davam aos seus portadores as mesmas atribuições. Algumas escolas optaram por chamar os cursos de engenharia eletrônica de engenharia de telecomunicações. Nessa fase, anos de 1940 e 1950, foi particularmente interessante também o que ocorreu com a indústria “profissional” em contraposição à indústria de entretenimento.

 

A radiodifusão e as comunicações ponto-a-ponto via rádio, durante os anos de 1940, sofreram restrições para importações decorrentes da Segunda Guerra Mundial. O Brasil tinha interesse estratégico em dispor de produtos para a defesa. A indústria passou a produzir aparelhos e sistemas com alto grau de complexidade, como aparelhos receptores e transmissores extremamente sofisticados, em todas as faixas de freqüência, inclusive as mais elevadas.

 

Identificou-se o estudo da ionosfera como único meio de radiopropagação de alcance mundial disponível. Outros aparelhos eletrônicos, como, por exemplo, ecobatímetros, foram também desenvolvidos, fabricados e usados em embarcações, o que exigiu o desenvolvimento de cristais piezelétricos, geradores e receptores de sinais sonoros.

 

Muitas dessas tecnologias foram desenvolvidas em colaboração com a universidade e algumas deram origem a indústrias altamente competitivas que se estabeleceram tão logo a guerra terminou. Um exemplo de fabricante de material nacional nessa fase foi a empresa Cacique, em São Paulo, que fabricava transmissores, receptores, ecobatímetros e outros produtos profissionais.

 

A Cacique, posteriormente, foi adquirida pela Phillips e transformou-se na Inbelsa. Nasceu, nessa época, a S. Eletro Acústica, que dominava e ainda domina a tecnologia de crescimento de cristais piezelétricos, e a tecnologia de transdutores para som em geral.

 

 

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