Seção: Tutoriais Operação
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A televisão foi introduzida no país na década de 1950 e, a partir da década de 1960, passou a transmitir em cores. A televisão colorida muito contribuiu com sua sofisticação para o desenvolvimento dos técnicos e dos engenheiros eletrônicos no Brasil. Até hoje um receptor de TV em cores é o eletrodoméstico de maior complexidade. Sua fabricação e manutenção exigiram um esforço maior para a compreensão dos circuitos desses aparelhos.
A TV em cores no Brasil foi introduzida após a opção por um dos vários sistemas de transmissão da informação de cor. Os Estados Unidos desenvolveram um sistema chamado NTSC. O sistema americano foi desenvolvido e instalado rapidamente no país de origem e passou a partir daí a ser proposto para outros países, inclusive o Brasil.
A França procurou desenvolver um sistema próprio, chamado Secam. O sistema Secam se beneficiou por ser um desenvolvimento posterior ao NTSC e pôde corrigir alguns defeitos que este apresentou. A Alemanha, por sua vez, desenvolveu um sistema chamado PAL, igual ao sistema americano, exceto por um detalhe. Esse sistema corrigiu uma deficiência do sistema NTSC, evitando que desvios de cor ocorressem no processo de transmissão e recepção.
As cores derivavam e quando isso ocorria os resultados para o telespectador podiam ser realmente muito desagradáveis, especialmente para cores fáceis de reconhecer, como cor da pele humana. Pode-se aceitar uma paisagem um pouco mais azulada, mas dificilmente se aceita uma cor verde ou azul. O sistema PAL explorava uma espécie da barganha: as variações de fase ocorridas no processo de transmissão e recepção, que resultavam em variação de cor no NTSC, no sistema PAL, só implicavam redução de saturação e a cor era preservada.
O efeito de cores absurdas como a pele verde já mencionada e outros efeitos desagradáveis eram evitados. Tolera-se muito mais uma redução na saturação do que uma mudança de cor. O sistema Secam também não apresenta esse fenômeno de deriva das cores, mas é um sistema tecnologicamente muito complexo. Essas questões foram estudadas no Brasil sob contrato pelo Conselho Nacional de Telecomunicações (Contel), órgão competente para assumir esse tipo de decisão, com a Escola Politécnica, em 1965.
Na área da eletrônica, foi o primeiro contrato de prestação de serviços que se firmou na Escola. O relatório do grupo encarregado do trabalho foi aprovado e a recomendação pelo sistema PAL foi, finalmente, decisão do Contel. Implantou-se esse sistema em todo o Brasil. Nesse caso, houve um conflito de interesses. A França tinha um interesse político na adoção do sistema Secam.
Para os americanos, a adoção do NTSC no Brasil permitiria a exportação de aparelhos televisores prontos, sem nenhuma modificação para uso. Os alemães poderiam explorar as patentes do PAL. Entretanto, na negociação da comissão contratada pelo Contel na Escola Politécnica, os proprietários das patentes relacionadas com sistema PAL abriram mão de todos os seus direitos sobre essas patentes.
O Brasil finalmente pôde adotar esse sistema sem nenhuma despesa adicional em função da propriedade industrial das patentes envolvidas. Havia uma outra pequena diferença no sistema PAL adotado no Brasil, decorrente do fato de ele usar seus parâmetros dimensionados para uma rede de distribuição de energia elétrica em 50 Hz. Como os televisores deveriam funcionar no Brasil numa rede de 60 Hz, alguns parâmetros tiveram de ser modificados, o que foi feito pela mesma comissão, dando origem à versão PAL-M.
Dessa maneira, instalou-se uma barreira não alfandegária para televisores importados, seja dos Estados Unidos, seja da Europa, aproveitada pela indústria brasileira, que rapidamente se tornou a única fornecedora no mercado nacional. O mercado era realmente muito grande o que propiciou o desenvolvimento de indústrias, muitas de capital nacional, e a geração de grande número de empregos.
Algumas técnicas permitiram a adaptação de televisores NTSC no mercado brasileiro. Era necessária a instalação de uma linha de retardo no circuito, o que permitiu alguma importação, mesmo onerada pela adaptação. Permitiu também a fabricação de televisores originalmente desenvolvidos e aperfeiçoados para o sistema NTSC.
A adaptação da linha de retardo para os televisores importados abriu um pequeno mercado para os técnicos nacionais. Um televisor Secam era e é praticamente impossível de ser convertido para o sistema PAL-M brasileiro. A decisão brasileira acabou levando outros países da América do Sul à adoção do sistema PAL. A deriva de cor que se observava nos Estados Unidos não ocorreu. A qualidade da transmissão e da recepção da TV em cores do Brasil passou a ser reconhecida como excepcional.
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