Seção: Tutoriais Operação

 

 
Histórico: Anos de 1980 e 1990: Globalização, Privatização, Fim do Monopólio e Desregulamentação

 

Dos anos de 1980 e 1990, especialmente os últimos, testemunharam mudança extraordinária na ordem internacional econômica. O Brasil também foi envolvido pela avassaladora onda liberal, com a desregulamentação de quase todos os setores da atividade. Esgotada a lei da informática, o Brasil criou regras para propriedade intelectual de software e foi elaborada uma nova lei das telecomunicações.

 

A Lei Geral das Telecomunicações acabou com o monopólio estatal e privado. Na prática, levou à privatização dos sistemas estatais de telecomunicações e às chamadas empresas espelho, privadas, para evitar o monopólio. Chegou ao fim o sistema estatal Embratel/Telebrás e de todas as concessionárias estaduais igualmente estatais de serviço telefônico. O processo foi conduzido com sucesso por meio de leilões de privatização.

 

Sempre que se vendia a concessão de uma área, ou que se vendia uma concessionária, fazia-se um leilão logo em seguida para se criar uma empresa espelho. A telefonia fixa em São Paulo, explorada pela Telesp, foi comprada pela Telefônica da Espanha, mas pode também explorar telefonia na mesma área outra empresa que comprou esse direito. Hoje a Telefônica e a Vésper oferecem telefonia fixa em São Paulo e competem entre si. Esse modelo vale também para o sistema interurbano. A Embratel foi leiloada e comprada pela MCI.

 

A Intelig, outro grupo empresarial, deverá competir com a Embratel na oferta de linhas para tráfego interurbano interestadual e internacional. As telecomunicações nessa primeira década do século XXI são caracterizadas também pela explosão da demanda e a explosão da oferta, com a grande participação de ambos os lados, das linhas de transmissão de dados. Essa explosão do mercado é reforçada pela utilização da tecnologia de fibras óticas, cujos preços desabaram com os dos computadores. A fibra ótica tem o preço vertiginosamente reduzido desde sua recente introdução, e substitui com uma enorme vantagem as redes de fios de cobre.

 

Substitui também as redes de microondas e os satélites. O sistema global de comunicações de voz e dados entre continentes, entre todos os países, todas as grandes cidades, as capitais e centros de consumo, brasileiros ou internacionais, hoje se faz essencialmente por cabos de fibra óptica. Os cabos submarinos usam fibra óptica e continuam sendo lançados com velocidade crescente. As estradas e as linhas de transmissão de energia elétrica reúnem condições favoráveis para que se distribuam ao longo delas cabos de fibra óptica. As concessionárias de serviços rodoviários no Brasil e as empresas de energia elétrica cedem por bom preço o direito de empresas de telecomunicações utilizarem os cabos de fibras óticas distribuídas ao longo da estrada ou da linha de transmissão.

 

Enquanto isso surge a internet, que dispensa comentários ou explicações. A partir do fim dos anos de 1960 e começo dos anos de 1970, a Agência Americana de Defesa lançou um projeto chamado Arpa que resultou na Arpanet, rede precursora da internet, graças à participação destacada de dois professores americanos, Kleinrock e Vincent Cerf. Desde seu lançamento, a internet só cresceu, sem restrições, e está disponível em todo o mundo. A novidade da primeira década do século XXI é o oferecimento de conexões grátis, sem taxa mensal para acesso à rede.

 

Graças à internet, é possível, a partir de um PC ou de uma estação de trabalho, ter acesso a um potencial imenso de computação situado em qualquer lugar do mundo, com muita condição de economia de escala, porque esses recursos de computação, conectados e acessíveis pela internet, podem ser compartilhados entre muitos usuários sem que seja necessária a proximidade física de uma super-máquina centralizada. É como se um grande computador fosse agora distribuído em um grande número de pontos ou nós e, dessa forma, todos pudessem se servir dele. A internet é uma rede de telecomunicações, com a central de comutação distribuída.

 

Sua estrutura é quase invulnerável, independente de defeitos que possam se estabelecer localmente em pontos ou em áreas isoladas dessa teia de distribuição de dados que cobre o mundo. A redução dos preços de computadores e a melhoria de sua performance levou a um número não imaginável de usuários da rede. No passado, todo estudante de engenharia ganhava uma régua de cálculo ao entrar na faculdade. Depois, passou a ganhar uma máquina de calcular programável. Numa palestra recente feita para estudantes do primeiro ano da Politécnica, todos, sem exceção, responderam positivamente quando consultados se tinham computador em casa conectado à internet.

 

As oportunidades de trabalhos e de negócios no setor crescem com a mesma tendência vertiginosa e muitos jovens criativos e competentes estabelecem-se com sucesso por conta própria. Amealham em curtíssimo prazo fortunas que no passado não eram construídas honestamente em tão pouco tempo.

 

 

 

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