| Frame Relay: Características |
O protocolo Frame Relay é resultado
da combinação das funcionalidades de multiplexação estatística
e compartilhamento de portas do X.25, com as características
de alta velocidade e baixo atraso (delay) dos circuitos
TDM.
O Frame Relay é um serviço de pacotes
que organiza as informações em frames, ou seja, em pacotes
de dados com endereço de destino definido, ao invés
de coloca-los em slots fixos de tempo, como é o caso
do TDM. Este procedimento permite ao protocolo implementar
as características de multiplexação estatística e de
compartilhamento de portas.
Considerando o modelo OSI para protocolos,
o Frame Relay elimina todo o processamento da camada
de rede (layer 3) do X.25. Apenas algumas funcionalidades
básicas da camada de enlace de dados (layer 2) são implementadas,
tais como a verificação de frames válidos, porém sem
a solicitação de retransmissão em caso de erro.
Desta forma, as funcionalidades implementadas
nos protocolos de aplicação, tais como verificação de
seqüência de frames, o uso de frames de confirmações
e supervisão, entre outras, não são duplicadas na rede
Frame Relay.
A figura a seguir mostra o uso do
modelo em camadas para o Frame Relay e suas aplicações.

A eliminação dessas funcionalidades
simplifica o protocolo, permite altas taxas de processamento
de frames e, conseqüentemente, um atraso (delay) menor
que o do X.25, embora seja maior que o do TDM, que não
tem nenhum processamento associado.
Para permitir a eliminação de tais
funcionalidades da rede Frame Relay, os equipamentos
de usuários devem garantir a transmissão de informações
fim-a-fim sem erros. Felizmente, a maioria desses equipamentos,
principalmente aqueles destinados a aplicações do tipo
LAN, já tem inteligência e capacidade de processamento
para executar essa funcionalidade.
A tabela a seguir apresenta uma comparação
entre os circuitos TDM, o protocolo X.25 e o Frame Relay.
| |
TDM |
X.25 |
Frame Relay |
| Multiplexação em Tempo |
sim |
não |
não |
Multiplexação Estatística
(Circuito Virtual) |
não |
sim |
sim |
| Compartilha portas |
não |
sim |
sim |
| Alta velocidade (por $) |
sim |
não |
sim |
| Atraso (delay) |
muito baixo |
alto |
baixo |
Circuitos Virtuais (Virtual Circuits)
A tecnologia Frame Relay é baseada
no uso de Circuitos Virtuais (VC's). Um VC é um circuito
de dados virtual bidirecional configurado entre 2 portas
quaisquer da rede, que funciona como um circuito dedicado.
Existem 2 tipos de VC's, conforme descrito a seguir:
1) Permanent Virtual Circuit
(PVC)
O PVC foi primeiro tipo de circuito
virtual padronizado para o Frame Relay a ser implementado.
Ele é configurado pelo operador na rede através do
sistema de Gerência de Rede, como sendo uma conexão
permanente entre 2 pontos. Seu encaminhamento através
dos equipamentos da rede pode ser alterado ao longo
do tempo devido à falhas ou reconfigurações de rotas,
porém as portas de cada extremidade são mantidas fixas
e de acordo com a configuração inicial.
A configuração dos PVC's requer
um planejamento criterioso para levar em consideração
o padrão de tráfego da rede e o uso da banda disponível.
Sua utilização é destinada a aplicações permanente
e de longo prazo e são uma alternativa aos circuitos
dedicados dos sistemas TDM com boa relação custo /
benefício.
2) Switched Virtual Circuit
(SVC)
O SVC também foi padronizado para
o Frame Relay desde o princípio, mas só foi implementado
mais recentemente, quando surgiram novas demandas
de mercado. Ele é disponibilizado na rede de forma
automática, sem intervenção do operador, como um circuito
virtual sob demanda, para atender, entre outras, as
aplicações de Voz que estabelecem novas conexões a
cada chamada. O estabelecimento de uma chamada usando
o protocolo de sinalização do SVC (ITU-T Q.933) é
comparável ao uso normal de telefone, onde a aplicação
de usuário especifica um número de destinatário para
completar a chamada, e o SVC é estabelecido entre
as portas de origem e destino.
O estabelecimento de SVC's na rede
é mais complexo que os PVC's, embora seja transparente
para o usuário final. A conexões devem ser estabelecidas
de forma dinâmica na rede, atendendo as solicitações
de destino e banda das diversas aplicações de usuários,
e devem ser acompanhadas e cobradas de acordo com
o serviço fornecido.
Enquanto o PVC oferece o ganho relativo
ao uso estatístico de banda do Frame Relay, o SVC propicia
a conectividade entre quaisquer pontos de origem e destino,
o que resulta em flexibilidade e economia para o projeto
da rede.
Estrutura do Frame
O protocolo do Frame Relay utiliza
um frame com estrutura comum e bastante simplificada,
conforme demonstram a figura e a descrição a seguir:
Estrutura do frame
| FLAG |
CABEÇALHO |
INFORMAÇÃO
DE USUÁRIO |
FCS |
FLAG |
Estrutura do cabeçalho
| Byte 1 |
Byte 2 |
|
DLCI |
C/R |
EA |
DLCI |
FE
CN |
BE
CN |
DE |
EA |
|
8 7
6 5 4 3 |
2 |
1 |
8 7
6 5 |
4 |
3 |
2 |
1 |
| Flags
|
Indicam o início e o
fim de cada frame. |
|
Cabeçalho |
Carrega as informações de controle
do protocolo. É composto por 2 bytes com as seguintes
informações:
- DLCI (Data Link Connection Identifier), com
10 bits, representa o número (endereço)
designado para o destinatário de um PVC dentro
de um canal de usuário, e tem significado local
apenas para a porta de origem (vide figura abaixo);
- C/R (Command / Response), com 1 bit, é usado
pela aplicação usuária;
- FECN (Foward Explicit Congestion Notification),
com 1 bit, é usado pela rede para informar um
equipamento receptor de informações que procedimentos
de prevenção de congestionamento devem ser iniciados;
- BECN (Backward Explicit Congestion Notification),
com 1 bit, é usado pela rede para informar um
equipamento transmissor de informações que procedimentos
de prevenção de congestionamento devem ser iniciados;
- DE (Discard Eligibility Indicator), com 1
bit, indica se o frame pode ser preferencialmente
descartado em caso de congestionamento na rede;
- EA (Extension Bit), com 2 bits, é usado para
indicar que o cabeçalho tem mais de 2 bytes,
em caso especiais;
|
| Informação
de usuário |
Contém as informações da aplicação
usuária a serem transportadas através da rede Frame
Relay. |
| FCS |
O FCS (Frame Check Sequence) representa
o CRC padrão de 16 bits usado pelo protocolo Frame
Relay para detectar erros existentes entre o Flag
de início do frame e o próprio FCS, e pode ser usado
apenas para frames com até 4096 bytes. |
A figura a seguir exemplifica DLCI's
configurados a partir de uma mesma porta para vários
destinatários em locais distintos da rede.

Além disso, os frames podem ter comprimento
variável e, dependendo do tipo de informação da aplicação
do usuário, seu tamanho pode variar de alguns poucos
até milhares de caracteres. Esta funcionalidade, similar
ao X.25, é essencial para a interoperabilidade com aplicações
do tipo LAN e outros tipos de tráfego síncrono.
Essa facilidade, porém, faz com que
o atraso (delay) varie em função do tamanho do frame.
Entretanto, a tecnologia Frame Relay tem sido adaptada
para atender até mesmo as aplicações sensíveis a atraso
(delay), como é o caso da Voz.
Fluxo das informações
O fluxo básico das informações em
uma rede Frame Relay é descrito a seguir:
- As informações são enviadas através
da rede Frame Relay usando o DLCI, que especifica
o destinatário do frame;
- Se a rede tiver algum problema
ao processar o frame devido à falhas ou ao congestionamento
nas linhas de dados, os frames são simplesmente descartados;
- A rede Frame Relay não executa
a correção de erros, pois ela considera que o protocolo
da aplicação de usuário executa a recuperação de falhas
através da solicitação de retransmissão dos frames
perdidos;
- A recuperação de falhas executada
pelo protocolo da aplicação, embora confiável, apresenta
como resultado o aumento do atraso (delay), do processamento
de frames e do uso de banda, o que torna imprescindível
que a rede minimize o descarte de frames;
- A rede Frame Relay requer circuitos
da rede de transmissão com baixas taxas de erros e
falhas para apresentar boa eficiência;
- Em redes de transmissão de boa
qualidade, o congestionamento é de longe a causa mais
freqüente de descarte de frames, demandando da rede
Frame Relay a habilidade de evitar e reagir rapidamente
ao congestionamento como forma de determinar a sua
eficiência.
|