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Embora o protocolo Frame Relay tenha
sido desenvolvido para ser o mais simples possível,
e a sua premissa básica determinar que os eventuais
problemas de erros da rede deveriam ser resolvidos pelos
protocolos dos equipamentos de usuário, surgiram ao
longo do tempo necessidades que levaram os órgão de
padronização a definir mecanismos de sinalização para
três tipos de situações:
- Aviso de congestionamento;
- Estado das conexões;
- Sinalização SVC.
Entretanto, a implementação desses
mecanismos é opcional e, embora a rede seja mais eficiente
com a sua adoção, os equipamentos que não os implementam
devem atender pelo menos as recomendações básicas do
Frame Relay.
Aviso de Congestionamento
A capacidade de transporte da Rede
Frame Relay é limitada pela sua banda disponível. Conforme
o tráfego a ser transportado aumenta, a banda vai sendo
alocada até o limiar onde não é possível receber o tráfego
adicional. Quando atinge esse limiar, a rede é considerada
congestionada, embora ainda possa transportar todo o
tráfego entrante.
Caso os equipamentos de usuário continuem
a enviar tráfego adicional, a rede é levada ao estado
de congestionamento severo, o que provoca a perda de
pacotes por falta de banda. Nesse estado, os procedimentos
de reenvio de pacotes perdidos dos equipamentos usuários
concorrem com o tráfego existente e a rede entra em
acentuado processo de degradação.
Para evitar esse tipo de situação,
foram definidos os seguintes mecanismos de aviso de
congestionamento:
1) Aviso Explícito de Congestionamento
Este mecanismo utiliza os bits
FECN e BECN do cabeçalho do frame, descrito
anteriormente, para avisar os equipamentos de usuários
sobre o estado da rede.
A figura abaixo ilustra um exemplo
onde o equipamento B está atingindo o estado de congestionamento,
como resultado de um pico temporário de tráfego entrante,
oriundo de vários equipamentos, ou de um congestionamento
no tronco que interliga B e C.

A identificação do congestionamento
é feita pelo equipamento B, baseado no estado de seus
buffers internos ou no tamanho de suas filas de frames
a enviar. Nesse momento B ativa o bit FECN nos frames
a serem enviados para avisar que a rede está congestionada.
Desta forma todos os equipamentos de rede e de usuário
envolvidos no caminho entre B e o destino dos DLCIs
afetados tomam conhecimento desse fato. Dependendo
da inteligência do protocolo da aplicação de usuário,
procedimentos de recuperação de falha podem ser iniciados.
Além de informar os equipamentos
de destino, B ativa também o bit BECN. Novamente,
todos os equipamentos de rede e de usuário envolvidos
no caminho entre B e a origem dos DLCIs afetados tomam
conhecimento do congestionamento. Dependendo da inteligência
do protocolo da aplicação de usuário, procedimentos
de diminuição de tráfego a ser enviado para a rede
podem ser iniciados.
O processo de ativação dos bits
FECN e BECN pode ocorrer simultaneamente em vários
DLCIs, como resultado da ocorrência de congestionamento,
avisando vários equipamentos de origem e destino.
2) Aviso Implícito de Congestionamento
Alguns protocolos dos equipamentos
de aplicação, como o TCP/IP, possuem mecanismos para
verificar o congestionamento da rede. Esses protocolos
analisam, por exemplo, o atraso (delay) de resposta
dos frames enviados ou a perda de frames, para detectar
de forma implícita se a rede está congestionada.
Esses protocolos limitam o envio
de tráfego para a rede por meio de uma janela de tempo,
que permite o envio de um determinado número de frames
antes que uma resposta seja recebida. Quando detecta
que um congestionamento está ocorrendo, o protocolo
reduz a janela de tempo, o que reduz o envio de frames,
diminuindo o carregamento da rede.
Esse mesmo procedimento de ajuste
da janela de tempo é normalmente usado pelos equipamentos
de usuário como resultado da sinalização de congestionamento
explícito dos bits FECN e BECN.
Os avisos explícito e implícito
de congestionamento são complementares, e devem ser
usados de forma conjunta para avaliar o envio de tráfego
para a rede, como forma de evitar eventuais congestionamentos.
3) Elegibilidade para Descarte
Alguns equipamentos de usuário
não têm inteligência ou capacidade de processamento
para analisar os avisos de congestionamento, que de
fato são a parte opcional do padrão Frame Relay. Entretanto,
como parte do padrão básico do Frame Relay existe
no cabeçalho do protocolo o bit DE que, se ativado,
indica aos equipamentos da rede que o frame pode ser
descartado em caso de congestionamento.
Para definir o procedimento de
ativação do bit DE, o padrão Frame Relay definiu o
CIR (Committed Information Rate), que representa a
capacidade média de informação de um circuito virtual.
Para cada VC a ser ativado na rede, o usuário deve
especificar o CIR de acordo com a necessidade de sua
aplicação. Normalmente o CIR é especificado como sendo
uma porcentagem da capacidade máxima da porta física
onde é conectado o equipamento de aplicação do usuário,
ou seja, para uma porta de 64 kbits/s, por exemplo,
pode-se adotar um CIR de 32 kbits/s (50%) a ser configurado
para o VC.
Desta forma, tanto os equipamentos
de usuário como os equipamentos de rede passam a ativar
o bit DE toda vez que um frame a ser enviado ultrapasse
o CIR configurado para o respectivo VC. Isto implica
que, em caso de congestionamento, os frames que possuem
o bit DE ativado são preferencialmente descartados
para tentar normalizar o carregamento da rede.
Quando o descarte de frames com
o bit DE ativado não é suficiente para acabar com
o congestionamento da rede, qualquer tipo de frame
é descartado, independente do estado do bit DE.
Estado das Conexões
Este tipo de sinalização define como
os equipamentos de usuário e os equipamentos da rede
Frame Relay podem comunicar o status das portas e dos
vários VC's configurados para cada porta. São utilizados
alguns frames especiais com DLCI's específicos que são
trocados entre a rede e as aplicações de usuário.
Esses frames monitoram o estado da
conexão e fornecem as seguintes informações:
- Estado ativo ou não da interface
ou porta;
- Os DLCI's válidos definidos para
uma determinada porta ou interface;
- O estado de cada VC, como por
exemplo se ele está congestionado ou não.
Vale ressaltar que, como esta sinalização
é opcional no atendimento ao padrão Frame Relay, nem
todos os equipamentos, seja de rede ou de usuário, possuem
este tipo de funcionalidade implementada.
Sinalização SVC
A sinalização SVC trata apenas do
estabelecimento e controle de um determinado SVC, de
forma automática na rede. Diferente dos 2 tipos de sinalização
anteriores, onde o resultado da sinalização é informado
aos operadores da rede Frame Relay, a sinalização SVC
não informa qual o estado atual da rede. Ela é apenas
um procedimento para estabelecer um SVC de acordo com
a demanda de uma determinada aplicação de usuário.
O padrão Frames Relay define as mensagens
e os procedimentos necessários para ativar um SVC. Basicamente
a rede avisa o destinatário que existe uma demanda para
estabelecer uma conexão, e ele deve decidir de aceita
ou não. Se for aceita, a rede configura o SVC na rede
entre a origem da demanda e o destinatário. Assim que
o SVC estiver ativo, os equipamentos de aplicação da
origem e do destino podem iniciar a transferência de
informações.
Quando os equipamentos de aplicação
não necessitarem mais da conexão, qualquer um ou ambos
avisam a rede, que por sua vez desativa o SVC. Durante
o período em que o SVC está ativo, informações de tempo
de duração e banda, entre outras, são armazenadas para
uso dos sistemas de cobrança.
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