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Introdução
O Histórico do Setor de Telecom e a Privatização
Telefonia Móvel e a Terceirização no Setor de Telecom
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Seção: Tutoriais Infraestrutura

 

Gestão de Projetos I: Telefonia Móvel e a Terceirização no Setor de Telecom

 

Telefonia Móvel no Brasil, o Grande Boom das Empreiteiras

 

A implantação de quase toda infraestrutura necessária para o atendimento do mercado aconteceu após a abertura do mercado, isso pôde ser viável, pois o custo de operação e instalação é mais baixo comparado à telefonia fixa, que controla milhões de pontos de conexão, enquanto na telefonia móvel, as operadoras necessitam apenas de algumas centenas de estações de rádio base (Mocelin, 2006, p.87).

 

A telefonia móvel no Brasil começou a ser comercializada no Rio de Janeiro no começo da década de 1990, com uma capacidade de apenas dez mil terminais e 30 ERB’s (MIRANDA NETO, 2008, p.68). Hoje em dia, pouco mais de duas décadas depois, dados do último relatório anual da Anatel disponível para download apontam que o ano de 2012 contabilizou mais de 260 milhões de acessos para Telefonia Móvel (Anatel, 2014, s.p.). Acesso, segundo o Aranha, Lima e Quelho (2013), compreende todo meio físico e lógico pelos quais o usuário atinge a conexão com o restante da rede, o que popularmente é chamado de linha telefônica.

 

O crescimento exponencial ocorrido após a privatização de 1998 gerou competição às principais fatias do mercado pelas operadoras, vislumbradas com um país gigante, com grande população economicamente ativa, inseridos em uma economia em desenvolvimento e ansiosos por novas tecnologias que mudaram ao as relações sociais ao redor do planeta. Negrão (2007, p.18) contribui explicando as estratégias das empresas em busca de consolidação no mercado de telefonia móvel:

 

Os celulares de terceira geração são concebidos para operar em âmbito global. Para obter bons resultados na exploração desses serviços, inserção em novos mercados e ganhos de escala e escopo num mercado bastante competitivo, as empresas realizam fusões, parcerias e aquisições (Negrão,2007, p.18).

 

Houve também uma corrida de empreiteiras em busca do novo mercado que emergiu (Mocelin, 2005, p.4), surgiram diversas terceirizadas da área de Engenharia, especializadas em implantação e integração da rede, principalmente na construção de Estações Rádio Base (ERB’s). A estação Rádio Base é a estrutura física da rede responsável pela conexão do usuário com a rede, envolve muitas vezes a construção da torre e instalação das antenas de rádio frequência.

 

Tabela 3: Estações Rádio Base (ERB's) Licenciadas até dez/2002

Região

Total

Participação (%)

I

7836

51,59

II

3496

23,01

III

3855

25,38

Total

15187

100

Fonte: Anatel (base de dados)

 

Em contrapartida, como mostra a tabela 4, em pouco mais de doze anos foram licenciadas mais de cinquenta mil ERB’s no Brasil.

 

O crescimento se faz justificável simplesmente porque diferente da telefonia fixa, praticamente não havia infraestrutura na rede da telefonia móvel, praticamente não havia nenhuma ERB dedicada à telefonia móvel. Sendo assim para garantir cobertura de sinal e garantir presença no mercado, as recém instaladas operadoras se viram obrigadas a investir em infraestrutura de rede:

 

A Telemar, que havia ficado em posição distante dos grandes centros de consumo, investiu em torno de R$ 14 bilhões durante os três primeiros anos para antecipar as metas da Anatel, e adquiriu a licença para prestar serviços de telefonia celular na Região I (LARIOS, apud: MIRANDA NETO, 2008,p.94).

 

Tabela 4: Estações Rádio Base Licenciadas até jun/2014

OPERADORA

QTDE ERB’s

Algar Celular S.A.

571

Claro S.A.

14597

Nextel Telecomunicações Ltda.

5678

Oi Móvel S.A.

4262

Sercomtel Celular S.A.

50

Telefônica Brasil S.A.

15433

TIM Celular S.A.

15420

TNL PCS S.A.

10761

Total

66772

Fonte: Anatel (base de dados)

 

Além disso, as operadoras são obrigadas por lei a expandir suas áreas de cobertura, regiões geográficas afastadas dos grandes centros urbanos não possuem visibilidade para as operadoras de celular, o custo de implantação e manutenção da rede por muitas vezes não superam as receitas com a venda de poucas linhas e poucas ligações partindo desses locais longínquos, segundo Miranda Neto (2008, p.97):

 

A Anatel, como a agência responsável em manter a justa competição entre as empresas e tornar os serviços equitativos no território nacional, conseguiu, de fato, fazer com que a telefonia celular se difundisse por todas as regiões do Brasil. Porém, seu papel foi omisso no que diz respeito à excessiva concentração das operadoras, excluindo inúmeras localidades em favor de uma melhor qualidade em poucos centros.

 

É notório também o fato de o modo de consumo se modificou assim como as relações sociais virtuais se intensificaram nas últimas décadas em todas as partes do mundo orientadas por questões tecnológicas, econômicas e culturais (Mocelin, 2006, p.87). Com isso a telefonia móvel ganha a cada ano mais espaço do que a tradicional telefonia fixa, como demonstra a evolução quantitativa da telefonia móvel no gráfico 1.

 

Gráfico 1: Evolução de acessos instalados - telefonia fixa/celular - Brasil, 1990-2006

Fonte: Anatel. (apud: Mocelin, 2007, p.10)

 

A terceirização no setor de telecomunicações

 

No âmbito da administração, a terceirização é uma excelente forma de tornar a empresa mais eficiente, com redução de custos. Porém, o processo de terceirização só se torna plenamente satisfatório quando firmado com parcerias conscientes e planejamento adequado. Caso contrário, a utilização indevida da terceirização pelas empresas pode acarretar em sérios problemas jurídicos, notadamente no campo trabalhista (Mello, 2010, p. 16).

 

Em relação aos motivos históricos que conduziram as terceirizações em telecomunicações, Mocelin (2006, p.155) contribui afirmando que os processos de privatizações no setor motivaram um grande número de terceirizações e reestruturou o mercado e condicionou novos paradigmas nas relações trabalhistas e condições de emprego, no qual as demissões foram comuns.

 

Com relação às justificativas competitivas no mercado de telecomunicações, Negrão (2007, p.22) contribui afirmando que parcerias, fusões e aquisições dentro de um contexto do processo de globalização fazem-se necessárias em busca da obtenção de bons resultados. Nesse cenário, as terceirizações como forma de gestão vêm para contribuir na adaptação das empresas de telecomunicações, deixando-as mais enxutas, focadas em sua atividade central, deixando para empresas parceiras atividades de produção não vinculadas diretamente ao negócio principal.

 

As empreiteiras, que foram formadas para executar atividades de manutenção e instalação, também passaram a assumir outras responsabilidades, o que favoreceu a constituição de empresas ainda mais complexas. Essa maior abrangência da terceirização implica em transformações nas relações que se estabelecem no âmbito da rede de empresas, principalmente entre operadora e empresa terceira (Mocelin, 2005, p.16).

 

Após a consolidação do mercado de telefonia móvel no Brasil, as operadoras consolidaram no território infraestrutura demandadas pelo mercado o que proporcionou o surgimento de diversas construtoras especializadas no mercado de telecomunicações e especialmente em empreitadas para construção de Estações Rádio Base (ERB’s). Os processos de aquisição para infraestrutura também se adaptaram nas últimas décadas. Antes da abertura do mercado, os processos de compras eram quase que exclusivamente por meio de Licitações, amparadas por lei para empresas estatais.