Seção: Tutoriais Rádio e TV
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Após a revisão bibliográfica feita no tutorial parte I, inicia-se o desenvolvimento do projeto e análise dos problemas envolvidos neste plano de engenharia. Esta seção trata das aplicações dos conhecimentos teóricos e técnicos adquiridos, que possibilitam analisar as soluções de transição de analógico para digital dos sistemas de edição, exibição e arquivamento.
Sistemas Integrados de Edição Não-Linear
Este tópico objetiva mostrar uma visão geral, do que consiste um sistema integrado de edição não linear, como são formados, quais os impactos para a emissora de televisão e os fatores preponderantes na determinação de um projeto deste sistema.
As operações jornalísticas estão no escopo da maior parte das emissoras de TV, e por isso elas são bastante conhecidas na área de rádio e televisão. A introdução de sistemas não lineares traz uma ótima resposta aos problemas relacionados à edição de notícias e em seu bojo revelam outros novos conceitos, como soluções de velhas limitações e novos problemas também.
Sistemas lineares são aqueles formados no esquema máquina-a-máquina criando um conjunto de ilhas. Neste sistema é possível trocar materiais entre as diferentes ilhas através de troca de fitas de vídeo ou por roteamento de vídeo e áudio em banda base. Este transporte acarreta em um tempo extra para o conjunto das operações, além dos custos fixos e variáveis deste transporte. Para criar simultaneamente vários subprodutos da informação original a mesma informação deve ser copiada várias vezes em diferentes fitas para distribuí-las em diferentes ilhas. Se assim não for, o uso de vídeo e áudio em banda base nos lançará no tedioso e impreciso mundo das cópias em tempo real, quase sempre sem uma cópia precisa de timecode e de perdas de qualidade por múltiplas gerações.
Sistemas integrados não lineares vieram para derrubar estas limitações técnicas. Os sistemas de edição não linear ou baseado em computadores são assim chamados por gravar o seu material em discos ou memória eletrônica, que são efetivamente dispositivos não lineares, isto é podem dar saltos de uma imagem para outra, na ordem que o editor quiser e a qualquer momento.
Caso se deseje sistemas integrados, devem-se discutir as maneiras possíveis de integrá-las e em que nível esta integração deverá ser executada. O projeto e a implementação de um sistema devem considerar o uso para o qual ele se propõe como o fator humano, o fluxo de trabalho, as ferramentas do software de edição, o número de estações de edição, o formato de gravação, a arquitetura do servidor, o grau de redundância e o de integração com outras aplicações tais como arquivamento, gerenciamento de mídia e automação de redação e de exibição.
Uma boa prática é definir previamente o intuito do projeto, isto é saber exatamente o que se pretende fazer com o sistema a ser implantado. A colaboração dos envolvidos é fundamental para que o projeto seja encampado por todos. Quanto mais cedo os interessados estiverem engajados, mais rápido será o sucesso do projeto. A montagem de grupos de trabalho em que venham a ser discutidos os pontos importantes do projeto e que tragam à liderança do projeto os seus questionamentos e anseios, sem dúvida trará muito mais fluidez ao processo de implantação e operação do sistema.
Nem sempre é possível realizar todo o projeto em uma única etapa, assim a segmentação do projeto total em fases pode ser uma resposta. A segurança para se dar o próximo passo para uma próxima fase se obtém com a modelagem e o uso de um piloto. Este piloto ajuda a identificar as dificuldades e encontrar as soluções, antes que o caos e as dificuldades se instalem. As pessoas precisam de certo tempo para se ajustar ao novo ambiente e este passo intermediário do piloto auxilia também no preparo dos funcionários envolvidos no processo.
Em sistemas lineares, VTR’s internos à emissora e camcorders que estão em uso nas externas devem preferencialmente ter o mesmo formato daqueles que estão sendo usados para a edição e exibição, além do arquivo de imagens. Desta forma, a troca de um dado formato de gravação representa, quase que totalmente, numa migração para um diferente mundo, com as usuais despesas ou custos de treinamento de pessoal técnico e operacional, peças de manutenção novas e obsolescência das velhas, compra de novas fitas, custos relativos a uma interminável avalanche de cópias inter-formatos, horas de trabalho e retrabalho, etc. Por isso, que cada vez que um grande fabricante introduz um novo formato, todo mundo treme na base, porque isto representa um possível impacto, além dos custos para a acomodação a esta nova situação.
O uso de servidores de vídeo associados aos sistemas de edição não linear coloca uma camada de proteção sobre este problema. O investimento para a troca de um formato se torna muito menor e menos traumático para todos. Se existe um sistema baseado em processos não lineares, a edição, a exibição e o arquivamento ficam independentes dos formatos de captação. Claro que o formato de gravação deve ser considerado no sistema não linear, porém a sua escolha e posterior alteração não criarão um grande impacto, já que os tradicionais fornecedores apresentam caminho de migração entre eles e até mesmo apresentam sistemas híbridos em que se pode fazer a mudança de configuração em uma única estação ou em todo o sistema.
Caso seja necessário transcrever um arquivo de um formato em outro, este processo pode ser executado por hardware ou mesmo por software. Uma vez que este processo é interno ao equipamento, as perdas de qualidade são mínimas e o tempo de processamento dependerá da capacidade da estação. Em sistemas de edição não-linear os computadores se comunicam por uma rede de dados, e não por fitas. Para isso, a rede de dados é fundamental para o uso eficiente de sistemas não lineares. Neste ambiente de telejornalismo ela tem que ser uma rede de dados bastante eficiente boa para tráfego de grandes arquivos, como os de vídeo, por isso nestas redes com tecnologia Gigabit são utilizadas e, em alguns projetos até o uso de fibras ópticas aparecem.
Os sistemas modernos de edição de jornalismo otimizam seus software e hardware para cada uma das atividades envolvidas no processo. Ingestão, edição e exibição são as atividades que serão executadas para a recepção, produção e apresentação do material.
Ingestão se refere ao processo de recepção e gravação de material de contribuição vindo de fonte externa, podendo ser derivado de fonte de satélite, cabo, Internet ou microondas, além de um aparelho de videoteipe alocado para a função de reproduzir material pré-gravado. Edição é o processo de seleção, segmentação, modificação e ordenação de materiais já previamente ingeridos ou que são ingeridos diretamente na estação de edição, gerados por um aparelho de videoteipe alocado para esta função. O material depois de editado será exibido. Por exibição, se entende o processo de reprodução organizada no ar ou para a geração para outra estação, para fins de contribuição.
Na atividade de ingestão, o material pode ser gravado em um procedimento similar ao do tradicional VTR. Desta forma, o operador decide em que momento ele deve gravar e parar a gravação. Esta mesma atividade também poderá ser agendada em uma aplicação da própria estação de ingestão ou pelo sistema de automação de jornalismo. Outra maneira de se ingerir o material é por uma gravação em voltas (loop), ou seja, a estação de ingestão permanece gravando um determinado número de horas, e após este total ser alcançado, o material mais antigo irá sendo apagado, dando espaço para o mais novo. Caso o operador decida que algum segmento de seu loop é necessário, este poderá ser preservado, depois de devidamente marcado pelo operador. Após o material selecionado ser gravado, segmentado e ajustado, ele estará disponível para as outras atividades.
Na estação de edição, o material receberá o refinamento desejado e disponível em sistemas não lineares. O material a ser editado poderá também ser ingerido de um VTR conectado à estação, o que dará ao sistema, como um todo a agilidade necessária para o “hardnews”. O uso dos VTR’s com possibilidade de fazer captura acima de tempo real, cria uma facilidade que deverá ser analisada se ela será realmente utilizada ou não, uma vez que o material gravado no VTR não pode ser plenamente revisado durante o processo de captura para a estação não linear.
A exibição é uma operação simples que pode ser executada pelo operador diretamente na estação de edição ou automatizada pela automação de jornalismo. O sistema de edição deverá preferencialmente estar integrado ao sistema de automação de jornalismo corrente da emissora. A integração potencializa o agendamento de ingestão em horários pré-determinados de fontes pré-determinadas, garantindo a gravação do material sem riscos. As matérias a serem editadas já terão os nomes iguais ao do arquivo de texto, evitando a perda de tempo de encontrar o texto certo com a imagem certa. Além do mais, como o software de edição pode capturar o texto já escrito no sistema de automação de jornalismo, o editor de imagens pode ter uma idéia de quanto tempo o locutor levará para ler o texto inteiro ou uma parte dele, proporcionando melhor sincronismo entre voz e imagem.
A exibição de matérias se torna muito mais simples com a automação controlando a exibição não linear. O texto associado ao servidor de exibição, gerador de caracteres, still store (equipamentos de captura de frames) e outros possíveis equipamentos, dão a segurança de que se alguma alteração for feita no espelho do jornal, os equipamentos a acompanharão. Como a possibilidade de se integrar sistema de automação de jornalismo, edição não linear de jornalismo e exibição de programação, os sistemas tendem a se tornar mais enxutos, uma vez que um equipamento pode assumir diferentes funções, tal como servidor de programação e jornalismo no mesmo equipamento.
Os processos de redação e edição de imagens de jornalismo sempre trouxeram seu inseparável custo de produção. Hoje se prega que a realização de uma atividade deva gerar recursos que a sustentem. Então, se o jornalismo é fundamental na grade de uma emissora, é sempre bom rever os custos, os processos e a eficiência.
Não dá mais para se pensar num processo desordenado de implementação e operação de jornalismo, porque o poço pode ficar muito fundo. Sistema de edição não linear para jornalismo é uma ferramenta que potencializa e otimiza os recursos de uma emissora. Reduzindo os riscos de adoção ou mudança de formato de gravação para captação, eliminando a necessidade de múltiplas cópias de um mesmo material para a edição de diferentes versões, eliminando retrabalho de catalogação e seleção, agilizando a ingestão, edição e exibição com um nível superior de segurança, além de poder ser integrado a sistemas de gerenciamento de mídia, arquivamento e automação de exibição, podemos concluir que estes sistemas de edição para jornalismo viabilizam operações mais eficientes, com redução de custos, para a operação em um ambiente mais seguro e criativo.
A figura 1 exemplifica uma arquitetura básica de um sistema de edição não linear, em que existe a integração entre as diversas operações jornalísticas como, a ingestão, edição, exibição e arquivamento com os demais setores de um sistema televisivo como controle e transmissão permitindo um fluxo de dados totalmente digitalizado. Pode-se observar na arquitetura os elementos das etapas do fluxo de trabalho, na primeira etapa, a ingestão, as fontes provenientes de satélite, internet ou VTR’ conectados ao servidor de ingestão. A segunda etapa, a edição, conta com as estações de edição, cada estação possui armazenamento local e todas estão interligadas com a central de armazenamento. A terceira etapa, exibição, com os usuários de automação de jornalismo realizando o controle de exibição dos servidores de exibição (principal e redundante), esta fase envia os sinais ao transmissor. E a quarta etapa, a de arquivamento, que consiste no armazenamento das matérias já exibidas ou também a serem exibidas, composto por um servidor de arquivo gerenciável.
Figura 1: Esquema simplificado do Sistema Integrado de Edição não-linear
Solução Floripa – Newsware
Este tópico apresenta as principais características técnicas da solução Floripa Tecnologia, fabricante situado na cidade de Florianópolis - SC. Esta solução preza pela segurança e agilidade do sistema de edição e exibição para jornalismo. Apresenta as características de ser integrado e de alta confiabilidade, o Newsware integra as melhores e mais rápidas ilhas de edição do mercado (Grass Valley Edius, Avid Liquid Edition, Adobe Premiere CS, etc.) aos servidores Newsware de missão crítica, através de tecnologias SAN, NAS ou iSCSI. Além de trabalhar com material SDTV, o sistema já suporta HDTV, na edição, exibição e arquivamento [8]. A figura 2 mostra a disposição dos equipamentos da solução deste sistema.
Figura 2: Solução Floripa: NEWSWARE
A edição segue as tendências do mercado mundial, que exige sistemas cada vez mais ágeis e com efeitos em tempo real, o Newsware integra sofisticadas estações de edição não linear, de fácil operação, confiáveis e que possuem interface intuitiva. Seu sistema multiformato suporta: MJPEG, DV, DV50, MPEG-2, iMAX, MXF, bem como transferências em formato nativo e acelerado [8].
O Newsware possibilita total integração entre os sistemas de laudas jornalísticas, arquivamento e gerenciamento de recursos, com os principais departamentos da emissora: edição, exibição, arte, áudio, pós-produção, máster, opec, etc. Estações de edição não linear de alta performance e vídeo servidores com sistema de automação integram-se, de forma transparente e segura através de tecnologias SAN, NAS e iSCSI. Podem ser aplicadas redundâncias de armazenamentos e servidores quando necessário. Esta integração proporciona a digitalização do jornalismo, substituindo as antigas ilhas de edição linear em VT's por ilhas de edição não linear mais ágeis, eliminando o tráfego de fitas entre a edição e a exibição do jornal [8].
Estas tecnologias de redes são diferenciais nas questões de armazenamento, porque apresentam parâmetros técnicos, na qual o propósito principal é a transferência de dados entre computadores e dispositivos de armazenamento mais eficientes. Um SAN (Storage Area Network) consiste numa infra-estrutura de comunicação que provê conexões físicas com uma camada de gerenciamento, que organiza as conexões, os dispositivos de armazenamento e os computadores, tornando a transferência de dados robusta e segura. Este sistema de armazenamento é formado por dispositivos de armazenamento, computadores e/ou aplicações, e todo um controle via software, comunicando-se através de uma rede de computadores.
O NAS (Network-Attached Storage) é um dispositivo dedicado ao armazenamento de arquivos dentro de uma rede, provendo acesso heterogêneo aos dados para os clientes desta rede. O NAS disponibiliza armazenamento e sistema de arquivos, contrastando com o SAN, que só realiza armazenamento e deixa ao cliente a tarefa de lidar com o sistema de arquivos. A principal distinção entre os dois sistemas de armazenamento é que o NAS fornece protocolos de arquivo, e o SAN protocolos de camada. Raramente vê-se o sistema SAN sendo utilizado fora de grandes redes de computadores.
O iSCSI (Internet Small Computer System Interface) é uma forma de ligar dispositivos de armazenamento numa rede utilizando o TCP/IP. Pode ser utilizado numa LAN (rede local), numa WAN (rede alargada) ou na Internet. Os dispositivos iSCSI são discos, cassetes, CDs e outros dispositivos de armazenamento em outro computador de rede ao qual pode ligar. Por vezes, estes dispositivos de armazenamento fazem parte de uma rede designada por SAN (rede de armazenamento). Na relação entre o computador e o dispositivo de armazenamento, o computador é designado por iniciador, uma vez que inicia a ligação ao dispositivo, que é designado por destino.
A solução apresenta um servidor de vídeo de missão crítica para exibição de matérias, vinhetas, chamadas, programas e comerciais. Automatiza e integra as ilhas de edição, possibilitando o fechamento de matérias diretamente no servidor de exibição, e com atualização automática do banco de dados. O Newsware Server permite a automação de VT's, mesas, comutadores e pode ser operado por um painel de controle dedicado para as principais funções do servidor. Possui diversas ferramentas de controle e gerenciamento, permitindo a monitoração com informações de horário previsto, estouro, buraco, tempo de bloco e regressiva das matérias em exibição. Promove a atualização do roteiro automaticamente, de acordo com o sistema de laudas jornalísticas, ou manualmente, ao vivo, até no último instante. É compatível com todos os formatos de VT’s do mercado e possui suporte aos principais padrões de interconexão, permitindo alterações via operação local ou remota [8].
Proporciona um ambiente de trabalho unificado, uma vez que os editores podem compartilhar matérias e projetos de forma transparente, sem a necessidade de cópias de arquivos e recapturas. O material pode ser capturado e digitalizado em qualquer estação de edição e estará imediatamente disponível em todas as estações. A matéria finalizada é cadastrada no banco de dados do servidor pela própria estação e fica disponível para a exibição [8].
A evolução tecnológica dos equipamentos para broadcast está cada vez mais veloz e a substituição do domínio analógico pelo digital já é uma realidade. A arquitetura aberta dos sistemas Newsware permite a sua expansão posterior do sistema e a integração com todos os padrões tecnológicos atuais e futuros. Com o Newsware, a emissora poderá incorporar novas tecnologias, sem a necessidade de substituir o sistema, preservando o investimento [8].
Possibilita absoluta segurança na edição e exibição jornalística, garantindo o perfeito funcionamento em qualquer situação, através de redundância de dados, conexões, armazenamento, vídeo servidores e ilhas de edição. Todas as estações de edição não linear, além de compartilhar um armazenamento central, possuem também um armazenamento local. Isto garante a exibição das matérias tanto pelo servidor, quanto pelas ilhas diretamente [8].
A ingestão pode ser feita através de fitas analógicas, digitais e formatos de captação sem fita como HD’s removíveis, discos ópticos, cartões de memória, entre outros, permitindo um fluxo de trabalho totalmente digitalizado dentro da emissora [8].
Existem três tipos de arquivo online que consiste da utilização de servidores de armazenamento, por exemplo, da tecnologia RAID (Redundant Array Independent Discs), o offline no uso de fitas, cd’s, dvd’s, cartões de memória e ainda o nearline através de mecanismos robotizados. A utilização destes sistemas, Online, nearline, offline ou qualquer combinação destes formatos, são requisitadas de acordo com as necessidades do cliente. Pode ser também manual ou robotizado e utilizar software para catalogação e consulta do conteúdo arquivado [8].
A figura 3 mostra fotos da aplicação do sistema Newsware aplicado na empresa de televisão EPTV, emissora afiliada da Rede Globo no interior do Estado de São Paulo e Sul de Minas Gerais. As duas fotos de cima mostram o controle de exibição (esquerda) e o controle de produção ou suíte (direita). A duas de baixo, mostram os profissionais da edição operando sobre as ilhas de edição não-linear.
Figura 3: Sistema Newsware da EPTV - NEWSWARE
Solução Sony – Network Solution
Com o objetivo de apresentar uma solução completa que venha a preencher as necessidades do mercado local, a Sony Brasil desenvolveu um sistema não linear baseado no formato DVCAM nativo, usando a última palavra em tecnologia de rede Ethernet, bem como seus produtos da linha de IT e que proporcionam uma integração completa desde a captação, passando pela edição e pós produção ate o arquivo do material [9].
Toda a infra-estrutura baseada em produtos da linha DVCAM e também da linha IT da Sony empregados neste sistema, proporcionam o tráfego de arquivos de áudio e vídeo no formato 25 Mbit/s em alta velocidade, via rede Gigabit Ethernet, usando cabos de par trançado de baixo custo, sem qualquer tipo de recompressão ou degradação da qualidade original do material. Além disto, o sistema apresenta uma alta expansibilidade, facilidade operacional, bem como uma arquitetura totalmente aberta, compatível com vários tipos de arquivos de áudio e vídeo usados por outros sistemas não lineares e, adicionando-se a isto, os benefícios da facilidade de compartilhamento de arquivos entre os periféricos conectados na rede [9].
Esta solução buscou a melhor relação custo benefício aliada às tecnologias emergentes e de ultima geração para chegar finalmente com uma solução que atenda os seus clientes na sua totalidade, principalmente na questão operacional de todo o processo produtivo de uma emissora de TV, sem que para isto seja necessário um alto investimento [9].
Componentes do Sistema - Hardware
Este tópico descreve os componentes da solução. O elemento mais importante do sistema é o servidor, pois devem suprir todas as necessidades do fluxo de trabalho. Este equipamento apresenta-se com as seguintes características técnicas:
Cada vez mais, o formato DVCAM torna-se um padrão adotado por emissoras de televisão em todo o mundo, principalmente em operações de jornalismo. Tendo em vista este fato, a Sony Brasil adotou este formato como base para o desenvolvimento do DVServer. Desta maneira, todo o material é armazenado dentro do servidor usando o mesmo formato DVCAM @25Mbits/s, na forma de arquivos *.DV. Adotando-se este formato de arquivos, obtém-se um desempenho para transferência dos mesmos em até 4 vezes mais rápido do que o tempo normal de duração do material, sem nenhuma degradação do sinal original. Outro fator importante na determinação do formato nativo adotado consiste na questão de se obter uma excelente qualidade, com uma taxa de bits (bit rate) moderada e que permita obter uma boa relação custo benefício no processo de arquivamento do material [9].
Como formato usado para arquivamento, foi escolhido um sistema nearline formado por uma casseteira robotizada (Robotic Tape Library) com AIT-3 (Advanced Intelligent Tape), desenvolvidos pela Sony. Este vem a ser um padrão mundial adotado por grandes empresas do mercado IT para armazenamento de dados com alta performance de transferência, alta capacidade, alta confiabilidade e que fornece atualmente a melhor relação custo beneficio em GB/$ do mercado. Todo o controle da casseteira robotizada é feito através de um software HSM (Hierarchical Storage Manager), que automaticamente gerencia a quantidade de espaço disponível nas unidades de disco (disk unit) do servidor, de maneira que, quando se atingir um determinado nível de espaço ocupado nestas unidades, o sistema automaticamente transfere, em alta velocidade, o material armazenado nas unidades de disco para as fitas AIT-3 [9].
Desta maneira, fica garantido o fácil gerenciamento de grandes capacidades de armazenamento (Terabytes), sem necessidade de intervenções do operador, pois o software HSM se encarrega desta parte [9].
Com relação à redundância do sistema, podemos citar a empregada nas unidades de disco com RAID 0,1,3 ou 5, fontes de alimentação duplicadas e também o software de backup possibilitando que todos os dados sejam duplicados automaticamente, como cópia de segurança, no formato AIT-3. Somando-se a isto, existe a opção de um espelhamento completo de todo o servidor e roteamento da rede Ethernet, garantindo assim, uma disponibilidade total, no caso de falhas, em operações 24/7 [9].
A figura 4 mostra o equipamento DVserver, que apresenta elevada importância para o sistema.
Figura 4: Servidor de arquivos, DVServer
As unidades de entrada e saída são os módulos que possibilitam a interface do servidor com os sinais de áudio e vídeo. Neles estão incorporados os softwares de exibição (playout), edição simples ou corte simples (cut), captura ao vivo (ingest), captura assistida controlando um videoteipe ou unidade de disco, catalogação e resgate de matérias. As interfaces de vídeo composto, Y/C e Firewire estão disponíveis, sendo que as interfaces SDI e vídeo componente são opcionais. Múltiplos módulos podem estar conectados ao servidor possibilitando assim, múltiplas operações simultâneas de entrada e saída de áudio e vídeo [9].
As matérias editadas nas ilhas e transferidas em alta velocidade para o DVServer, podem ser acessadas por estes módulos e usadas em uma lista de reprodução (playlist) para exibição. Todo o material capturado através das entradas de vídeo e áudio nestes módulos é armazenado diretamente no DVServer via rede Ethernet, possibilitando o múltiplo acesso, edição ou pós produção do material. Estes módulos permitem que a catalogação do material que será arquivado seja feita diretamente no servidor, onde serão criados metadados (dados sobre outros dados), miniaturas (thumbnails,versões reduzidas de imagens, usadas para tornar mais fácil o processo de procurá-las e reconhecê-las), além de uma versão em baixa resolução deste material, para posterior busca, análise e resgate. Desta maneira, não se faz necessário retornar o material exibido para a fita de vídeo de modo que o mesmo possa ser arquivado, o ponto mais importante deste projeto [9].
Para busca e consulta de matérias no arquivo, serão usadas ferramentas de busca onde estarão disponíveis, além dos metadados e ícones, uma pré-visualização (preview) do material em baixa resolução, permitindo assim, uma facilidade na seleção e resgate parcial de matérias arquivadas. Estas matérias resgatadas poderão ser novamente editadas, exibidas ou até mesmo convertidas para qualquer outro formato de vídeo avi, mov, mpeg2, ou streaming [9]. A tecnologia stream ou streaming é bastante utilizada atualmente na internet, ela permite ver arquivos vídeos sendo armazenados em buffers, à medida que o usuário visualiza. Nestes equipamentos também estão disponíveis fontes de alimentação redundantes, com a finalidade de proporcionar a disponibilidade do mesmo. A figura 5 mostra um módulo de entrada e saída.
Figura 5: Unidade de entrada e saída
As ilhas de edição não linear, baseadas na plataforma Vaio, com o software de edição não linear já na sua versão 4.0 pode-se editar diretamente da fita para o disco, o que torna estes editores um dos mais ágeis disponíveis no mercado, principalmente para edição de matérias de jornalismo “Hardnews”. Através de uma conexão Gigabit Ethernet, disponível como opcional para a versão desktop, é possível transferir uma matéria editada em até 4 vezes mais rápido do que o tempo normal de duração da mesma [9].
Disponíveis nas versões laptop e desktop, as múltiplas interfaces Firewire possibilitam conectar além dos periféricos de áudio e vídeo convencionais tais como videoteipe e camcorders DVCAM, a unidade de disco DSR-DU1 recentemente lançada pela Sony e desta maneira se obter um acesso mais rápido ao material gravado na externa. Além destes periféricos, podem ser conectados também, vários discos externos firewire de alta performance e baixo custo, possibilitando assim, uma grande flexibilidade no aumento da capacidade de armazenamento local [9].
Além de poderosas ferramentas de edição, os softwares que acompanham o sistema permitem uma pós produção e finalização de matérias mais elaboradas adicionando-se efeitos de composição multicamadas, 2D, 3D, gerador de caracteres, etc. Todos os efeitos são efetuados no modo background rendering. Neste modo, o material já pode ser reproduzido depois da aplicação dos efeitos, diferentemente de outros programas em que a renderização do arquivo não é feita neste ponto, ocorre somente uma renderização mais simples e de baixa qualidade a fim de permitir a visualização de cada efeito ou transição acrescentada. Neste tipo de programa, será necessário renderizar antes todos os efeitos e transições para que seja possível então fazer a gravação descrita acima. Deste modo, o processo de pós-produção torna-se mais produtivo. Na versão desktop estão disponíveis dois drivers, sendo um dele leitor de CD e o outro gravador de CD e DVD, tornando-se possível gravar as matérias em DVD usando o software de autoração já incluído no sistema [9].
A figura 6 mostra as estações de edição, tanto na versão laptop (esquerda) quanto desktop (direita).
Figura 6: Estações de edição não linear.
Em sua terceira geração, o formato AIT (Advanced Intelligent Tape) desenvolvido pela SONY, utiliza a última palavra em tecnologia de armazenamento de dados. Desenvolvido principalmente para aplicações de backup onde os pré-requisitos são a alta capacidade de armazenamento, taxa de transferência e confiabilidade, o formato AIT-3 lançado em dezembro de 2001, já se tornou o formato com maior durabilidade bem como a melhor relação custo benefício em GB/US$ (Gigabytes por Dólar), disponível no mercado atual [9].
Toda a tecnologia empregada nos drives AIT-3, baseada em anos de experiência da SONY no desenvolvimento de formatos de gravação óptico e magnético, também foi incorporada no desenvolvimento de casseteiras robotizadas, que apresentam como características principais a alta confiabilidade, o rápido acesso aos dados armazenados e a fácil expansão de capacidade [9].
Com a alta durabilidade das fitas AIT, aproximadamente 30 anos e seu preço convidativo, o sistema de arquivamento baseado em casseteiras robotizadas representa longevidade, menor custo e maior acessibilidade comparados as atuais formas de arquivamento em fitas de vídeo [9]. A figura 7 mostra a casseteira robotizada.
Figura 7: Casseteira robotizada
O switch é o módulo responsável por todo o tráfego de dados no sistema. Usando a última palavra em tecnologia de rede Gigabit Ethernet baseado no chaveamento em camadas 2/3, obtém-se a alta performance necessária ao múltiplo tráfego de áudio e vídeo. Todas as interligações entre os módulos do sistema podem ser feitas usando cabos de par trançado CAT-5 (até 100 metros) ou fibra ótica (até 2 km) dependendo do modelo do switch utilizado. A redundância das interligações de rede pode ser obtida através da duplicação deste módulo, e suas respectivas conexões. As fontes de alimentação redundantes para estes módulos, disponíveis como opcional, também garantem uma maior confiabilidade para o sistema [9].
A figura 8 exemplifica um switch Gigabit, gerenciável, com 48 portas.
Figura 8: Switch Gigabit
Componentes do Sistema - Software
Esta seção descreve os softwares instalados no sistema, que permite o fluxo operacional automatizado. Os programas estão enumerados a seguir:
1) Playout Manager
Aplicativo dedicado ao gerenciamento de exibição de matérias, que permite criar listas de exibição com o material disponível no servidor diário ou importar listas editadas na lista de reprodução offline. Possui funcionalidades específicas para trabalhar em operação de jornalismo e programação, podendo exibir matérias separadamente ou em blocos. Apresenta vários níveis de salva-guardas, podendo trabalhar com canais redundantes em máquinas separadas, proporcionando assim total segurança no momento da exibição de jornais ou programação diária [9].
2) Ingest Manager
Aplicativo dedicado à captura de sinais de áudio e vídeo diretamente para o servidor diário. A captura pode ser programada ou controlada por um operador. É possível capturar sinais ao vivo, de um VTR, DSR-DR1000A e deck XDCAM. Permite captura batch. Gera automaticamente, em paralelo, versão em baixa resolução, possibilitando assim velocidade operacional e compatibilidade com os aplicativos de manipulação deste proxy [9].
3) Material Explorer
Permite visualizar, pesquisar, apagar, mover e copiar as matérias disponíveis no servidor diário. É possível fazer uma edição simples (corte seco) a partir no proxy das matérias, bem como resgatar matérias da casseteira robotizada. Acessando módulo XDCAM, é possível transferir o proxy do material em alta velocidade para o servidor diário, promovendo velocidade operacional e múltiplos acessos simultâneos ao material [9].
4) Proxy Clip Editor
Aplicativo de edição dedicado aos jornalistas. Edita a partir da versão do material em baixa resolução (proxy) similar à edição em corte seco (máquina-máquina), possibilitando que muito mais jornalistas/editores possam usar o material ao mesmo tempo. Trabalha nos modos storyboard ou timeline. No modo timeline permite edição com canais de áudio independentes, fades e ajustes de nível de áudio. Após o termino da edição a versão em alta resolução é disponibilizada automaticamente no servidor diário [9].
5) Playout Previewer
Aplicativo dedicado à geração. Pode ser usado para geração entre emissoras ou gravação de matéria em alta resolução em VTR, DSR-DR1000A e deck XDCAM. Pode ser usado em conjunto com o aplicativo Playlist Offline criando playlists com marcações de entrada e saída para cada matéria a ser exibida pelo Playout Previewer, possibilitando assim maior flexibilidade e velocidade nas operações descritas [9].
6) Archive Manager
Aplicativo dedicado a catalogar e resgatar matérias no arquivo. São criados todos os metadados, incluindo miniaturas e uma versão da matéria com qualidade para ser trafegada na rede corporativa [9].
7) Robotic Library Manager
Interface que permite gerenciar qualquer casseteira robotizada conectada ao sistema [9].
8) Playlist Offline
Aplicativo dedicado a criar e editar listas de exibição (playlists) em terminais remotos. Promove apoio operacional ao Playout Manager e Playout Previewer [9].
9) Audio Ingest
Aplicativo dedicado à gravação de OFF's (gravação de áudio de um repórter para inserir numa matéria), importação de CDs e outras mídias. Pode ser usado em qualquer computador da rede [9].
10) Material Explorer Web Interface
Permite visualizar conteúdo no servidor diário e assistir às matérias de qualquer computador da rede. Informa o status do arquivamento das matérias, permitindo aos usuários solicitar requisições administrativas tais como: arquivamento e exclusão das matérias [9].
11) Archive Manager Web Interface
Permite acesso à base de dados do arquivo de qualquer computador da rede. Realiza busca por meio de metadados, permite assistir qualquer matéria e visualizar todos os metadados associados à mesma. Permite que usuários possam usar esta interface para fazer requisições para resgate das matérias que estão arquivadas na robótica [9].
12) Sony Media Player
Aplicativo dedicado à visualização do material em alta resolução. Permite a verificação do nível de áudio, bem como visualização do sinal de luminância em tempo real [9].
13) Mmstation
Aplicativo dedicado a monitoramento e manutenção remota da Sony. Compatível com vários protocolos, permite aos usuários monitorarem e registrarem o status dos processos de hardware e software em tempo real via rede. Possibilita o monitoramento de todos os hardwares desenvolvidos pela empresa que possuam conexão de rede, como por exemplo, decks XDCAM, casseteira robotizada e muitos outros. Pode imediatamente identificar o problema e automaticamente notificar a equipe de suporte, possibilitando uma ação pró-ativa ou uma manutenção adequada [9].
Fluxo de Trabalho do Sistema
A figura 9 mostra a interligação dos equipamentos do projeto da Sony, observa-se que a solução forma um sistema integrado de edição não linear, pois aparecem os elementos conforme visto anteriormente.
Figura 9: Fluxo de trabalho do sistema NS
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