Seção: Tutoriais Operação
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Problemática
A aprovação da Lei Geral de Telecomunicações (LGT) em 1997 permitiu ao governo brasileiro reorganizar o sistema de telecomunicações criando a Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL) e elaborar o processo de privatização das empresas que estavam sob controle da holding estatal Telecomunicações Brasileiras S.A. (TELEBRÁS). Carecendo de investimentos e conseqüentemente não acompanhando as transformações nas telecomunicações as estatais passavam por sérios problemas, tanto na oferta de serviços quanto financeiro.
Após o processo privatização, o setor de telecomunicações passou a receber novos investimentos através de aportes de grandes players mundiais. Com o fim do controle estatal, a agência de regulação fixou dois pilares para o novo modelo: a universalização dos serviços de regime público e a competição entre as empresas no novo sistema (AGÊNCIA NACIONAL DE TELECOMUNICAÇÕES, 2008).
Historicamente, a telefonia fixa foi praticamente o único serviço oferecido pelas empresas estatais, a telefonia celular deu seus primeiros passos em 1989 no Rio de Janeiro e a internet passou a ser oferecida comercialmente em 1995 (SIEMENS, 2008). Com o desenvolvimento das tecnologias de transmissão digital e de fibra óptica os serviços de telecomunicações evoluem constantemente possibilitando a oferta de novos produtos. No Brasil, o lançamento do serviço ADSL em 1999 pela Telefônica em São Paulo, abriu o caminho para a oferta de um serviço inovador: internet em alta velocidade. (SIEMENS, 2008).
Um grande mercado está se desenvolvendo no país. A oferta de novos serviços, em especial de internet rápida e telefonia celular, crescem de forma significativa. Até o primeiro trimestre do ano de 2009 havia mais de 10 milhões de conexões banda larga, vis-à-vis 200 mil conexões registradas no final de 2000. O mesmo aconteceu com a telefonia celular que ultrapassou 150 milhões de usuários ao fim de 2008 e agora oferece banda larga desde dezembro do mesmo ano. Neste mesmo caminho seguem as empresas de TV por assinatura (não incluindo empresas de transmissão via satélite) que representavam 23% dos usuários do serviço de banda larga até o primeiro trimestre de 2009 (TELECO, 2009). Mas, em contrapartida, houve um arrefecimento na expansão da telefonia fixa, o número de usuários praticamente manteve-se no mesmo patamar de 2003 (TELEBRASIL, 2009).
Sendo assim, os serviços de telecomunicações passaram a ser explorados por empresas de três grandes setores: telefonia fixa, TV por assinatura e telefonia celular. A rede de telefonia fixa que já foi distinta da rede de dados atualmente integra uma mesma infra-estrutura para oferta de serviços, do mesmo modo as empresas de TV a cabo que ofereciam apenas programação linear e as empresas de telefonia celular ofereciam voz como único serviço. Observando os três setores, pode-se verificar que as empresas estão agregando produtos à sua rede.
A tendência de utilizar uma única infra-estrutura para integração multimídia (dados, áudio, vídeo e texto) é chamada de convergência tecnológica ou convergência digital. Para o setor de TV a cabo esta oferta é regulamentada, já as empresas do setor de telefonia fixa aguardam uma mudança na legislação que atualmente não permite esta convergência.
Para empresas destes setores, a evolução tecnológica está possibilitando novas fontes de receita descaracterizando o modelo primordial que era a oferta de apenas um único serviço. A fim de analisar esta transformação tecnológica, cabe uma pergunta central: quais mudanças ocorreram no setor de telecomunicações brasileiro nos últimos anos?
Objetivos
É objetivo geral deste trabalho analisar a evolução de serviços multimídias nos setores de telecomunicações no Brasil no período de 1998-2008.
Além disso, são objetivos específicos:
Metodologia Adotada
Para o desenvolvimento dos objetivos com clareza e precisão, a investigação dos fenômenos do presente trabalho baseia-se em métodos comparativos (GIL, 1991), analisando os desenvolvimentos tecnológicos num espaço de tempo, e seu impacto sobre a estratégia das empresas e no setor de telecomunicações brasileiro.
A velocidade das transformações tecnológicas afeta diretamente a estratégia de cada empresa e de cada setor. O estudo da concorrência na Economia Industrial em torno das inovações, diferenciação e novos produtos é objeto intrínseco ao atual cenário de telecomunicações brasileiro. Neste sentido, o referencial teórico desenvolvido trata dos conceitos de estratégia, competitividade e transformações tecnológicas elaborados por Michael E. Porter. O trabalho aprofunda ainda o conceito primordial de inovação exposto por Joseph Alois Schumpeter, para enfatizar a importância de um novo produto no mercado.
A aproximação da teoria com a prática através da coleta de dados dos serviços de telecomunicações foi de crucial importância para dar resposta aos objetivos. Utilizou-se dos recursos disponibilizados pela agência de regulação do setor, entidades de classe e empresas. Para caracterização dos novos serviços, que exige uma observação constante do mercado, teve fundamental importância revistas especializadas, o acesso sítios de tecnologia e consultorias, além do próprio conhecimento do autor que atua no mercado de telecomunicações.
Estrutura do trabalho
O tutorial parte I apresentou a introdução e metodologia, além do objetivo geral e específico. A seguir desenvolveu o referencial teórico para o embasamento científico do trabalho, com conceitos de Economia Industrial enfatizando as transformações tecnológicas, competitividade e estratégia. O tutorial finalizou com a análise dos serviços de telecomunicações, partindo da reestruturação do setor após a privatização, passando pela descrição dos principais serviços no Brasil e os números que representam a participação destes no mercado.
Este tutorial parte II inicia aprimorando o conceito dos serviços de telecomunicações, destacando a convergência tecnológica e a importância dos serviços multimídia na oferta de serviços. Destaca ainda a evolução dos serviços no país através de dados da participação de mercado das principais empresas e o crescimento na adesão de novos usuários. O tutorial finaliza com as considerações finais quanto ao objeto de pesquisa do trabalho.
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