Seção: Tutoriais Operação

 

 
Serviços de Telecom II: Considerações finais

 

Os serviços de telecomunicações no Brasil crescem de forma significativa nos últimos anos, nem mesmo a crise externa ou a alta carga tributária do setor afetaram o desempenho, demonstrando a importância dos serviços para a população e empresas. As mídias de comunicação sofrem e realizam transformações, sejam elas tecnológicas ou comportamentais.

 

Novas tecnologias para a telefonia comprometem o modelo tradicional das empresas concessionárias, conforme apresentados os dados de participação de mercado destas. Apesar do sólido crescimento após o processo de privatização, a demanda por este serviço mantevese praticamente estável a partir de 2003 e demonstra queda do a partir de 2007, neste momento torna-se mais relevante a participação de mercado de novos entrantes, as empresas autorizadas. Talvez este não seja o maior ofensor da base de assinantes neste modelo, o serviço voip e telefonia móvel tornaram-se substitutos de grande valor no mercado.

 

O serviço voip que se apóia nas redes de telecomunicações para oferta de telefonia, torna-se cada vez mais popular principalmente no seu modelo gratuito. A própria massificação da internet banda larga, que hoje se tornou um dos principais produtos das operadoras, leva a expansão do serviço voip que conta com milhares de provedores em todo o mundo. Como o modelo depende da qualidade de conexão com a internet e no Brasil, a internet banda larga pode ser considerada recente e o modelo é influenciado pela decisão do consumidor no que tange custo/benefício.

 

A telefonia móvel que ainda segue adicionando usuários no país demonstra um papel importante na popularização da telefonia. Seu produto mais acessível, o modelo pré pago, não exige um compromisso mensal de pagamento, por isso tornou-se um diferencial importante para aqueles usuários que utilizam pouco o serviço e a população de baixa renda. Apesar de possuir maior número de usuários que a telefonia fixa, cerca de 80% dos celulares são pré pagos, o que não garante uma receita mínima e parte dos celulares ficam em desuso.

 

A oferta de serviço banda larga disponibilizada pelos três principais setores, adiciona novos usuários independente a tecnologia, mas com diferenças interessantes. O serviço 3G recentemente lançado por algumas operadoras de celular possui seu valor intrínseco de mobilidade e contrapartidas regulatórias para expansão do serviço, além de preços competitivos. Possivelmente esses fatores influenciarão no crescimento da base de usuários e ultrapassarão a base da banda larga fixa. Contudo, os serviços de banda larga fixa devem investir em maiores velocidades de acesso sinalizando um diferencial importante para o consumidor, visto que suas redes fixas ainda suportam maiores taxas de dados, principalmente as redes de TV via cabo.

 

As empresas de TV via cabo que tratavam apenas da distribuição de canais pagos de televisão, diversificaram e ampliaram seu limite de atuação partindo para oferta de serviços convergentes com internet e telefonia. Mas a oferta de serviços de TV via cabo é protegida por lei específica, que literalmente impede a entrada de novas empresas para prestação deste tipo de serviço, desestimulando o desenvolvimento de novas tecnologias e a livre concorrência.

 

Analisando ainda a internet, mas não como um produto das empresas de telecomunicações, e sim como uma ferramenta de transmissão de dados, possui uma singularidade ímpar: sua capacidade de prover serviços de voz, textos, áudio e vídeo. Neste caso, a própria oferta das empresas do produto internet afeta a receita dos demais, restando a estas desenvolver novas estratégias para o futuro. Ou seja, os serviços tradicionais de telecomunicações perdem espaço para os novos serviços convergentes. O crescimento da oferta de produtos substitutos e diferenciados tem afetado consideravelmente a participação de mercado de algumas empresas.

 

Por fim, a rápida dinamização do setor quanto à implantação de novas tecnologias e serviços exige uma análise criteriosa e tecnologicamente imparcial da agência de regulação. As decisões tomadas refletem no futuro do setor e devem garantir a qualidade e universalização dos serviços e um mercado transparente para novos investimentos, beneficiando toda cadeia de serviços e consumidores no geral.

 

 

Referências

 

AGÊNCIA NACIONAL DE TELECOMUNICAÇÕES (Brasil). Edital licitação 002/2007 - ANATEL. Disponível em:

http://sistemas.anatel.gov.br/SAE/Edital/Download/Tela.asp?SISQSmodulo=6376

Acesso em: 20 dez. 2008.

 

AGÊNCIA NACIONAL DE TELECOMUNICAÇÕES (Brasil).Lei nº 9.472, de 16 de julho de 1997. Disponível em:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9472.htm

Acesso em: 20 dez. 2008

 

BRASIL. Emenda constitucional nº 8, de 15 de agosto de 1995: altera o inciso XI e a alínea "a" do inciso XII do art. 21 da Constituição Federal. Disponível em:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc08.htm

Acesso em: 20 dez. 2008

 

BRASIL. Lei nº 8.031, de 12 de abril de 1990: cria o Programa Nacional de Desestatização, e dá outras providências. Disponível em:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8031.htm

Acesso em: 20 dez. 2008.

 

COMITÊ GESTOR DA INTERNET NO BRASIL (Brasil).Percentual de domicílios com internet. Disponível em:

http://www.cetic.br/usuarios/tic/2008/rel-geral-04.html

Acesso em: 20 dez. 2008

 

CONVERGÊNCIA DIGITAL (Brasil). VoIP móvel 'roubará' receita das operadoras tradicionais. Disponível em:

http://www.convergenciadigital.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=18696&sid=8

Acesso em: 20 dez. 2008.

 

CONVERGÊNCIA DIGITAL (Brasil). Em Portugal, banda larga móvel ultrapassa oferta fixa. Disponível em:

http://www.convergenciadigital.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=13941&sid=17

Acesso em: 20 dez. 2008.

 

CORDEIRO, Letícia. Atlas brasileiro de telecomunicações. São Paulo: Converge Comunicações, 2009.

 

EDUARDO FILHO, José Pereira. A EMBRATEL: da era da intervenção ao tempo da competição. Revista de Sociologia e Política, Curitiba n. 18, p. 33-47.

 

GIL, Antônio Carlos. Técnicas de pesquisa em economia. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1990.

 

GUTERRES, Mônica Skrabe. Agências reguladoras e o limite regulatório da Anatel sobre o sistema VOIP de telefonia. 2005. 77 f. Monografia (Bacharel) - Curso de Direito, Departamento de Dirito, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2005. Disponível em:

http://www.infojur.ufsc.br/aires/arquivos/Monografiamonica.pdf

Acesso em: 20 dez. 2008

 

HASENCLEVER, Lia; TIGRE, Paulo. In: KUPFER . David, HASENCLEVER, Lia (Org.) Economia Industrial: Fundamentos teóricos e práticas no Brasil. 2 ed. Rio de Janeiro. 2002.

 

IBOPE (Brasil). Brasileiro navegou mais de 26 horas em março. Disponível em:

http://www.ibope.com.br/calandraWeb/servlet/CalandraRedirect?temp=5&proj=PortalIBOP E&pub=T&db=caldb&comp=Noticias&docid=0EF222417C49E4B0832575AE004AC794

Acesso em: 06 mai. 2008.

 

KANDYBIN, Alexander; GROVER, Surbhee. A vantagem exclusiva. HSM Management, n. 73 mar./abr. 2009.

 

LOSEKANN, Luciano; GUTIERREZ, Margarida. In: KUPFER . David, HASENCLEVER, Lia (Org.) Economia Industrial: Fundamentos teóricos e práticas no Brasil. 2 ed. Rio de Janeiro. 2002.

 

MELO, Michele Cristina Silva. Trajetória tecnológica do setor de telecomunicações no Brasil: a tecnologia VoIP. 2008. 229 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Economia, Departamento de Economia, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2008. Disponível em:

http://www.tede.ufsc.br/teses/PCNM0190-D.pdf

Acesso em: 20 dez. 2008

 

MONTE, Cristina. Inovação: a estratégia competitiva. T&C Amazônia, ano VI, n. 13, Fev. 2008.

 

NEOTV. Lei do Cabo (Ministerio das comunicações, lei nº 8977 de 6 de janeiro de 1995). Disponível em:

http://www.neotv.com.br/site/media/lei%20do%20cabo.doc

Acesso em: 05 mai. 2009.

 

OECD. Manual de Oslo. Disponível em:

http://www.finep.gov.br/imprensa/sala_imprensa/manual_de_oslo.pdf

Acesso em: 20 jun. 2008.

 

PORTER, Michael E. Estratégica competitiva: técnicas para analise de indústrias e da concorrência. 7. ed. Rio de Janeiro: Campus, 1991.

 

PORTER, Michael E. Vantagem competitiva.Rio de Janeiro: Campus, 1989.

 

PYNDYCK, Robert S.; RUBINFIELD, Daniel L., Microeconomia. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2002.

 

SCHUMPETER, Joseph Alois. Teoria do desenvolvimento econômico: uma investigação sobre lucros, capital, credito, juro e o ciclo econômico. 3. ed. São Paulo: Nova Cultural, 1988. 169 p.

 

SIEMENS COMMUNICATION (Brasil). Fatos que marcam a história das telecomunicações. Disponível em:

http://www.siemens.com.br/templates/coluna1.aspx?channel=2935

Acesso em: 20 jun. 2008.

 

TELEBRASIL (Brasil). O desempenho do setor de telecomunicações no Brasil - séries temporais. Disponível em:

http://www.telebrasil.org.br/saibamais/
O_Desempenho_do_Setor_de_Telecomunicacoes_no_Brasil_Series_Temporais__2008_20090406.pdf

Acesso em: 05 mai. 2009.

 

TELECO (Brasil). Internet Banda Larga no Brasil: total de conexões Banda Larga no Brasil. Disponível em:

http://www.teleco.com.br/blarga.asp

Acesso em: 05 mai. 2009.

 

TELECO (Brasil). Noções da Legislação de Telecomunicações. Disponível em:

http://www.teleco.com.br/tutoriais/tutorialleg/default.asp

Acesso em: 20 dez. 2008

 

TELECO (Brasil). O que esperar dos Serviços VoIP. Disponível em:

http://www.teleco.com.br/tutoriais/tutorialVoIP2/default.asp

Acesso em: 20 dez. 2008

 

THIELE, Sebastian. IPTV: de onde vem a receita? Teletime, São Paulo, n. 109, p. 40-43, abr. 2008.

 

 

 

Seções
Inicial
Introdução
Multimídia e VoIP
Outros Serviços
Considerações finais
Teste seu entendimento

Imprima esta página

Recomiende esta pagina

Agregue a Favoritos Comunique errores