Atualizado em: 23/03/2019

Quem vai comprar a Nextel?

 

A AINMT (Ice Group) desistiu em fev/18 de investir os US$ 150 milhões adicionais para assumir o controle da Nextel Brasil, aumentando sua participação na empresa para 60%. Em jun/17 ela havia adquirido 30% da Nextel Brasil por US$ 50 milhões.

A NII, controladora da Nextel Brasil, contratou então um adviser para vender a sua participação. Os resultados da empresa tem demonstrado a dificuldade dela se manter atuando autonomamente.

 

 

A Nextel Brasil tem mantido o foco no pós-pago e abandonou a ambição de ter rede própria em todo o Brasil, concentrando sua atuação nas regiões metropolitanas de São Paulo (11) e Rio de Janeiro (21). Um acordo de roaming com a Vivo garante cobertura nacional para todos os seus clientes.

O crescimento dos celulares 3G/4G não tem sido suficiente, no entanto, para compensar a perda de receita com a desativação da rede de rádio IDEN.

 

 

A empresa tem apresentado margem OIBTDA negativa e prejuízos sucessivos. A NII espera que o OIBTDA ajustado consolidado da empresa seja positivo no segundo semestre de 2018 e que a queima de caixa neste período não exceda US$ 100 milhões.

Em 30 de junho de 2018, a NII possuía US$ 120,6 milhões em caixa e US$ 110,1 milhões em depósito para garantir obrigações de indenização em conexão com a venda da Nextel México. Ela acredita que estas fontes fornecerão liquidez suficiente para financiar os negócios até 2019.

 

Em Jun/18 a empresa tinha dívida de US$ 588 milhões, sendo:

 

Diante deste quadro, as operadoras de celular (Vivo, Claro, TIM e Oi) aparecem como potenciais compradoras da Nextel.

Os 3 milhões de pós-pagos da Nextel representam cerca de 15% da base dos pós-pagos da Claro e da TIM e poderiam ser um ativo interessante para estas operadoras, mas dificilmente justificariam esta aquisição.

 

 

O principal ativo da Nextel são as frequências adquiridas junto a Anatel:

As duas primeiras faixas foram adquiridas em 2010 por R$ 1.412 milhões e a terceira em 2015 por R$ 455 milhões.

O problema é o CAP, quantidade máxima de banda que cada operadora pode ter nestas faixas de frequências. Ele é de 30 MHz (15+15) em 1.900/2.100 MHz e 50 MHz em 1.700/1.800 MHz. Quem adquirir a Nextel terá de devolver gratuitamente para a Anatel a quantidade de espectro que exceder o seu CAP nestas frequências.

As tabelas a seguir indicam a quantidade de espectro do total da Nextel que seria aproveitada por cada operadora.

 

1900/2100 MHz
Nextel
Aproveitado pela Operadora (MHz)
Vivo
TIM
Claro
Oi
São Paulo (Capital)
20
0
0
10
10
São Paulo (Interior)
20
0
10
0
10
Rio de Janeiro/ Esp Santo
20
0
10
10
0
Minas Gerais
20
0
10
0
10
Paraná/ Santa Catarina
20
0
10
10
0
Rio Grande do Sul
20
0
10
10
0
Centro Oeste+ Norte (parcial)
20
0
10
10
0
Norte
20
0
0
0
10
Bahia | Sergipe
20
0
10
10
0
Nordeste
20
0
10
10
10

 

A Vivo teria que devolver todo os 20 MHz na faixa de 1900/2100 MHz e as demais poderiam ficar com 10 MHz em algumas regiões.

 

1.700/1.800 MHz Nextel
Aproveitado pela Operadora (MHz)
Vivo
TIM
Claro
Oi
São Paulo (11) 30
30
10
30
10
RJ/ ES 20
20
10
20
5
MG 20
20
20
10
10
Norte 20
20
20
20
10
BA/SE 20
20
20
5
5
Nordeste 20
0
20
20
10

 

A Vivo teria que devolver 20 MHz no Nordeste, a TIM parte do espectro em SP 11 e RJ/ES e a Claro parte do espectro em MG e BA/SE. A Oi ficaria com parte do espectro em cada região.

A Anatel analisa um aumento dos CAPs o que pode ocorrer em 2019. Este aumento beneficiaria a compradora e teria um impacto no valor a ser pago pela Nextel.

 

Diante deste cenário pergunta-se:

 

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