Atualizado em: 06/11/2021
Os desafios das novas operadoras de 5G no Brasil
A licitação de 5G foi um sucesso, com as operadoras atuais (Vivo, Claro, TIM e Algar) adquirindo as faixas de frequência que necessitam para oferecer 5G de qualidade para a população e a vitória de dois novos grandes grupos, que adquiriram bandas regionais de 3,5 GHz (80 MHz) e pretendem oferecer serviços móveis no varejo:
O Fundo Bordeaux, do empresário Nelson Tanure, é controlador da Sercomtel que adquiriu São Paulo e a Região Norte, e da Copel, que adquiriu a Região Sul em consórcio com a Unifique, sendo as participações no consórcio de 37,23% e 62,77% respectivamente.
A Cloud2u que adquiriu a faixa de 3,5 GHz na região formada pelos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo não pretende atuar no varejo, mas oferecer serviços no atacado para outras operadoras móveis e MVNOs. Estes também são os planos da Winity II (associada ao fundo Pátria/Blackstone) que adquiriu a faixa nacional de 700 MHz.
Passado o leilão, a Brisanet e o Fundo Bordeaux/Unifique terão de enfrentar grandes desafios de modo a viabilizar operações que possam competir com as operadoras atuais, Analisa-se a seguir os principais.
Desafio 1: Cobertura
Este é um dos fatores fundamentais para que um usuário escolha uma operadora móvel. Estas novas operadoras terão que investir pesadamente nas áreas que pretendem atuar implantando suas ERBs nos sites existentes de empresas de infraestrutura (Tower companies). Isto não será, no entanto, suficiente.
Medições realizadas pela OpenSignal em cidades onde existe 5G indicam que um usuário de 5G fica em média 11% do tempo conectado a esta rede 5G. Será mandatório para estas operadoras utilizar os serviços de 4G prestados no atacado pela Winity II, que adquiriu a faixa nacional de 700 MHz. Para tanto a Winity II deverá acompanhar com 4G o "roll out" destas operadoras. Durante muito tempo 5G e 4G devem caminhar juntos. Note-se ainda que o ideal é que a rede 4G da Winity II seja 4,5G, oferecendo velocidades mais próximas das que serão oferecidas pela 5G.
Desafio 2: Qualidade do Serviço
A Brisanet e o Fundo Bordeaux/Unifique adquiriram 80 MHz em 3,5 GHz, menos que os 100 MHz adquiridos pelas operadoras atuais, que poderão oferecer, portanto, velocidades maiores.
A questão de recursos humanos contribui também para este desafio. 5G representa um grande passo na softwarização das redes e necessita profissionais com perfis bem diferentes do das prestadoras de banda larga fixa.
Desafio 3: Atingir um volume de clientes que torne a margem EBITDA positiva
Atingir um equilíbrio operacional com margem EBITDA positiva é o primeiro passo para se ter uma operação rentável e deixar de dar prejuízo. A Nextel, por exemplo, não conseguiu.
Para tanto será necessário ter milhões de clientes em sua base, o que pode levar tempo. Além da competição com as operadoras atuais, o crescimento da base 5G depende da queda no preço dos smartphones e da limpeza do espectro de 3,5 GHz. Levará cinco anos para que isto aconteça em todos os municípios com mais de 30 mil habitantes.
Desafio 4: Atendimento dos compromissos assumidos
Apesar do pequeno valor a ser pago inicialmente pelas frequências, estes grupos assumiram compromissos de atendimento que representam investimentos de R$ 3,4 bilhões para a Brisanet e R$ 2,8 bilhões para o Fundo Bordeaux/Unifique e deverão oferecer garantias que serão retidas até que eles sejam cumpridos.
Os desafios são grandes, mas o sucesso destas operadoras é importante para o quadro competitivo de serviços móveis no Brasil.
Diante deste cenário pergunta-se:
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