10/03/08

Em Debate

 

 

 

 

3G e a Internet Móvel

 

Parte 1

 

 

 

Eduardo Prado

Consultor

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A “ficha caiu” gente ... veja só o que disse o sempre falante CEO da Vodafone Arun Sarin no recente Mobile World Congress realizado em Barcelona de 11 a 14 de fevereiro de 2008: “A grande novidade na Telefonia Móvel é a Internet”. Particularmente nós já temos falado isto há mais de 01 ano mas ... quem somos nós comparados ao todo-poderoso executivo da Vodafone? Nada. Não é mesmo?! E principalmente se considerarmos que a super Vodafone é uma telco que tem as suas idéias “clonadas” por várias operadoras móveis pelo mundo afora. Sarin ainda complementou: “Finalmente existe demanda para estes novos serviços. Os usuários querem Mobilidade, Internet e Banda Larga. Há anos falamos de Internet, mas pela primeira vez a indústria móvel tem as redes, os handsets, as aplicações e os preços que tornarão isto uma realidade. A cadeia está completa pela primeira vez, por isto esta é a nossa aposta para o futuro” (ver referência Vodafone CEO sees mobile Web as the future, CNET News, 12.fev.2008). Veja também os anúncios do Congresso de GSM em Barcelona: Mobile World Conference Announcements, Dailywireless, 11.fev.2008).

 

Mas por que Sarin acredita que só agora existe esta demanda e a mesma não existia na época do “velho oeste” da telefonia móvel quando os aparelhos celulares esram monocromáticos e apenas a interface WAP existia nos idos de 2000/2001? Existem algumas razões além do advento dos handsets com alta capacidade computacional, a saber: (1) a expansão das redes 3G capazes de transmitir dados em altas velocidades e, (2) a demanda – cada vez maior – dos usuários por conteúdo de multimídia on-line.

 

Segundo a Teletime: “A telefonia móvel virou um negócio de Banda Larga e Internet. A aposta do mercado de Internet, além de representar um adicional de receita monumental para as operadoras e um mercado inteiramente novo, está também ligada à possibilidade de oferta de novos serviços e de integração de plataformas

 

Nós vamos evoluir na telefonia móvel de um modelo que é centrado em voz (voice-centric) para um modelo que é centrado em dados (data-centric).

 

Dentre os vendors de dispositivos móveis, a Nokia está bastante empenhada em ser um player de destaque no cenário da Internet Móvel: Nokia: We Control the Vertical, Dailywireless, 11.fev.2008. No cenário das telcos móveis, a Vodafone está na vanguarda: Vodafone Nabs Knook To Lead New Internet Group, MoCo News, 14.fev.2008.

 

Como o rápido crescimento da Internet Móvel será suportado? Quem colherá os frutos da opulência das novas aplicações e serviços na Internet Móvel? Estas  perguntas tem deixado bastante excitados as telcos, os vendors, e os provedores de conteúdo. Veja algumas opiniões que foram manifestadas no mesmo Congresso em Barcelona:

 

Masayoshi Son, CEO, Softbank (telco móvel japonesa):

Marco Boerries, Head of Connected Life, Yahoo:

Jim Basilie, co-CEO, Research In Motion (do famoso Blackberry):

 

A Transformação da Internet

 

Ao longos dos anos a mídia tem evoluído nas seguintes fases: mídia impressa, mídia musical em discos, cinema, rádio, TV e Internet. Segundo Tomi Ahonen, o Telefone Móvel é a 7ª mídia. Muito temos aprendido com a evolução destas mídias. Algumas delas trouxeram novos negócios e algumas delas não canibalizaram mídias anteriores.

Na evolução do Cinema para a TV existiram alguns aprendizados:

 

  1. 1ª Lição: A TV não “matou” o cinema! Mas a TV canibalizou 02 dos 03 principais formatos de conteúdo do cinema a saber: as séries e o canal de notícias. O formato principal do cinema, os filmes, continuam ainda a ter espectadores e a gerar receitas, mais eles coexistem com ambos os outros conteúdos na TV;
  2. 2ª Lição: A TV introduziu novas oportunidades na geração de conteúdo multimídia que não era factível no cinema. Depois que a TV foi lançada, novos formatos completos foram inventados. Os Talk Shows, os Vídeos Musicais e os Reality Shows nasceram com a TV. Estes são formatos que não existiam na mídia do cinema. Eles são agora nativos da TV. Vem agora a nossa 2ª Lição. Novas mídias trazem novas oportunidades além da mídia anterior, para inovar e criar novos serviços que não eram possíveis anteriormente.

E o que aconteceu com a Internet? A Internet não nasceu com os PCs. A Internet original era uma rede de computadores mainframes. Somente nos anos 80 quando os PCs começaram a ganhar modems, eles se conectaram na Internet. O mercado de massa na Internet não decolou até aparecerem os browsers WWW (Mosaic e Netscape) e revistas como o Time e a Newsweek colocarem a Internet nas suas capas em 1994. Então se você pensa que a Internet baseada em PC é o caminho natural do que deveria ser ... está redondamente enganado! A Internet atual é uma evolução da Internet original do passado. Note que também tínhamos e-mail e chat IRC na Internet original, e uploads e downloads de arquivos via FTP como também hierarquia de gerenciamento de arquivos e buscas em volta de alguma coisa chamada Gopher. Então esta comunidade maciça de mais de bilhão de usuários que temos hoje na Internet atual é realmente um fenômeno dos últimos 13 anos que canilibalizou completamente a Internet original. Se a Internet atual veio e canibalizou completamente a sua predecessora, será que nós não poderíamos ter uma outra Internet rival – no caso a Móvel – que canibalizasse a Internet atual?

 

A Web Hoje

 

Vamos considerar a Web hoje em dia. O maior uso disparado da Internet atualmente é o e-mail e o segundo é a busca. Nós temos uma série de outros usos na Internet tais como, compra de música, utilização de jogos de múltiplos jogadores, comprar e vender artigos de 2ª mão, bibliotecas diversas (p. ex., Wikipedia), etc.

 

Seis anos atrás as telas dos handsets eram tão pequenas, que era impossível compreender as páginas tradicionais da Web nestes dispositivos. A maioria das telas dos aparelhos WAP eram monocromáticas (preto e branco). Quando os usuários precisavam acessar algum conteúdo Web  (ou no mínimo conteúdo WAP) nestes aparelhos, pouquíssimos destes usuários sentiam prazer nesta tarefa. Atualmente, alguns handsets já mostram (quase) ¼ da tela de um PC com a mesma resolução em pixels. Não é tão conveniente ver uma página Web nestes aparelhos – mas está ficando suportável estas consultas, quando por exemplo um usuário tem seu laptop danificado em um fim de semana (ou está em locomação sem acesso a Wi-Fi) e ele precisa desesperadamente acessar o seu e-mail e o acessa via seu aparelho celular até mesmo quando a tarefa não é das mais agradáveis.

 

A situação já tem mudado um pouco. O iPhone da Apple (ver referência Apple Ushers in Era of the Fluid UI, GigaOM, 18.jan.2007) lançado em Junho de 2007 revolucionou o mercado de handsets com seus conceitos inovadores. Em 2008, teremos o lançamento do gPhone do Google que promete ser uma boa surpresa com algumas funcionalidades semelhante ao iPhone. Uma outra surpresa são os Tablets que a Nokia tem apostado muito e aonde o Nokia N810 é um grande destaque (ver referência Nokia N810, Dailywireless, 17.out.2008 e Nokia, the N810 Tablet & the Long View, GigaOM, 01.nov.2008). Vejam vocês que Bill Gates disse recentemente em uma das suas palestras que quando se aposentar em mais 1 ou 2 anos uma das áreas que ele vai pesquisar e investir é a de tablets. Ele não é bobo não, não é?

 

Evidente que não estamos sugerindo “o bom velho notebook” para acessar a Internet Móvel nas redes 3G mas o lançamento do iPhone vai forçar que muitos vendors de handsets “corram atrás” do prejuízo no curto prazo evoluindo seus aparelhos para um nível bem aceitável de navegação Web.

 

Se nós – que somos adultos atualmente – pensarmos como acessávamos um conteúdo Web há 10 anos atrás (lembram-se do modem discado?), muito em breve utilizar um aparelho celular para acessar a Internet Móvel 3G será uma experiência passável senão uma perfeita replicação daquela nossa experiência passada.

 

Agora lembrem-se do falamos anteriormente da evolução do cinema para a TV. Alguns conteúdos sofrem na evolução das mídias (muitos diretores de TV tiveram que usar artimanhas na produção dos seus programas por não poderem utilizar uma tela do tamanho daquela do cinema). Então comece a considerar que algumas das nossa páginas prediletas da Web estarão disponíveis nos aparelhos celulares para proporcionar uma experiência – ainda não o “ideal olímpico” – agradável de disponibilizar o conteúdo Web para nosotros.

 

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