Em Debate
Publicado: 30/08/04
VoIP é uma inovação disruptiva?
Eduardo Tude
No artigo Inovação e Novas Entrantes em Telecomunicações discutimos a distinção estabelecida por Clayton M. Christensen entre inovações sustentadoras e disruptivas.
As inovações sustentadoras são aquelas que melhoram o desempenho do produto ou serviço nos atributos mais valorizados pelos clientes. As empresas estabelecidas estão melhor posicionadas nesta situação, sejam estas inovações incrementais ou descontínuas, simples ou complexas. Já as inovações disruptivas são aquelas que provocam uma ruptura no antigo modelo de negócios. Elas normalmente favorecem o aparecimento de novos entrantes.
Este artigo se propõe a colocar em debate a seguinte questão:
Partindo do ponto de que não é a tecnologia em si que é disruptiva, mas o modo como a nova tecnologia rompe o antigo modelo de negócios das operadoras, podemos fazer as seguintes considerações:
1) Existe um modelo de negócios em que VoIP é uma inovação disruptiva
VOIP na Internet, e não em redes dedicadas, pode ser uma inovação disruptiva de baixo mercado. A qualidade é um pouco pior em alguns casos do encontrado normalmente em uma chamda telefonica, mas o custo adicional de 2 pessoas conectadas a Internet falarem é nulo.
Um exemplo de modelo de negócios disruptivo em VoIP é o do Skype. O Skype é um programa similar ao messenger da microsoft mas focado em serviços de VoIP que oferece com excelente qualidade de voz. O Skype distribuiu gratuitamente o seu software possibilitando a que pessoas conversassem na Internet. Agora com o SkypeOut está oferecendo a opção de chamadas para um telefone convencional. Para estas chamadas utiliza gateways que tenham interconexão com a rede telefonica local do telefone chamado e o custo de qualquer chamada passa a ser praticamente local. Existem outros provedores nesta linha consulte VoIP na internet.
Estes modelos de negócios são considerados disruptivos, pois são de difícil adoção pelas empresas estabelecidas, implicariam de início em menores margens e menor crescimento ou queda de receita. A qualidade de VoIP que os clientes principais da operadora querem só pode ser garantida com redes dedicadas e não na Internet.
2) VoIP ou telefonia IP pode ser uma inovação mantenedora
Existem no entanto uma série de modelos de negócios em que a VoIP é adotada pelas operadoras como uma inovação mantenedora, muitos deles apresentados em:
VoIP - Breves considerações sobre alguns modelos de negócio
As operadoras estabelecidas (incumbents) podem adotar a VOIP em suas redes e manter o mesmo modelo de negócios cobrando as chamadas por minuto sem que o cliente saiba que está utilizando VOIP em parte de sua chamada, geralmente na longa distância.
No nível da conexão local elas podem também passar a oferecer de forma seletiva telefones IP e passar a cobrar apenas uma taxa de conexão (como na Internet) e que equivale à assinatura básica dos telefones de hoje. Este é o movimento que começa a acontecer no segmento corporativo onde existe competição de provedores alternativos. Estes serviços seriam suportados pelas Redes de Próxima Geração (NGN) para onde devem migrar lentamente as redes das operadoras de telefonia fixa.
O futuro dirá se novos entrantes consguirão utilizar a VoIP para alavancar modelo de negócios disruptivos. É possível inclusive resultados diferentes conforme o país ou região. O modelo de negócios disruptivo terá mais chance de vencer em países como os Estados Unidos onde é grande o número de de usuários de Internet Banda Larga.
A adoção do telefone IP em substituição ao telefone convencional no mercado de massa residencial deve encontrar uma barreira no preço do terminal. O mesmo problema dificultou a difusão dos telefones fixos wireless.
Finalmente, na esteira destes desenvolvimentos encontra-se a discussão dos impactos regulatórios como apresentado no tutorial do teleco:
VoIP e sua Inserção no Ambiente Regulatório Hoje
Comente!
Para enviar sua opinião para publicação como comentário a esta matéria para nosso site, clique aqui!
Nota: As informações expressadas nos artigos publicados nesta seção são de responsabilidade exclusiva do autor.
Newsletters anteriores
Mais Eventos
Mais Webinares