Rádio e TV

24/04/08

Rádiodifusão Digital

 

 

 

 

Novos receptores e chips
para HD Radio

 

 

 

Flávio Archangelo

Jornalista e pesquisador

 

 

A industria de receptores em High Definition Radio (HD Radio), modelo de digitalização proposto pela empresa americana iBiquity, continua a disponibilizar equipamentos para o consumidor final num ritmo impressionante diante dos impasses políticos da implementação do modelo e as dúvidas técnicas sobre sua eficiência especialmente em Ondas Médias.

 

Se os destaques antes eram os modelos automotivos da Kenwood e JVC, ou os modelos de mesa e tuners da Sangean, Boston Acoustics e Accurian, agora a empresa Sony, após o lançamento de receptores pioneiros na segunda metade do ano passado, ataca com dois novos equipamentos em 2008. Trata-se do XDR-F1HD e o XDR-S10HDiP.

 

O primeiro é operado por controle remoto e o segundo habilita conexão com o iPod, permitindo que o ouvinte, ao escutar uma estação emitindo no padrão HD, possa salvar no iPod os dados da música em exibição e comprá-la pelo iTunes pelo recurso chamado de tagging. A expectativa de preço nos Estados Unidos é de 100 dólares para F1HD e 180 dólares para o S10HDiP, segundo a Sony.

 

A sintonia de uma estação que emite em HD oferecerá ao ouvinte uma sensível melhoria na qualidade de áudio e, se em VHF/FM, a possibilidade de acessar outros canais de áudio na mesma freqüência, além de dados de texto exibidos na tela do receptor.

 

Atualmente os brasileiros que utilizam estes equipamentos são geralmente técnicos, pesquisadores e radiodifusores pioneiros do modelo, os early adopters e consumidores que adquiriram receptores que já dispunham deste recurso de captação. São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre são as cidades onde algumas estações estão emitindo em fase de testes.

 

O governo federal não decidiu por qual modelo tecnológico o rádio brasileiro seguirá. A tendência é pelo HD Radio, no entanto críticas a respeito das limitações dos royalties a indústria nacional eletrônica (que encareceriam o preço do receptor brasileiro), a ausência de receptores handheld (devido ao alto consumo de energia elétrica, não permitindo o uso de pilhas) e a potência mínima de emissão exigida para o simulcast (a transmissão simultânea do digital e analógico na mesma freqüência) não contempla as baixas potências utilizadas por estações comunitárias. Assim há um impasse pelo desejo a ingressar na fase de digitalização contra a cautela em acompanhar mais de perto os demais sistemas propostos de digitalização, especialmente os que utilizam as mesmas faixas de freqüências da radiodifusão convencional analógica com o DRM (Digital Radio Mondiale).

 

Quanto especificamente a portabilidade, a empresa SiPort desenvolveu um chip para receptores HD de 9 mm quadrados para gerenciar tanto a sintonia, a demodulação e os demais dados auxiliares de texto no mesmo componente. Por utilizar tecnologia CMOS, ele tem custo menor do que os chips de silício-germânio e trabalha com 10% da energia anteriormente solicitada. Isso permite barateamento do preço e menor consumo de energia elétrica.

 

 

O chip ainda pode ser utilizado em múltiplas plataformas de digitalização como no europeu DAB (Digital Audio Broadcasting). Isso aumenta a possibilidade de um único hardware servir para mais de um modelo, como um receptor que tenha o HD para Ondas Médias e VHF/FM junto com o DRM para Ondas Curtas e Tropicais. Há mesmo propostas de receptores que combinem vários dispositivos da indústria do áudio e habilitar uma única unidade de controle para iPods, MP3 e CD/DVD players, wireless, rádio HD, etc.