Seção: Tutoriais Telefonia Fixa

 

Sinalização Nº7: Descrição Geral

 

As funções do MTP encontram-se estruturadas em 3 níveis funcionais, estando elas descritas abaixo.

 

Nível 1: Enlace de Dados de Sinalização. O Nível 1 define as características físicas, elétricas e funcionais e meios de acesso referentes aos enlace de dados de sinalização. Um enlace de dados de sinalização ou enlace de dados é um caminho bidirecional para sinalização, incluindo dois canais de dados operando juntos em direções contrárias na mesma taxa de transmissão. Em um ambiente digital, caminhos digitais a 64kbit/s são utilizados normalmente como enlace de dados. O enlace de dados pode ser acessado através de uma função de comutação de circuitos (sobretudo em centros de comutação digital), mas outros tipos de enlaces de dados, tais como enlaces analógicos com Modems podem se mostrar viáveis também.

 

Nível 2: Enlace de Sinalização. O Nível 2 define as funções e procedimentos relativos a transferência de mensagens de sinalização sobre um enlace de dados individual. As funções do Nível 2 em conjunto com o enlace de dados como suporte, fornecem um enlace de sinalização para a transferência confiável de mensagens entre dois pontos.

 

Deve-se observar que os Níveis 1 e 2 do MTP foram concebidos num contexto de Rede Digital de Serviços Integrados de Faixa Estreita. Numa rede ATM utilizada também como suporte de sinalização, outros protocolos e funcionalidades são utilizados.

 

Nível 3: Rede de Sinalização. O Nível 3 define as funções e procedimentos de transporte que são comuns e independentes da operação dos enlaces de sinalização. Estas funções estão contidas em duas categorias básicas:

  • Funções de Tratamento das Mensagens: Estas são as funções que para uma dada transferência de mensagens, endereçam a mensagem ao enlace de sinalização ou Subsistema de Usuário conveniente;
  • Funções de Gerência da Rede de Sinalização: Estas são funções que, sobre uma base de dados predeterminada e informações sobre os estados da rede de sinalização, controlam o encaminhamento de mensagens e a configuração geral dos recursos da rede de sinalização. Na ocorrência de mudanças naqueles estados, estas funções também controlam reconfigurações e outras ações para preservar e restaurar a capacidade normal de transferência de mensagens.

O Nível 3 também evoluiu em função de novas tecnologias, porque novos Subsistemas de Usuários foram criados, e porque o desempenho da sinalização é função também de sua taxa de transferência, como se verá a seguir.

 

Cabe observar que um único enlace de sinalização operando a 64kbit/s pode cursar, em um determinado instante, a sinalização de um elevado número de chamadas (cerca de 4000 a 6000) e que por esta razão o MTP foi especificado para fornecer uma transferência muito precisa e confiável das mensagens de sinalização (veja quadro abaixo).

 

Em conseqüência, o serviço de transferência de mensagens fornecido pelo MTP foi simplificado ao máximo, de modo a apresentar algumas limitações funcionais, a saber:

  • Utiliza endereçamento independente da rede telefônica, não tirando proveito de seu encaminhamento hierárquico que permite o acesso a toda rede;
  • Não interfunciona com protocolos baseados no modelo OSI (X.25 p.ex.);
  • Não fornece funções de sequenciamento, segmentação, controle de fluxo e não possui controle de datagramas ou facilidades de conexões lógicas estabelecidas sobre a rede de sinalização;
  • Não permite transferência de sinalização extremo a extremo passando por mais de uma rede de sinalização.
Figura 3: Parâmetros de Qualidade da Rede de Sinalização.

 

O SCCP provê funções adicionais ao MTP para fornecer serviços de rede orientados ou não orientados a conexão na transferência de informações de sinalização, relacionadas ou não ao controle de circuitos. O SCCP permite:

  • Controlar conexões lógicas numa rede de sinalização;
  • Transferir unidades de dados de sinalização através da rede de sinalização, com ou sem a utilização de conexões lógicas de sinalização.

O SCCP fornece uma função de encaminhamento que permite que as mensagens de sinalização sejam encaminhadas por um ou mais pontos de sinalização de acordo com um Título Global, que pode ser, por exemplo, alguns ou todos os dígitos discados na origem, para uma posterior tradução.

 

O SCCP também dispõe de uma função de gerência, complementar aquela do MTP e que permite a supervisão da disponibilidade das aplicações que suporta (por exemplo, residentes numa Base de Dados) e o re-encaminhamento das mensagens de sinalização destinadas a Subsistemas indisponíveis ou congestionados a outros pontos onde estas informações se encontram replicadas.

 

A combinação do MTP e SCCP é denominada Subsistema de Serviço de Rede (Network Service Part - NSP). O NSP satisfaz os requisitos da camada 3 do Modelo OSI.

 

O Subsistema de Usuário Telefônico (Telephone User Part - TUP) é utilizado por processos de tratamento de chamadas telefônicas para estabelecer e liberar chamadas, supervisionar circuitos e grupos de circuitos. O TUP é um aplicativo fechado que realiza funções equivalentes às camadas de aplicação, apresentação e sessão, isto é, pra cada nova chamada gera uma instância equivalente a uma sessão, processa os elementos de informação correspondentes tratando de sua sintaxe e semântica.

 

O TUP tornou-se um Subsistema ultrapassado, na medida que suas funções podem ser realizadas também pelo ISDN UP (veja a seguir).

 

O Subsistema de Usuário para a Rede Digital de Serviços Integrados (Integrated Services Digital Network User Part - ISDN UP ou ISUP) é utilizado por processos de tratamento de chamadas para fornecer:

  • As funções de sinalização necessárias para permitir serviços de suporte ou suplementares para aplicações de voz ou dados em uma Rede Digital de Serviços Integrados (Integrated Services Digital Network - ISDN) ;
  • As funções de sinalização necessárias para permitir serviços em redes telefônicas ou redes de dados por circuitos comutados dedicadas.

Em particular o ISDN UP atende aos requisitos definidos pelo ITU-T para o tráfego telefônico ou de dados por circuitos comutados internacional automático e semi-automático.

 

O ISUP pode utilizar o serviço de transporte do MTP ou do NSP dependendo da aplicação.

 

O Subsistema de Aplicação da Capacidade de Transações (Transactions Capabilities Application Part - TCAP) tem por objetivo proporcionar um protocolo de aplicação que possa servir como suporte para diversos serviços de aplicação que necessitem trocar informações de sinalização não associada ao controle de circuitos comutados.

 

O TCAP é o protocolo cujos procedimentos simplificados permitiram a realização de operações remotas no SS Nº7, sejam estas, entre outras, referentes a aplicações da Rede Inteligente, sejam referentes a aplicações do Serviço Móvel.

 

O Subsistema de Aplicação para Administração, Operação e Manutenção (Operations, Maintenance and Administration Application Part - OMAP) tem por objetivo proporcionar um conjunto de protocolos de aplicação para suportar atividades de Operação, manutenção e Administração da rede de sinalização.

 

As aplicações mais conhecidas do OMAP são o teste de verificação de encaminhamento MTP e SCCP.

 

O Subsistema de Aplicações Móveis (Mobile Application Part - MAP) é utilizado por processos de controle de chamadas destinadas ou originadas na Rede Móvel Terrestre Pública (Public Land Mobile Network - PLMN).

 

Este Subsistema compreende as funções de camada 7 complementares a TCAP para a sinalização de:

  • Handoff (Handover) entre Sistemas;
  • Roaming Automático;
  • Supervisão dos circuitos;
  • Controle das chamadas.

O Protocolo de Aplicação para Rede Inteligente (Intelligent Network Application Part - INAP) é utilizado por processos de controle de chamadas destinadas às plataformas de serviços de rede inteligente.

 

Este conjunto de protocolos compreende as funções de camada 7 complementares a TCAP para a sinalização entre as seguintes entidades funcionais:

  • Função de comutação/Acesso a Serviços (Service Switching Function - SSF);
  • Função de Controle de Serviços (Service Control Function -SCF);
  • Função de Recursos Especializados (Specialised Resource Function);
  • Função de Dados de Serviço (Service Data Function).

O protocolo de Controle de Chamadas Independente de Suporte (Bearer Independent Call Control - BICC) fornece as funções de sinalização necessárias para suportar serviços ISDN independentemente da tecnologia de suporte e da tecnologia de transporte da sinalização utilizadas.

 

O BICC é um protocolo de sinalização de Controle de Chamadas sucessor do ISDN UP, e projetado para ambientes de rede, onde a separação entre Controle de Chamadas e Controle de Suporte (o que corresponde mais ou menos a Sinalização de Registro e Sinalização de Linha) foi efetivada, permitindo o estabelecimento, supervisão e liberação de chamadas, independentemente do estabelecimento dos circuitos.

 

A estrutura do BICC está alinhada com a estrutura da camada de Aplicação OSI. A formatação das mensagens do BICC é a mesma das mensagens do ISDN UP, embora o BICC não seja um protocolo orientado a mensagens, mas flexível e orientado a objeto (instância), o que permitirá a cooperação local entre os processos de aplicação (por exemplo, de Serviços Suplementares, de Rede Inteligente e de Controle de Chamadas) sem necessidade de Interfuncionamentos.

 

O Subsistema de Usuário para a Rede Digital de Serviços Integrados de Faixa Larga (Broadband Integrated Services Digital Network User Part - B-ISDN UP ou B-ISUP) é utilizado por processos de tratamento de chamadas para fornecer as funções de sinalização necessárias para permitir serviços de suporte ou suplementares para aplicações de voz ou dados em uma Rede Digital de Serviços Integrados de Faixa Larga (Broadband Integrated Services Digital Network - B-ISDN).

 

O Mecanismo de Transporte de Aplicações (Application Transport Mechanism - APM) é um protocolo de aplicação, utilizado por aplicações que requerem um suporte em conjunto com o fluxo de informação de aplicação de sinalização e fornece às aplicações que o utilizam, os serviços de associação de sinalização, bem como um suporte entre aplicações pares.

 

O protocolo de Extensão ao Controle de Chamadas Independente de Suporte (Bearer Independent Call Control Extension - BICC.) fornece as funções de sinalização necessárias para suportar aplicações de tunelamento ou outras necessárias ao controle do suporte em um ambiente de rede, onde exista separação entre Controle de Chamadas e Controle de Suporte. O BICC e é um usuário APM, ou seja utiliza o protocolo APM, suportado pelo ISUP ou BICC para a sinalização.

 

O protocolo de Redes Virtuais Privativas (Virtual Private Networks - VPN) fornece as funções de sinalização necessárias para suportar aplicações da Rede de Serviços Integrados Privativa ( Private Integrated Service Network - PISN) para suportar a sinalização de equipamentos PABX em redes corporativas.