Seção: Quem Somos
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Nesta seção serão exploradas as questões que envolvem os processos de evolução de natureza tecnológica, regulatória, organizacional e de captação e desenvolvimento de recursos humanos nos segmentos de telecomunicações no Brasil e a situação atual de cada um.
No cenário mundial atual o Brasil não representa uma liderança tecnológica na área de telecomunicações e tão pouco existe qualquer perspectiva de que isto possa se tornar realidade no curto prazo.
Entretanto, nos anos 70, este sonho foi acalentado pelos governos militares brasileiros com a criação do CPqD (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da TELEBRAS) cuja missão seria o do desenvolvimento de uma tecnologia nacional própria nessas áreas, definindo produtos, serviços, padrões e recomendações para atender as demandas em âmbito nacional e possivelmente também internacional.
Mesmo como todas as dificuldades enfrentadas ao longo dos anos 80 (a década perdida), nesta época foram desenvolvidas diversas tecnologias nacionais, como por exemplo, as fibras óticas, os sistemas de transmissão multiplexadores, os sistemas públicos de cartão indutivo, as centrais de comutação da família Trópico, dentre outras, uma espécie de modelo chinês de desenvolvimento em pequena escala na América do Sul.
Com o advento da privatização, em finais dos anos 90, toda a indústria nacional existente acabou por ser desmantelada, pois as principais prestadoras de serviços internacionais já tinham já seus fabricantes preferenciais. Assim, o desenvolvimento tecnológico nacional obtido, até então, acabou por perder-se completamente. A partir da privatização, inclusive, o próprio CPqD teve que assumir novas atribuições com o final dos subsídios do governo federal.
O segmento regulatório surgiu, naturalmente, a partir das transformações econômicas neoliberais implementadas no Brasil. Este novo modelo implementado na década de 1990 teve como fundamentos básicos na área de telecomunicações, a abertura do mercado através de privatizações e a criação de mecanismos para a viabilização da concorrência na prestação de serviços. As agências reguladoras foram as responsáveis por aplicar, em suas respectivas áreas de atuação, as diretrizes estabelecidas pelo governo.
O processo de instituição legal da agência reguladora de telecomunicações no Brasil foi feito através da LGT (Lei Geral de Telecomunicações), criando a ANATEL que veio a conduzir o processo de privatização.
O segmento de radiodifusão bem mais conservador em questões de avanços tecnológicos, regulatórios e empresariais, ainda vem resistindo um pouco mais à quebra dos paradigmas que se impõem.
A partir do cenário privatista e concorrencial do segmento de telecomunicações, as empresas acabaram por crescer de forma exponencial com a perspectiva da prestação de serviços, até então restritos às empresas estatais.
Para satisfaze esta mudança radical entre o antigo modelo e o novo modelo proposto, esta abertura do mercado deu lugar novas demandas, especialmente na área de recursos humanos, fazendo com que as empresas pensem mais seriamente com o desenvolvimento e da retenção de seus principais talentos.
Aspectos tecnológicos
Assim como os sistemas de energia, de água, de saneamento, de transporte, os sistemas de telecomunicações se constituem, atualmente, em um dos grandes componentes da infraestrutura da nossa civilização, em especial nas grandes cidades.
A evolução tecnológica nas áreas das telecomunicações e mais recentemente na de radiodifusão vem se sucedendo, a partir dos últimos vinte e cinco anos, com uma dinâmica completamente muito diferente do passado. O potencial de desenvolvimento de novos produtos e serviços contém, cada vez mais, o sentido de estar oferecendo novidades ao mercado a uma velocidade sem precedentes.
A célula básica facilitadora de todo este avanço foi a aplicação, em larga escala, da digitalização, conceito que possibilitou a todo um conjunto de equipamentos, componentes, lógica e programasiniciar a disponibilização de funcionalidades tais como, interatividade, interoperabilidade, mobilidade e virtualidade.
Sobre este assunto, CASTELLS (1999, p. 91) já sinalizava no século passado:
Devido à importância de contextos históricos específicos das trajetórias tecnológicas e do modo particular de interação entre a tecnologia e sociedade, convém recordarmos algumas datas associadas a descobertas básicas nas tecnologias da informação. Todas têm algo de essencial em comum: embora baseadas principalmente nos conhecimentos já existentes e desenvolvidas como uma extensão das tecnologias mais importantes, essas tecnologias representaram um salto qualitativo na difusão maciça da tecnologia em aplicações comerciais e civis, devido a sua acessibilidade e custo cada vez menor, com qualidade cada vez maior.
Assim, o microprocessador, o principal dispositivo de difusão da microeletrônica, foi inventado em 1971 e começou a ser difundido em meados dos anos 70. O microcomputador foi inventado em 1975, e o primeiro produto comercial de sucesso, o Apple II, foi introduzido em abril de 1977, por volta da mesma época em que a Microsoft começava a produzir sistemas operacionais para microcomputadores. A Xérox, matriz de muitas tecnologias de software nos anos 90, foi desenvolvida nos laboratórios PARC em Palo Alto, em 1973. O primeiro comutador eletrônico industrial apareceu em 1969, e o comutador digital foi desenvolvido em meados dos anos 70 e distribuído no comércio em 1977. A fibra ótica foi produzida em escala industrial pela primeira vez pela Corning Glass, no início da década de 1970.
Além disso, em meados da mesma década, a Sony começou a produzir videocassetes comerciais, com base em descobertas da década de 1960 nos EUA e na Inglaterra, que nunca alcançaram produção em massa. E, finalmente, mas não menos importante, foi em 1969 que a ARPA (Agência de Projetos de Pesquisa Avançada do Departamento de Defesa Norte-Americano) instalou uma nova e revolucionária rede eletrônica de comunicação que se desenvolveu durante os anos 70 e veio a ser tornar a Internet. Ela foi extremamente favorecida pela invenção, por Cerf e Kahn em 1973, do TCP-IP, o protocolo de interconexão em rede que introduziu a tecnologia de "abertura", permitindo a conexão de diferentes tipos de rede.
No passado recente as tecnologias implementadas foram tradicionalmente tratadas e disponibilizadas por meio de sistemas e serviços separados.
No processo de digitalização as informações que transitam pelas redes mantêm a natureza de suas individualidades e possuem formato idêntico, podendo conviver lado a lado sem nenhum tipo de problema. São bits de voz, de áudio, de dados, de vídeo. Como a rede é inteligente, sabe discernir a natureza de cada um deles e propiciar um tratamento diferenciado aos serviços, organizando-os em classes distintas.
Com o surgimento da convergência tecnológica e a sua aplicação prática, cada vez maior, ao entrar no segundo milênio, o impacto direto na sociedade, como um todo, vem crescendo e gerando muitos desdobramentos, sendo alguns deles imprevisíveis.
A convergência, porém, não é apenas uma unificação de tecnologias sobre os mesmos meios de comunicação. A convergência abrange também a ampliação de funcionalidades, cuja implantação não era viável em sistemas isolados.
A convergência tecnológica é um conceito integrador de telecomunicações, de computação, incluindo Internet e de processamento de imagens para operação sobre uma mesma plataforma, que anteriormente era tratada por sistemas distintos, fornecendo ao usuário informações e aplicações:
O principal intuito da convergência tecnológica é fornecer ao usuário, acesso a suas informações e aplicações em qualquer lugar, de qualquer rede, por qualquer canal de comunicação, através de uma interface homem máquina coerente, com qualidade adequada e de forma transparente, ou seja, tudo que a sociedade de informação atual necessita.
Os conceitos de convergência são fundamentados, segundo PEREIRA FILHO (2005), em dois elementos principais. O primeiro deles decorre da capacidade de que as novas tecnologias dispõem de "oferecer os mesmos serviços através de múltiplas plataformas". Esse exemplo está ligado ao serviço de comunicação de voz, que pode ser provido por plataformas de telefonia fixa, de telefonia móvel ou ainda por outras. O segundo caso é o da integração, que pressupõe a "possibilidade de oferecer serviços mais atraentes pela integração de serviços anteriormente distintos", a exemplo do computador pessoal com acesso à banda larga, que possui a capacidade de suportar multisserviços como voz, vídeo, áudio e dados. (Paz Filho, 2008)
A convergência tecnológica alia as mais avançadas técnicas de integração de sistemas computacionais distribuídos, com sistemas de telecomunicações. O resultado é a integração de vídeo, dados, voz, imagem de forma única e transparente ao usuário.
Este conceito exige capacidade de:
Na frente tecnológica, a digitalização combinada com a redução de custos, o aumento do poder da computação e o desenvolvimento do padrão IP universal, tornou possível ter quase omnipresentes dispositivos multimídia de baixo custo. Além disso, a convergência oferece aos provedores de serviços uma oportunidade para reduzir custos e aumentar as receitas ao oferecer serviços multimídia. Esses e outros fatores se juntam para conduzir a implantação de convergência entre os diferentes mercados.
A convergência tecnológica, juntamente com a padronização, permite uma comunicação transparente e modular entre distintos serviços através da rede, com a possibilidade de entrega de um conjunto mais amplo. Por isso, os fabricantes e programadores de podem trabalhar de maneira diferente, mas coordenada.
Os cenários e as formas de distribuição do conteúdo envolvendo os sistemas de telecomunicações e de radiodifusão são representados pela figura 3, a seguir.
Figura 3: Cenários e formas de distribuição de conteúdo Fonte: UFF – Apostilas de cursos de pós-graduação
Aspectos regulamentares
Devido ao novo contexto socioeconômico que favoreceu a redução do tamanho do Estado, as agências reguladoras surgiram no mundo, com a missão de exercer a regulação. De um modo geral, não seguem um modelo comum e nem sempre têm poderes comparáveis. Representam a intervenção estatal na economia por meios diferentes a da participação direta, equivalendo à coordenação, ao condicionamento e ao disciplinamento da atividade econômica.
A criação destes novos organismos foi justificada pela necessidade de controlar, normatizar e fiscalizar, bem como de mediar a busca de equilíbrio entre Estado, usuários e prestadores das atividades que ensejam a regulação estatal.
A característica mais importante do novo modelo é a necessidade de neutralidade e independência do ente regulador, ante os interesses díspares das entidades que estão sendo reguladas, especialmente o governo. Ao mesmo tempo, o requisito essencial para o exercício de um poder moderador neutro é a tão controvertida questão da independência das agências reguladoras. Nesse sentido pensa ARAGÃO (2003, p. 9):
Entendemos que a independência das agências reguladoras deve ser tratada sem preconceitos ou mitificações de antigas concepções jurídicas que, no mundo atual, são insuficientes ou mesmo ingênuas. Com efeito, limitar as formas de atuação e organização estatal àquelas do século XVIII, ao invés de, como afirmado pelos autores mais tradicionais, proteger a sociedade, retira-lhe a possibilidade de regulamentação e atuação efetiva de seus interesses.
Ao longo dos últimos anos, a convergência tecnológica vem requerendo da área regulatória um conjunto de novas propostas visando à adequação e/ou compatibilização das formas de outorga, ou seja, a substituição gradual dos modelos de licenciamento tradicionais, vinculados a serviços, redes ou tecnologias específicas, por regimes simplificados e tecnologicamente neutros. (Paz Filho, 2008)
Este processo evolutivo é inevitável, cabendo aos países apenas ajustar o tempo em que as mudanças deverão ser conduzidas. Ninguém duvida que a migração entre modelos de outorga seja uma tarefa óbvia, pois atrelada às mudanças existe um conjunto de leis, planos e regulamentos que sinalizam para o mercado o respeito e a seriedade dos marcos regulatórios.
De acordo com WALDEN (2005), o licenciamento é um aspecto chave da regulação no segmento das telecomunicações, uma vez que o mesmo é empregado como instrumento para organizar e disciplinar mercados, bem como auxilia a condução de políticas públicas para o setor.
De acordo com PAZ FILHO(2008), nos últimos anos, muitos países optaram por aperfeiçoar seus regimes de licenciamento no intuito de adequá-los ao fenômeno da convergência tecnológica. No entanto, a migração dos modelos de outorga não se trata de tarefa trivial, sobretudo em nações emergentes, que são permanentemente exigidos a sinalizar aos agentes externos, a estabilidade de seus marcos regulatórios. Por esse motivo, os processos de reforma dos sistemas de licenciamento são usualmente implementados de maneira suave, com o fim de preservar o equilíbrio adequado entre segurança regulatória e estímulo ao desenvolvimento de novos serviços.
Ainda segundo PAZ FILHO(2008), o Brasil encontra-se diante desse desafio. Ao mesmo tempo em que determinados agentes de mercado requerem do poder público o dinamismo para implantar mudanças imediatas no modelo de outorgas, o legado institucional impede o Estado de adotar medidas que alterem abruptamente o sistema regulatório.
Sob essa nova perspectiva, para prestar quaisquer serviços pelas mais distintas plataformas, os operadores são submetidos a procedimentos sumários, no intuito de reduzir barreiras à entrada no mercado e, consequentemente, contribuir para a construção de um ambiente de maior competição. Embora à primeira vista a evolução em direção a sistemas de licenciamento convergentes possa parecer uma decisão governamental de cunho meramente administrativo, ela implica em significativas transformações de ordem regulatória. (Paz Filho, 2008)
Segundo Bezzina e Terrab (2005), a neutralidade tecnológica é a receita para evitar a intervenção pública na escolha de soluções tecnológicas para os mercados. A neutralidade tecnológica é parcialmente baseada na convergência tecnológica, na medida em que serviços similares podem ser fornecidos por distintas plataformas tecnológicas e indica o modo de como os regulamentos devem procurar promover a competição entre as soluções de tecnologia diferentes, ao invés de escolher um vencedor.
No entanto, a escolha da neutralidade vai além da convergência tecnológica, uma vez que se baseia em uma política mais profunda que é a da limitação da intervenção pública nas direções de desenvolvimento das tecnologias. A ideia é que os mecanismos de mercado são melhores em fazer essas escolhas e que os riscos de que o setor público decida por opções tecnológicas "erradas" são grandes. Assim sendo, a neutralidade tecnológica é considerada uma boa estratégia para a regulação.
Sobre o tema dos modelos organizacionais para os organismos reguladores, considera-se que a estrutura hierárquica funcional representa tipicamente uma visão fragmentária e estanque das responsabilidades e das relações de subordinação, enquanto a estrutura por processo supõe uma visão dinâmica da forma pela qual a organização produz valor. Uma estrutura organizacional baseada em processos é construída em torno do modo de fazer o trabalho, e não em torno de habilitações específicas.
A visão de processo das atividades funcionais representa uma modificação revolucionária, equivalendo a virar uma organização de cabeça para baixo ou, pelo menos, de lado. Uma orientação por processos nos negócios envolve elementos de estrutura, enfoque, medição, propriedade e clientela, elementos estes que não orientam uma estrutura hierárquica funcional.
A estrutura por processos apresenta as seguintes vantagens em comparação com a estrutura funcional:
No caso do organismo regulador das telecomunicações no Brasil, a ANATEL, os macros processos envolvendo as principais atividades são:
Para dar celeridade às deliberações da agência foram promovidas alterações em dispositivos visando: dar agilidade ao fechamento dos processos; diminuir o volume de processos repetitivos no conselho diretor; delegar competências atribuídas exclusivamente ao conselho diretor; atribuir juízo de admissibilidade à autoridade recorrida; uniformizar entendimento mediante expedição de súmula; incluir procedimentos, atualmente regidos por súmulas e portarias, não previstos no regimento em vigor.
Evitar a concentração de poder nessa ou naquela superintendência também foi considerado um atributo essencial na organização da nova estrutura, orientada a corrigir, naturalmente, os erros identificados na estrutura anterior.
A nova proposta, consolidada e aprovada em 30 de abril de 2013, consistiu na criação de oito novas superintendências em conformidade com a estrutura mapeada por processos apresentada na figura 4, a seguir.
Figura 4: Nova estrutura da ANATEL organizada por processos Fonte: ANATEL – Organograma – 2013
Aspectos de mercado e de serviços
A telefonia fixa foi praticamente o único serviço oferecido pelas empresas estatais até o final dos anos 80. Neste momento surgiu no Brasil a telefonia celular que deu seus primeiros passos em 1989 no Rio de Janeiro. A Internet passou a ser oferecida comercialmente em 1995. Com o desenvolvimento das tecnologias de transmissão digital por radio e pelas fibras óticas, os serviços de telecomunicações evoluíram possibilitando uma ampla oferta aos consumidores.
Um grande mercado acabou se desenvolvendo no país. A quantidade de novos serviços, como telefonia fixa, serviço móvel celular, acesso à internet através das redes fixa e móvel e a Televisão por assinatura, evoluiu de forma expressiva, nos últimos quinze anos (a partir da privatização em 1998), conforme mostrado nos gráficos 3, 4, 5 e 6.
Gráfico 3: Acessos de telefonia fixa no Brasil (1997 – 2013) Fonte: ANATEL – Relatório Anual - 2013
Gráfico 4: Acessos de serviço móvel pessoal no Brasil (1997 – 2013) Fonte: ANATEL – Relatório Anual - 2013
Gráfico 5: Acessos banda larga no Brasil (1997– 2013) Fonte: ANATEL – Relatório Anual - 2013
Gráfico 6: Acessos de TV por assinatura no Brasil (1997 – 2013) Fonte: ANATEL – Relatório Anual - 2013
É importante destacar que no decorrer do ano de 2003 o quantitativo de acessos móveis ultrapassou o de acessos telefônicos fixos e, ao final de 2013, já era seis vezes maior, com uma densidade próxima de 1,4 (140 celulares por cada 100 habitantes).
Sendo assim, os serviços de telecomunicações passaram a ser explorados por empresas de três grandes setores: o de telefonia fixa, o de TV por assinatura e o de serviço celular. A rede de telefonia fixa que já foi distinta da rede de dados atualmente integra uma mesma infraestrutura para oferta de serviços, do mesmo modo as empresas de TV a cabo que ofereciam apenas programação linear e as empresas de telefonia celular que ofertavam voz como único serviço.
De acordo com a informação publicada pela ITU, em 11 de outubro de 2012, o Brasil é o segundo país mais dinâmico do mundo nas telecomunicações. Como conceito estabelecido pelo organismo internacional, este dinamismo se caracteriza pela capacidade de um país em ampliar e melhorar sua rede de telecomunicações.
Além disso, a ITU sinalizou em seu relatório chamado "Medindo a Sociedade de Informação" que o Brasil possui a quarta maior receita de telecomunicações do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, Japão e China.
As receitas globais brasileiras atingiram os valores US$ 75,5 bilhões (dados de 2009). Já os Estados Unidos lidera o ranking com US$ 350 bilhões, seguidos pelo Japão e China com US$ 150 bilhões e US$ 129 bilhões respectivamente.
Segundo a Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil), em comunicado divulgado a imprensa em 30 de agosto de 2012, as telecomunicações brasileiras, apesar dos resultados expressivos apresentados no decorrer dos últimos anos, enfrentam grandes desafios que precisam de um tratamento adequado por parte da sociedade, do governo e do setor privado.
A Associação informa em seu relatório anual que ao final do ano de 2013 o Brasil contava com 4.455 (quatro mil quatrocentas e cinquenta e cinco) empresas detentoras de outorgas da ANATEL para prestar os seguintes serviços de telecomunicações:
A força de trabalho envolvendo o setor de telecomunicações no Brasil era de 516,5 mil pessoas, ao final de 2013, quantidade 1,1% maior que a registrada no final de 2012 (511,2 mil pessoas), - distribuída da seguinte forma:
É importante destacar que ao final do ano de 2010, a força de trabalho na Prestação de Serviços de Telecomunicações era de 148,3 mil pessoas assim distribuídas:
No plano de investimento na expansão, modernização e melhoria da qualidade da prestação de serviços de telecomunicações foram aplicados R$ 36,9 bilhões na aquisição de outorgas durante o período de 1997 a 2011, além dos R$ 22,4 bilhões arrecadados na privatização.
O valor de mercado das prestadoras de serviços de telecomunicações (Fixa, Celular e TV por Assinatura) com ações negociadas na BOVESPA era de R$ 147,6 bilhões no final de 2012. Um ano depois, em dezembro de 2013, este valor se reduziu para R$ 106,6 bilhões.
No final do ano de 2013, as empresas prestadoras de serviços de telecomunicações no Brasil contavam com as seguintes unidades geradoras de receita:
Mesmo diante de toda a dinâmica do cenário apresentado anteriormente, decorrente do processo de privatização e da abertura do mercado de telecomunicações à concorrência, o setor enfrenta ameaças e oportunidades de consolidação, considerando principalmente o fenômeno da globalização.
Tais desafios que incluem mudanças regulatórias, demandas dos clientes por novos produtos & serviços, têm como pano de mundo a convergência tecnológica e o crescimento cada vez maior da Internet.
Neste mercado tão competitivo, os modelos de negócio são cada vez mais incertos, colocando o futuro das organizações em cheque. Os paradigmas historicamente estáveis estão sendo questionados de uma forma mais intensa e frequente.
As empresas têm trabalhado na abertura de novas oportunidades de negócio e com um dinamismo que caracteriza uma indústria concentrada composta por entidades que faturam bilhões de dólares por ano, posição que necessita de investimentos seja através de inovações, seja através de ativos necessários para assegurar o crescimento em novos mercados.
Na tabela 2 são mostrados os principais grupos de telecomunicações no Brasil.
Tabela 2: Principais grupos de telecomunicações no Brasil
Fonte: TELECO – Grupos de Telecomunicações
A aquisição de novos ativos tem sido comum durante a última década e não foi maior devido à crise financeira mundial, que, em última instância, acabou por limitar as ações dos grupos. As principais fusões e aquisições por parte destes grupos no Brasil são apresentadas na tabela 3, a seguir.
Tabela 3: Fusões e aquisições dos principais grupos de telecomunicações no Brasil
Fonte: TELECO – Grupos de Telecomunicações
A identificação das competências básicas funciona como uma ferramenta guia para a definição do que a empresa deve tratar de desenvolver e/ou adquirir capacidades adicionais, ou seja, ajuda na orientação para as alianças estratégicas, joint-ventures e aquisições.
Uma das premissas a ser considerada é o fato de que as alianças, joint-ventures e aquisições devem ser feitas de forma consciente para que possam proporcionar reduções no custo médio total da prestação dos serviços, potencializando resultados econômico-financeiros positivos.
As competências essenciais são a base para um acesso potencial a uma ampla variedade de mercados, agregando benefícios de alto valor e são percebidas pelos clientes nos produtos onde são aplicadas, além de serem difíceis de imitar pelos competidores.
De acordo com Prahalad e Hamel (1997):
"As competências essenciais são a aprendizagem coletiva da organização, especialmente como coordenar qualificações produtivas diversas e integrar múltiplas fontes de tecnologia."
As exigências dos clientes são crescentes e as empresas precisam estar se reorganizando e se reinventando de forma permanente. É um fenômeno aparentemente sem retorno, comparado ao mundo estatal monopolista vivido na história das telecomunicações.
Conforme pontuado por CUNHA e QUINTELLA (2004):
Muitas inovações tecnológicas nas telecomunicações não chegaram aos consumidores finais por falta de modelos de negócios adequados para prestação de serviços convergentes. Esta foi à conclusão da de pesquisa junto a profissionais de empresas do setor de telecomunicações durante o ano de 2004. Uma constatação importante da pesquisa de campo indicou que uma parcela significativa das inovações tecnológicas das redes de telecomunicação ainda não virou serviço comercializável. A barreira à introdução de novos serviços não é uma questão apenas de tecnologia disponível, mas também da falta de modelos de negócios adequados às inovações tecnológicas. Novos modelos necessitarão novas ferramentas de TI, ponto crítico para a competitividade das empresas deste setor.
Um dos principais fatores críticos de obtenção de sucesso para as empresas na área de telecomunicações é, atualmente, de agregar valor aos seus produtos e serviços.
O valor econômico adicionado ou simplesmente valor agregado é um conceito que permite medir o valor criado por um agente econômico. É o valor adicional que adquirem os bens e serviços a serem elaborados durante o processo de produção.
Em uma empresa o valor adicionado é a contribuição adicional de um recurso, atividade ou processo para fabricar um produto ou prestar um serviço.
Agregar valor, então, é um atributo que buscamos na percepção do cliente, e o capital intelectual é o responsável deste atributo intangível sobre o "preço". O valor percebido ocorre no momento de aquisição do bem, através da disponibilidade de atendimento, de facilidades ofertadas, de relacionamento com o serviço, de serviços de pós-venda (garantia, assistência, etc.), segundo o interesse do cliente, em forma. Enfim, um conjunto de atitudes e ações que somente o capital intelectual promove.
O valor agregado é a percepção que o cliente (consumidor) tem de um bem (produto ou serviço) que atenda às suas necessidades em comparação com um bem disponibilizado na concorrência, tendo em conta o conjunto preço x benefício. É um atributo de qualidade (não tangível), agregado, adicionado, um diferencial que a percepção do cliente justifica sua opção entre os demais bens substitutivos que se oferecem no mercado.
No âmbito das telecomunicações, o Serviço de Valor Agregado (SVA) é definido, no artigo 61 da LGT, como a atividade que se soma a um serviço de telecomunicações, que lhe dá suporte, mas que não deve ser confundido com o mesmo. As novas utilidades estão relacionadas com, o acesso, o armazenamento, a apresentação ou a recuperação de informações.
Os SVA’s não são considerados como serviços de telecomunicações, classificando seu provedor como cliente do serviço de telecomunicações que lhe dá suporte. Aos interessados em prestar serviços de valor adicionado foi assegurado o uso das redes de serviços de telecomunicações.
São exemplos de serviços de valor adicionado:
O serviço móvel é o exemplo mais característico do compromisso das empresas com a melhoria de seus resultados. O gráfico 7 mostra a substancial redução da receita média por usuário de voz, assim como o crescimento gradual, da receita média por usuário de SVA (dados).
Gráfico 7: ARPU do serviço móvel no Brasil Fonte: TELEBRASIL – Panorama do Setor – 2013
Com a convergência, o acesso a diversas redes de comunicação tende a ser trivial, o que leva a aumentar a percepção do valor do conteúdo. Dessa forma, os consumidores tendem a dirigir sua atenção aos provedores de serviços que oferecem acesso a melhor notícia, aos jogos de seus esportes favoritos, filmes, música, etc. Existe uma tendência de redução das receitas de acesso e disponibilidade, e o aumento das receitas nos serviços que oferecem conteúdo que deverá ser mais valorizada pelos clientes.
Outra forma muito comum de agregar valor aos produtos e serviços oferecidos ao mercado e que tem sido amplamente utilizado pelos operadores são os pacotes de serviços convergentes que combinam voz, dados e TV por assinatura através das redes fixas e/ou móveis, sejam estas redes tecnologicamente convergentes ou não. Esta estratégia tem como objetivo indicar ao cliente que a empresa é capaz de atendê-lo em todas as suas necessidades, apresentando um portfólio completo e qualificado.
Os novos modelos de negócio que as empresas estão adotando guardam uma importante relação com os estudos sobre inovação em serviços, ou seja, a capacidade que a organização tem de entender o cliente e, consequentemente, definir quais serão esses novos serviços, quais serão seus componentes, suas funcionalidades, como será a cobrança por eles e como transformará os mesmos em um modelo de negócio rentável para a empresa.
Aspectos de captação e desenvolvimento de recursos humanos
Atualmente em nenhum outro setor da economia brasileira, a escassez de profissionais qualificados é tão perceptível quanto na engenharia, em qualquer de suas especializações. Estudos variados comprovam esse cenário e até o próprio governo federal já diagnosticou essa realidade.
Vimos um exemplo dessa defasagem quando, em meados de 1999, empresas da área de telecomunicações, nacionais e estrangeiras instaladas no Brasil, procuraram o Ministério da Educação interessadas em discutir a atualização dos currículos dos cursos de Engenharia Elétrica voltados para essa área específica, cujos egressos eram tradicionalmente absorvidos pelas empresas do Grupo TELEBRAS e empresas fornecedoras de equipamentos. A privatização do Sistema TELEBRAS alterou profundamente as características das empresas da área de engenharia de telecomunicações, especialmente nas exigências de qualidade e competitividade, resultando em um cenário de terceirização de atividades e no aumento da demanda por engenheiros de telecomunicações com exigências de competências e habilidades muito diferentes daquelas encontradas tradicionalmente nos cursos de graduação em engenharia de telecomunicações. Este exemplo demonstrou a necessidade por parte instituições de ensino de reestruturarem os currículos de engenharia, conferindo maior flexibilidade e a liberdade de escolha ao aluno (diminuindo o número de disciplinas obrigatórias e a quantidade de pré-requisitos, aumentando a oferta de disciplinas eletivas, as possibilidades de "dupla habilitação" e integrando as demandas do mercado e das tecnologias nos planos de estudo). Estas iniciativas, contudo, ainda continuaram encontrando limitações nas exigências do currículo mínimo em vigor e na inércia das estruturas tradicionais de organização acadêmica.
O Brasil possuía em 2006 seis engenheiros para cada grupo de mil pessoas, de acordo com estudos da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O ideal, de acordo com a FINEP, seriam pelo menos 25 por 100 mil habitantes, proporção verificada nos Estados Unidos e Japão. O Brasil gradua cerca de 26 mil engenheiros por ano, enquanto a China forma 450 mil, a Índia 200 mil e a Coreia do Sul 80 mil.
O mesmo estudo da CNI, entidade que representa o setor produtivo nacional, diagnostica que dos que se diplomam anualmente no Brasil, mais da metade opta pela engenharia civil, a área que menos emprega tecnologia. Assim, setores como o do petróleo, de gás biocombustível, de telecomunicações são os que mais sofrem com a escassez desses profissionais.
Os países em desenvolvimento possuem maior demanda de engenheiros do que países já estabilizados. O Brasil tem apresentado índices de crescimento superiores à média mundial. Essa realidade funciona como um motor que impulsiona investimentos. Os engenheiros e técnicos de alto nível passam a ser os personagens principais entre os agentes econômicos.
Duas décadas de estagnação econômica reduziram de forma drástica a demanda e, consequentemente, a oferta de engenheiros no país. A profissão foi ainda mais desvalorizada com a precariedade da física, da química e da matemática ensinada nas escolas. Hoje, com a retomada do crescimento, o mercado se vê às voltas com um gargalo sem tamanho: a falta de mão de obra especializada para tocar projetos de construção civil, siderurgia, metalurgia, automação, telecomunicações, petroquímica e tantas outras áreas da engenharia.
Por conta desta deficiência, o Brasil torna-se atrativo para engenheiros estrangeiros, principalmente da Europa, que enfrenta forte recessão e apresenta altas taxas de desemprego.
O Brasil precisa reagir e investir na formação de mais engenheiros, porém não pensando apenas em quantidade, mas em qualidade. Este déficit de engenheiros afeta o desenvolvimento tecnológico, acarretando em perda de competitividade frente ao mercado internacional. Cada vez mais o país precisa importar tecnologia estrangeira.
O presidente do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CONFEA), engenheiro Marcos Túlio de Mello, em declaração à imprensa foi taxativo: "Sem engenheiros qualificados, não há como programar nenhum projeto de desenvolvimento nacional. O Brasil precisa dobrar o atual número de engenheiros para garantir um crescimento econômico da ordem de 5% (cinco por cento) ao ano. E precisa triplicar esse número se quiser ter um mínimo de competitividade no cenário internacional".
Estudo feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com o CONFEA, deixa claro o potencial do mercado: as demandas do setor mineral impulsionam a engenharia de minas; o crescimento da indústria de produtos alimentícios, a engenharia de alimentos; a engenharia civil passa por um momento extremamente positivo com o PAC; o crescimento econômico também exige cada vez mais mão de obra especializada em engenharia elétrica e de telecomunicações; a engenharia ambiental ganhou novo status com as modernas exigências de desenvolvimento ecologicamente sustentável.
O gráfico 8 mostra o quantitativo de estudantes vinculados à área de engenharia no Brasil (2010) comparando com os demais países dos BRICS e outros.
Gráfico 8: Total de estudantes matriculados nos cursos de graduação e pós-graduação da área de engenharia (setor público, privado e total) – 2010 Fonte: WORLD BANK
No contexto da modernidade, não se pode ficar restrito as estruturas da universidade, mas considerar principalmente sobre seu papel e sua função, ou seja, sobre o tipo de formação que oferta em seus cursos. Assim, fica cada vez mais patente a importância estratégica do conhecimento, num cenário de permanente mudança, bem como diante das exigências de sua aplicabilidade na produção de produtos e serviços em um mercado global e tecnologicamente desafiador, como é o de telecomunicações.
A análise das especificidades da modernidade está ligada às discussões contemporâneas sobre as mudanças ocorridas na forma de produção do conhecimento, as novas relações que emergem no cenário atual bem como os novos atores que surgem e definem situações estratégicas a partir de processos consensuais de negociação para a produção do conhecimento.
O estudo de benchmarking promovido pelo World Bank International de 2012 mostra que Rússia e Inglaterra são os países que apresentam a maior taxa de mestres na área de tecnologia em relação aos graduados da mesma área, enquanto o EUA e Brasil apresentam as maiores taxas de doutores sobre mestres da área. Vide gráfico 9, a seguir.
Gráfico 9: percentuais de mestrandos/graduandos, doutorandos/graduandos e doutorandos/mestrandos – 2010 Fonte: WORLD BANK
Diante desse cenário, não é possível ater-se a tradições que resistam ao "novo", sob o risco de perderem-se as condições estratégicas de inserção diferenciada do país na disputa por tecnologia e conhecimento, resultando em uma perda de soberania e de segurança nacional, além da capacidade de geração de empregos, de melhoria de renda e de condições de vida de todos.
Na Alemanha, dona da quarta maior economia do mundo, que possui forte tradição na qualificação de mão de obra, a maioria dos alunos do ensino médio está matriculada em cursos técnicos que usam o sistema dual de aprendizagem. O modelo alia a educação na escola profissionalizante ao estágio em alguma empresa, unindo teoria e prática por três anos. Dessa combinação, saem os profissionais moldados para as diferentes demandas do mercado.
A diferença entre o número de brasileiros no ensino superior (6,7 milhões) em relação ao de matriculados em cursos técnicos de nível médio (1,2 milhão) é um "paradoxo com o qual não se pode conviver". Usando palavras da presidente Dilma Rousseff, quando lançou o PRONATEC em 2012 "no mundo inteiro essa relação é absolutamente diferente".
Segundo especialistas, apesar do crescimento de 60% nos últimos cinco anos, a quantidade de jovens na educação profissional é proporcionalmente, inferior não só à de países desenvolvidos, mas também de países como a Argentina e Chile. Esta realidade impõe ao Brasil uma série de desafios para atender à demanda por mão de obra qualificada em uma economia emergente.
A necessidade de contratar técnicos não é nova, mas se intensificou na esteira da expansão do PIB e face às projeções de investimentos do setor privado. Só o SENAI prevê que o país terá de formar 7,2 milhões de trabalhadores em nível técnico e em áreas de média qualificação para atuar em 177 ocupações industriais até 2015.
Enquanto isso, quase 8 milhões de estudantes seguem o ensino médio tradicional, com as disciplinas teóricas de preparação para o exame de seleção para a universidade e muitas vezes uma realidade distante dos jovens e do mercado de trabalho.
Os processos de ensino mediado por computadores e dos ambientes virtuais de aprendizagem sugerem transformações prementes no redimensionamento do papel da escola e do professor. Com clareza, DRUCKLER (1999) chama a nossa atenção quando afirma que "a tecnologia será importante, mas principalmente porque nos força a fazer coisas novas e não porque irá permitir fazer melhor as coisas velhas".
Com a crescente competitividade do mundo corporativo, muitas empresas não podem aguardar que o sistema educacional vigente ofereça os melhores profissionais quando estes são recém-saídos dos bancos escolares. Para suprir a demanda do mercado de trabalho e reter talentos, as grandes corporações vêm investindo em estruturas de treinamento e formação de pessoal: são as chamadas "universidades corporativas".
Estes núcleos destinam-se a coordenar e direcionar a formação de profissionais aos objetivos da corporação. Inicialmente as empresas trabalhavam na especialização de seus principais talentos através do financiamento de cursos de especialização e MBA´s, tendo como premissa a retenção destes empregados. Contudo, com o decorrer do tempo, constatou-se que este processo também estava qualificando estes profissionais para o mercado. Era mais um plano de carreira pessoal do que um benefício para a organização. No conceito da universidade corporativa, o conhecimento está direcionado aos objetivos estratégicos das empresas.
Uma das formas mais utilizadas na atualidade pela grande maioria das empresas de tecnologia e de prestação de serviço, especialmente as privadas é o estabelecimento de parcerias com entidades de ensino especializadas na produção de conhecimento. O papel assumido por estas empresas é o de facilitador entre a oferta e a demanda (instituição de ensino e profissionais da empresa de tecnologia, através da construção de um processo do tipo ganha-ganha, visando a redução de custos para os profissionais da organização na busca de capacitação em troca da divulgação dos cursos no âmbito das empresas de tecnologia e prestadoras de serviços.
Neste "novo mundo", a regra é a transdisciplinaridade, entendida como a interação de diferentes habilidades; criatividade; difusão dos conhecimentos produzidos; interação entre distintos contextos de problemas e construção de canais informais de comunicação. As organizações deixam de ter uma estrutura hierárquica cristalizada, definindo-se por estruturas temporárias e flexíveis, com grande variedade de instituições. Ao lado destas transformações estruturais, encontra-se uma mudança de atitude em relação à avaliação da produção do conhecimento, o qual se torna reflexivo e socialmente responsável, ou seja, com uma maior preocupação acerca de problemas públicos relacionados com os efeitos dos avanços científicos e um maior o número de grupos que desejam influir nos resultados da pesquisa científica nesta mesma área.
Segundo WEIL (1993), a multidisciplinaridade é a justaposição de várias disciplinas sem nenhuma tentativa de síntese. O conhecimento limitado foi perdendo o falso sentido quando a humanidade descobriu que, de fato, ele é infinito. Complementando WEIL (1993) afirma que, "a multidisciplinaridade e a pluridisciplinaridade são produtos da fragmentação da mente humana".
De acordo com NICOLESCU (1994):
Qualquer tentativa de reduzir o ser humano a uma mera definição e de dissolvê-lo nas estruturas formais, sejam elas quais forem, é incompatível com a visão transdisciplinar.
O ambiente convergente é intrinsecamente transdisciplinar e, dessa forma, as instituições de ensino devem ter como meta o estabelecimento de ações para que seus processos estejam adequados a esta nova realidade.
No contexto anterior na área de telecomunicações e radiodifusão pode ser citada, como exemplo isolado, a Universidade Federal Fluminense (UFF). Esta instituição pública se encontra entre as cinco maiores do país na área da educação de nível superior e é uma das lideranças indiscutíveis em todo o Brasil em matéria de produção de conhecimento, sendo formadora dos principais talentos e detentora do melhor departamento de telecomunicações do estado do Rio de Janeiro e o melhor do Brasil ao lado da Universidade Nacional de Brasília-UnB, segundo a última avaliação do MEC/ENADE.
A formação acadêmica da UFF na área da pós-graduação em telecomunicações é abrangente, sendo composta dos seguintes programas:
Notas do Autor
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