Seção: Tutoriais Operação

 

Grupo OI

 

No leilão de 1998, a Tele Norte Leste correspondia a uma área geográfica envolvendo dezesseis estados da federação e de acordo com a organização do antigo sistema TELEBRAS, a um total de dezesseis empresas de telefonia fixa.

 

Este bloco inicialmente fragmentado possuía cerca de 7,5 milhões de acessos telefônicos fixos em funcionamento. Era a maior dentre todas as áreas a ser privatizadas, mas não a mais atrativa: devido à quantidade de empresas envolvidas, possuía um custo potencial de integração extremamente elevado. Não se tinha, até então, no mundo, situação similar.

 

A Tele Norte Leste representava para o governo federal o maior desafio no processo de privatização.

 

Acionistas controladores da Telemar

 

Uma das grandes preocupações do governo brasileiro com relação ao processo de privatização das telecomunicações estava centrada na hipótese de que alguma área da telefonia fixa ficasse, em um primeiro momento, sem um comprador. Caso esta situação se confirmasse na prática, levaria o governo federal a dar continuidade ao processo de administração destas empresas até que um novo leilão fosse programado.

 

Como o Brasil foi dividido em três áreas geográficas envolvendo a prestação do serviço de telefonia local e longa distância regional, a margem de segurança estabelecida como premissa básica era de que deveria haver pelo menos quatro grupos capacitados a disputar o leilão e evitar surpresas de última hora.

 

Na prática esta situação, contudo não se configurou e, assim sendo, o Ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros, e a direção do BNDES estimularam o consórcio Telemar a disputar com o grupo liderado pelo Opportunity a área I do Plano Geral de Outorgas denominada de Tele Norte Leste.

 

Segundo o relato dos executivos do consórcio, o governo começou a agir na semana que antecedeu o leilão. Os sócios do Telemar afirmaram estar convencidos de que o governo só os estimulou por acreditar que perderiam a disputa para o Opportunity, ou seja, eles iriam desempenhar o papel de sparrings: lutadores de boxe usados nos treinos dos campeões.

 

O consórcio começou a se formar duas semanas antes do leilão e, segundo seus executivos, com grande dose de acaso. Os empresários Sérgio Andrade, da construtora Andrade Gutierrez, e Antônio Dias Leite (ex-sócio da Globo na empresa Multicanal) começaram a discutir uma parceria para o leilão da TELEBRAS.

 

O grupo paranaense Inepar, que já era sócio da banda B (telefonia celular) no Paraná e Santa Catarina, também buscava uma oportunidade para participar do leilão. Esses três empresários acabaram se encontrando com a BR Telecom, ligada ao grupo Riolistas, que editava as listas telefônicas do Rio de Janeiro. A BR Telecom havia estudado os "data-rooms" de todas as empresas da TELEBRAS e estava igualmente à procura de sócios. Acabou contratando o banco Fonte Cindam que tinha entre seus quadros o ex-presidente do BNDES, Eduardo Modiano, para auxiliá-la na tarefa. Por essa ocasião, juntaram-se a eles Carlos Jereissati, do grupo La Fonte, e o fundo de pensão do Banco do Brasil, Previ.

 

No dia 20 de julho, nove dias antes do leilão, os candidatos deveriam entregar a documentação na CLC (Câmara de Liquidação e Custódia) da Bolsa do Rio para a pré-habilitação. Cada um decidiu encaminhar sua papelada individualmente, deixando para definir o consórcio mais adiante.

 

A partir deste momento, segundo os executivos, que o Ministro das Comunicações e a alta direção do BNDES passaram a incentivá-los explicitamente para que disputassem a Tele Norte Leste com o consórcio liderado pelo Opportunity.

 

Nos dias que antecederam o leilão, representantes do consórcio foram recebidos pelo ministro Mendonça de Barros e pelo presidente e vice-presidente do BNDES, respectivamente André Lara Resende e José Pio Borges.

 

O governo havia autorizado o BNDES a financiar os empresários nacionais que participassem da privatização com 50% do preço mínimo de venda.

 

Segundo relato dos integrantes do consórcio Telemar, as autoridades citadas garantiam que eles teriam financiamento oficial.

 

O edital de venda da TELEBRAS não exigiu a presença de uma operadora estrangeira no consórcio. Mesmo assim, o BNDES sinalizou para o consórcio Telemar que gostaria que ele tivesse um sócio internacional, que trouxesse experiência administrativa e tecnologia.

 

Na véspera do leilão, os integrantes do Telemar propuseram à Telefonica de Espanha que aderisse ao grupo na condição de acionista minoritária. Segundo as regras fixadas pelo governo, um mesmo grupo não poderia comprar o controle de duas empresas de telefonia fixa, mas poderia ser majoritária em uma e minoritária em outra.

 

Até a véspera do leilão, era dado como certo que a Telefonica de Espanha iria apostar todas as fichas na compra da Tele Centro Sul, uma vez que já era sócia da Telefonica CRT, do Rio Grande do Sul.

 

Para a compra da Telesp fixa, os favoritos eram a norte-americana BellSouth (em parceria com o grupo Safra) e o consórcio formado pela Telecom Italia, Bradesco e Organizações Globo.

 

Com este cenário, o favorito para arrematar a Tele Norte-Leste era consórcio integrado pelo Opportunity e fundos de pensão, com participação minoritária da Telecom Italia.

 

Ocorre que o leilão foi uma completa surpresa. A BellSouth desistiu da Telesp, e os espanhóis ofereceram um ágio de 64,3%, arrematando a empresa por R$ 5,78 bilhões.

 

O Opportunity acabou ficando sozinho na disputa pela Tele Centro Sul e levou o que não queria. A Tele Norte Leste, para surpresa do próprio governo, foi comprada pelo consórcio Telemar com apenas 1% de ágio, sem nenhum concorrente.

 

O grupo acionista estava configurado, em 1999, conforme tabela 10.

 

Tabela 10: Acionistas da Telemar em 1999

ACIONISTAS

PARTICIPAÇÃO (%)

BNDESpar

25,00%

Andrade Gutierrez Participações S.A.

10,98%

Macal Investimentos e Participações Ltda

10,36%

Brasil Veículos

10,05%

Companhia de Seguros Aliança do Brasil

10,05%

Inepar S.A. Indústria e Construções

9,71%

Fiago Participações S.A.

9,68%

Outros

14,17%

TOTAL

100,00%

Fonte: Diário do Grande ABC

 

A participação anterior representava 51,79% do capital votante da Tele Norte Leste Participações S.A., um pouco mais do que um sexto do capital acionário total da empresa.

 

Resultados da Telemar nos primeiros anos

 

Pelo histórico apresentado anteriormente os próprios acionistas foram surpreendidos ao constatar que haviam vencido o leilão da privatização, por razões puramente circunstanciais. O governo federal tratou de viabilizar o negócio, de imediato, colocando o BNDESpar como principal acionista do grupo.

 

Neste momento inicial a estratégia pensada para o grupo foi a da valorização dos seus ativos recém-adquiridos na área de telecomunicações, com o desenvolvimento de um trabalho fortemente voltado para resultados, para oportunamente vendê-los ao mercado, auferindo, consequentemente, o maior lucro possível. Para viabilização desta proposta foi contratado um executivo com expertise neste tipo de negócio, o português naturalizado brasileiro Manoel Horácio Francisco da Silva.

 

Contudo, em 2001, os acionistas decidiram por uma guinada brusca no plano original, quando promoveram a substituição de seu CEO por outro executivo, José Fernandes Pauletti (vice-presidente da empresa) e investiram cerca de R$ 7,7 bilhões no ano, sendo que R$ 1,1 bilhões somente na aquisição de licenças para a exploração do serviço móvel celular na Região I do Plano Geral de Autorizações na faixa denominada "Banda D". Estes sinais deixaram claro para o mercado de que a empresa não estava mais a venda.

 

Nos primeiros anos o foco esteve voltado principalmente para processos que envolviam a centralização de atividades, padronização de equipamentos e sistemas como o objetivo de racionalização de custos, bem como em investimentos que visavam a antecipação das metas de universalização dos serviços constantes do contrato de concessão.

 

Estes dois pontos podem ser visualizados nos gráficos 36 e 37 apresentados a seguir:

 

 

Gráfico 36: Receita e lucro líquidos da Telemar (1999 – 2003)

Fonte: OI – Relatórios Trimestrais

 

 

 

Gráfico 37: Acessos telefônicos fixos da Telemar (1999 – 2003)

Fonte: OI – Relatórios Trimestrais

 

A receita líquida apresentou um forte crescimento nos cinco primeiros anos basicamente por conta da expansão da base de clientes fixos da empresa e principalmente do aumento da base móvel em todo o Brasil, propiciando um incremento substancial do fluxo de tráfego na rede.

 

Em 2002 foi criada a "OI", braço do serviço móvel da empresa, cuja base de clientes atingiu mais de 1,4 milhão de usuários ao final de 2002, revelando um desempenho muito bom em apenas seis meses de operação.

 

Apesar de todos os esforços feitos pela administração, a empresa nunca conseguiu auferir margens de lucratividade acima de 10%, com exceção ao ano de 2000 onde atingiu o valor de 13,2%.

 

Os investimentos efetuados na telefonia fixa, por conta das metas de universalização, não potencializaram os resultados esperados, ao contrário, tudo aquilo que muitos especialistas classificavam como a maior das vantagens, a rede de acesso, foi perdendo valor a cada ano, já que os serviços convergentes precisam de redes qualificadas para serem suportados.

 

Período de estagnação e perda de mercado

 

Entre os anos de 2004 a 2008, o grupo enfrentou um período de incertezas sobre a melhor forma de conduzir o negócio em um ambiente onde a convergência tecnológica se fazia cada vez mais presente. As principais dificuldades sempre estiveram ligadas a equilíbrio sustentável entre a geração de receitas e a necessidade de investimentos.

 

O mesmo fenômeno da assinatura básica ocorrido com a Telefonica acontecia na área 1 do PGO com o grupo Telemar.

 

O principal serviço da empresa, a telefonia fixa, já não produzia mais os recursos crescentes do passado, iniciando uma queda que viria a se acentuar ao longo dos anos.

 

No período de 2004 a 2008, pode se constatar uma estagnação total das receitas, conforme visualizado no gráfico 38.

 

 

Gráfico 38: Receita e lucro líquidos da OI (2004 – 2008)

Fonte: OI – Relatórios Trimestrais

 

A empresa acumulou uma perda de mercado no serviço fixo (telefonia e comunicação de dados), apresentando apenas uma trajetória de crescimento de market-share no serviço móvel celular, conforme apresentado no gráfico 39.

 

Gráfico 39: Market-share de acessos móveis da OI (2004 – 2008)

Fonte: TELEBRASIL – Panorama do Setor – 2013

 

Em julho de 2006, assumiu o comando do grupo, o executivo, Luiz Eduardo Falco, então presidente da OI em substituição a Ronaldo Iabrudi. Fontes do mercado informaram que a saída de Ronaldo Iabrudi, que estava no comando da empresa há cinco anos, foi baseada na proposta de reorganização do grupo, já que ele tinha um perfil mais voltado para a gestão das empresas e Falco um perfil mais voltado para os negócios.

 

Nesta mesma época a composição acionária do grupo estava configurada conforme tabela 11, a seguir.

Tabela 11: Acionistas da Telemar – 2006

ACIONISTAS

PARTICIPAÇÃO (%)

Andrade Gutierrez Participações S.A.

10,30%

La Fonte Participações S.A. (1)

10,30%

Asseca Participações S.A. (2)

10,30%

Fundação Atlântico (3)

10,30%

BNDESPar

25,00%

Fiago (4)

13,20%

Lexpart (5)

10,30%

Alutrens (6)

10,30%

TOTAL

100%

(1) La Fonte Participações S. A. – holding brasileira que controla empresas como a Iguatemi Empresa de Shopping Centers S.A.

(2) Asseca Participações S. A. – holding brasileira controlada pelo grupo Macal Group e pela GP Investimentos.

(3) Fundação Atlântico de Seguridade Social – entidade fechada de previdência complementar patrocinada pela Telemar.

(4) Fiago – fundos de investimentos.

(5) Lexpart Participações S. A. – holding controlada pelo Citybank e o Opportunity.

(6) Alutrens – grupo acionista envolvendo o Banco do Brasil e seguradoras privadas.

Fonte: TELECO – Estrutura Acionária – 2006

 

Compra da Brasil Telecom

 

No ano de 2007, já dentro do contexto da convergência empresarial, a OI torna-se a marca única da Empresa e de todos os seus serviços.

 

Já na época, a OI começou a oferecer um pacote completo de serviços, com telefonia fixa e móvel, internet e TV paga, inicialmente no Rio de Janeiro e Niterói, mas com planos de expandir para toda a sua região, até mesmo Minas Gerais, onde a companhia aquiriu a Way TV (empresa de TV a Cabo e banda larga), após a aprovação da ANATEL.

 

Em 2008 a OI iniciou suas operações móveis em São Paulo (Região III), através da aquisição da sub-faixa de frequências correspondente à banda M (1755 a 1765 MHz).

 

Neste mesmo ano (meados do segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva), o governo brasileiro entendeu ser extremamente oportuno a criação de uma super-tele de abrangência nacional do mesmo porte dos grupos espanhol e mexicano que dominavam o mercado brasileiro.

 

A ideia então seria a da aquisição pela OI do grupo Brasil Telecom com todos os seus ativos.

 

Tal decisão não precisaria submetida ao poder legislativo, uma vez que a Lei Geral de Telecomunicações dava o respaldo legal a esta proposta. O que precisaria ser feito era a elaboração de um novo Plano Geral de Outorgas (PGO) que eliminaria a limitação de que uma concessionária estaria restrita a apenas uma área. O novo PGO foi publicado em novembro de 2008 viabilizando legalmente a aquisição.

 

Segundo Mattos (2008):

 

A operação OI/BrT, à primeira vista, gera uma impressão que se estaria desconstruindo o modelo brasileiro de reforma das telecomunicações de 1998 e fazendo retornar a monopolização do mercado nacional, agora com uma empresa privada em lugar da Telebras. Tendo em vista os argumentos expostos, entendo que esta visão é equivocada, negligenciando todos os desenvolvimentos recentes do setor e suas implicações para a análise de atos de concentração desta natureza.

 

Sumariando as principais conclusões do texto:

  • A não sobreposição das infraestruturas de telefonia fixa entre Oi e BrT indica inexistir aumento de poder de mercado em decorrência da operação;
  • O processo de convergência tem aumentado a contestabilidade da telefonia fixa em um processo que, eventualmente, ocasionará a unificação dos mercados relevantes em um único mercado de comunicações eletrônicas;
  • Uma das alternativas importantes que tem se solidificado são as chamadas por VoIP, especialmente quando o custo unitário é maior, como é o caso de chamadas de longa distância nacional e internacional;
  • Tanto no caso das chamadas locais, como na longa distância, verifica-se crescente contestabilidade da telefonia fixa pela telefonia celular e vale realçar que neste segmento a operação OI/BrT é pró-competitiva;
  • Não há aumento do incentivo à discriminação por deterioração da qualidade dos rivais resultante da operação. Mesmo ainda havendo este incentivo, ele não será ampliado em virtude da operação.
  • O espaço para o exercício de poder de mercado, nos mercados de Internet, são bem menores daqueles existentes no âmbito da telefonia convencional. Em especial, cabe notar que se conectando em qualquer ponto da rede os usuários ou os provedores de acesso permanecem conectados automaticamente a Internet como um todo. Esta diferença com a telefonia convencional é essencial, dado que neste último caso, o acesso a uma rede, não implica acesso a outras redes.
  • A emergência do acesso sem fio à Internet tende a tornar ainda mais difícil o exercício de poder de mercado nesta rede.
  • Não faz sentido impor restrições de natureza regulatória no âmbito deste ou de qualquer ato de concentração no setor. O CADE não possui expertise técnica para uma intervenção adequada nesta linha, além de se introduzir uma indesejável assimetria com consequências negativas para o equilíbrio concorrencial neste mercado.

 

Na realidade a reformulação tinha outro ponto importante que deveria ser equacionado, ou seja, a eliminação dos segmentos financeiros e de fundos de investimentos na composição acionária da nova organização.

 

Após a publicação do novo PGO a OI encaminhou pedido de anuência pública para a ANATEL para a aquisição da Brasil Telecom.

 

A ANATEL concedeu anuência prévia para a operação através do ato 7.828 de 19/12/2008 que concedia um prazo de 18 meses para a eliminação de sobreposição de outorgas no grupo e para a devolução de Códigos de Seleção de Prestadora. Suspende também os direitos de voto e veto do BNDES na Sercomtel e estabelece condicionamentos para o ato de anuência listado em anexo ao ato.

 

Os condicionamentos estariam relacionados com:

  • A modernização e expansão da rede de fibra óptica nacional (para interligar cidades não atendidas);
  • A expansão da oferta comercial de banda larga (em todas as sedes de município que forem interligadas ao backhaul);
  • O estímulo ao uso do acesso comutado à Internet (disponível para 56% dos municípios da Região I);
  • Os serviços baseados na Internet (manter a neutralidade da rede);
  • A melhoria na comercialização de cartões indutivos;
  • A TV por assinatura (doar equipamentos);
  • A prestação do SMP (ações de preservação do meio ambiente);
  • O emprego de telecomunicações para fins de segurança nacional (doação de equipamentos e serviços);
  • Os investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento (equivalente a 50% do que recolhe ao FUNTTEL);
  • O acompanhamento do movimento de internacionalização (prestar informações);
  • A concorrência e as relações com outros prestadores de serviços de telecomunicações de interesse coletivo (criação da gerência comercial);
  • A manutenção de postos de trabalho (até 25 de abril de 2011);
  • O encerramento de litígios judiciais e administrativos (Amazônia Celular).

 

Em 2009 foi anunciada a "aquisição da BrT e a sua subsequente integração às operações da OI", dando "origem a uma companhia de telecomunicações com controle acionário 100% nacional, presente em todo o território brasileiro e com capacidade gerencial, operacional e financeira para ampliar suas operações nacional e internacionalmente".

 

O negócio, incluindo as ofertas públicas para adquirir as ações em circulação no mercado chegou a algo em torno de R$ 13 bilhões. A OI pagou aos acionistas da Brasil Telecom no início de 2009 um total de R$ 5,371 bilhões. A nova composição acionária ficou estabelecida, conforme tabela 12.

 

Tabela 12: Acionistas do grupo OI – 2009

ACIONISTAS

PARTICIPAÇÃO (%)

Andrade Gutierrez Participações S.A.

19,35%

La Fonte Participações S.A.

19,35%

BNDESPar

13,08%

Fundação Atlântico

11,50%

Previ (1)

12,96%

Petros (2)

10,00%

Funcel (3)

10,30%

TOTAL

100%

(1) Previ – fundo de previdência dos funcionários do Banco do Brasil.

(2) Petros – fundo de previdência dos funcionários da Petrobras.

(3) Funcel – fundo de previdência dos funcionários da Caixa Econômica Federal.

Fonte: TELECO – Estrutura Acionária – 2009

 

O ano de 2009 foi um divisor de águas na história do grupo. Após dez anos desde a sua privatização, a OI deixou de ser uma empresa regional, passando a atuar nacionalmente nos serviços móveis, fixos, acesso à internet em banda larga e de comunicação de dados.

 

Apesar de já planejado desde o anúncio da aquisição, o plano de ação do projeto de integração precisava tornar-se realidade, no prazo mais curto possível, adotando as melhores práticas de cada uma das empresas e capturando rapidamente os ganhos de sinergia identificados.

 

Inicialmente se trabalhou de forma intensa no processo de integração entre as duas empresas, situação esta já vivida anteriormente logo após a privatização na Região I.

 

O portfólio de serviços da OI foi relançado na região da Brasil Telecom, em etapas.

 

Do ponto de vista de engenharia foi realizado um trabalho de integração de redes com investimentos:

  • Em equipamentos com tecnologia NGN – New Generation Network;
  • No serviço móvel com a ampliação da capilaridade e capacidade das redes 2G e 3G por todo o Brasil;
  • Nas plataformas de serviços, permitindo a unificação das ofertas da OI em todas as regiões de outorgas;
  • Nas plataformas de mensagens de texto e multimídia, com foco na redução dos custos de operação e no incremento da qualidade da oferta dos serviços.

 

Entretanto, a principal dificuldade foi o montante da dívida contraída pelo grupo e a tentativa de administração da mesma. Veja a evolução dos resultados através dos gráficos 40 e 41, a seguir. Considerar que os investimentos de 2009 são referentes a um grupo 60% maior que o anterior.

 

 

Gráfico 40: Dívida líquida da OI (1999 – 2011)

Fonte: OI – Relatórios Trimestrais

 

 

 

Gráfico 41: Investimentos da OI (1999 – 2011)

Fonte: OI – Relatórios Trimestrais

 

Dentro do conceito de convergência empresarial estaria sendo criada a principal provedora de serviços de telecomunicações do país, pioneira e, de fato, a única realmente integrada e quadruple-play nacional, entretanto a aquisição da Brasil Telecom pela OI definitivamente não agregou ao grupo o valor esperado. Diante das circunstâncias, a OI teve que aceitar a integração de um novo parceiro estratégico, a Portugal Telecom.

 

A integração da Portugal Telecom

 

Em 25 de janeiro de 2011, os acionistas controladores da OI e Portugal Telecom (PT) assinaram instrumentos contratuais e acordos de acionistas entre as partes, formalizando parceria e investimentos estratégicos por parte da PT e da OI.

 

Segundo os acionistas, esta parceria permitiria à OI fortalecer suas operações e capacidade competitiva, bem como aumenta os investimentos no Brasil, incrementando o valor econômico da empresa.

 

A formalização da operação deu continuidade ao memorando de entendimento entre as empresas anunciado em julho de 2010. A entrada da Portugal Telecom na OI ocorreu por meio da aquisição direta e indireta de ações da Tele Norte Leste Participações S/A (TNL) e da compra de participações em suas empresas controladoras. A operação foi estabelecida da seguinte forma:

  • A Portugal Telecom adquiriu uma participação acionária de 35% nas holdings controladoras AG Telecom e LF Telecom, os acionistas controladores da Telemar Participações (TelemarPart.);
  • A Portugal Telecom também adquiriu uma participação de 12,1% na Telemar Participações, comprando ações de outros acionistas e participando do aumento de capital da TelemarPart. planejada na operação;
  • A operação também incluiu um aumento de capital de R$ 12 bilhões, com a emissão de ações ordinárias e preferenciais.

 

Em fevereiro, tiveram início os processos dos aumentos de capital da Tele Norte Leste e da Telemar. Os acionistas tiveram 30 dias a partir do de 22 de fevereiro de 2011, inclusive, ou seja, até o dia 24 de março de 2011, para exercer seus direitos de preferência na subscrição de ações, bem como para manifestar o pedido de subscrição de sobras. Com o encerramento da subscrição, a Portugal Telecom passou a deter participação direta e indireta de 25,28% no capital total da Telemar.

 

A estrutura acionária do grupo é apresentada na figura 7, a seguir.

 

Figura 7: Estrutura acionária do grupo Telemar Participações – junho de 2011

Fonte: OI – Composição Acionária (2011)

 

Últimas ações empreendidas

 

Em 22 de janeiro de 2013, a OI anunciou a saída de Francisco Valim da presidência da companhia, apenas um ano e meio após assumir o cargo. Com a troca no comando, a grande dúvida entre os investidores é se as metas de resultados traçadas no ano passado continuam válidas. O plano original previa investimentos de R$ 24 bilhões até 2015.

 

A mudança abrupta gerou incertezas sobre a condução dos negócios, o que derrubou as ações da OI. Os papéis preferenciais terminaram no topo do ranking das maiores perdas do Ibovespa (o índice da Bolsa de Valores de São Paulo), com desvalorização de 7,93%.

 

Desde o dia anterior, quando começaram os rumores sobre a destituição do executivo, a OI perdeu R$ 1,8 bilhão em valor de mercado, um tombo de 11,2%, de R$ 15,4 bilhões para R$ 13,6 bilhões.

 

Francisco Valim assumiu a OI em 2011, substituindo Luiz Eduardo Falco, que presidiu a companhia por dez anos.

 

O mercado interpretou a saída do CEO do grupo OI, Francisco Valim, como uma disputa entre o mesmo e o Comitê Tecnológico, liderado pelo presidente executivo da Portugal Telecom. Nesta disputa estaria sendo considerada uma exigência dos portugueses quanto a um comportamento mais agressivo da empresa na disputa pelo mercado nacional.

 

De fato os resultados obtidos desde a aquisição da Brasil Telecom revelavam uma perda progressiva de mercado na maioria dos segmentos mercadológicos.

 

O gráfico 42 apresenta a evolução percentual do market-share de acessos banda larga através da rede fixa.

 

Gráfico 42: Market-share de acessos banda larga rede fixa da OI (2008 – 2013)

Fonte: TELEBRASIL – Panorama do Setor – 2013

 

A OI é a quarta operadora no ranking do serviço móvel com 18,5% de mercado em 2013, conforme apresentado no gráfico 43. Fica atrás da VIVO, da TIM e da Claro. Mas também foi a última a entrar nesse mercado.

 

Gráfico 43: Market-share de acessos móveis celulares da OI (2008 – 2013)

Fonte: TELEBRASIL – Panorama do Setor – 2013

 

O gráfico 44 registra as perdas no serviço de telefonia fixa.

 

Gráfico 44: Market-share de acessos telefônicos fixos da OI (2008 – 2013)

Fonte: TELEBRASIL – Panorama do Setor – 2013

 

Uma das maiores expectativas da empresa que ainda não se concretizou da forma imaginada foi o crescimento mais acentuado da participação no mercado de TV por Assinatura, tanto na modalidade DTH (via satélite) como na modalidade cabo. Os resultados obtidos são positivos, mas ainda muito pouco representativos no contexto das receitas do grupo, conforme apresentado no gráfico 45, a seguir.

 

 

Gráfico 45: 2013)

Fonte: TELEBRASIL – Panorama do Setor – 2013

 

A tecnologia predominante utilizada pela OI está baseada nos acessos via satélite, entretanto, ao longo dos próximos anos deverá crescer a participação da tecnologia de acesso através da rede de cabos, liberada pela Lei no 12.485 de 12 de setembro de 2011 que dispõe sobre a Comunicação Audiovisual de Acesso Condicionado.

 

Apesar da eliminação das restrições de uso de tecnologias impostas pelas leis que limitavam a exploração de serviços, dos investimentos efetuados em novos ativos e do processo de reestruturação empresarial promovido, visando a racionalização de custos, os resultados obtidos pelo grupo estão ainda muito aquém das expectativas dos acionistas.

 

O gráfico 46 mostra a evolução das receitas e lucros auferidos pelo grupo no último triênio.

 

 

Gráfico 46: Receita e lucro líquidos do grupo OI (2010 – 2013)

Fonte: OI – Relatórios Trimestrais

 

A OI entregou, em julho de 2012, uma proposta de plano de investimentos à ANATEL, considerado robusto pelos diretores da Agência, conforme foi declarado publicamente após a reunião. Entre os principais eixos do plano apresentado, que prevê um programa de crescimento e melhoria de desempenho do serviço móvel estão o planejamento de demanda e dimensionamento de rede diferenciado; a atualização tecnológica da rede; o aumento de cobertura 2G e 3G; o lançamento do LTE (4G); a melhoria dos processos e infraestrutura de atendimento e tecnologia da informação; e o atendimento de excelência aos eventos de caráter global que o Brasil sediará até 2016. Somente na área de atendimento, a companhia investirá cerca de R$ 2 bilhões até 2014, que serão destinados a novas tecnologias para os call centers, capacitação de atendentes, criação de plataformas para o usuário e outras ações.

 

A avaliação feita pela ANATEL em relação ao plano apresentado foi positiva. No período de 2012 a 2015, a companhia deverá investir R$ 24 bilhões.

 

Toda esta lógica tem que estar muito bem alicerçada em termos empresariais para mudar toda uma tendência que se acumula ao longo dos quase últimos quinze anos. Esta preocupação se materializa quando são analisados os resultados da margem EBITDA durante o período e constata-se que a linha de tendência do indicador é nitidamente decrescente, conforme pode ser observado no gráfico 47.

 

Gráfico 47: Margem EBITDA da OI (1999 – 2013)

Fonte: OI – Relatórios Trimestrais

 

Claramente não é uma situação confortável para um grupo que precisa gerar melhores resultados operacionais e atender os compromissos gerados por sua dívida expressiva, além de potencializar recursos para investimentos e dar lucro aos acionistas.

 

O começo do ano de 2013 mostrou ainda a OI obtendo do BNDES, um financiamento de R$ 5,4 bilhões para o grupo, destinado ao plano de investimentos relativo ao triênio 2012-2014. O projeto inclui investimentos na expansão e melhoria da capacidade instalada das redes de acesso de dados (banda larga), fixa e móvel, e na infraestrutura de TV por assinatura, além de investimentos em tecnologia da informação.

 

A tabela 13 apresentada a seguir, mostra a evolução quantitativa e percentual, dos acessos de telefonia fixa, de serviços móveis celulares, de banda larga fixo e de TV por assinatura no período de 2010 a 2013, estabelecendo um comparativo com a variação percentual da receita líquida no período.

 

Tabela 13: Evolução dos acessos e receitas do grupo OI (2010 – 2013)

 

Fonte: TELECO – Grupos de Telecomunicações – 2013

 

Os resultados apresentados são preocupantes, considerando principalmente os crescimentos negativos da receita. Sua dívida líquida ao final de 2013 era de R$ 30,4 bilhões. Como seguir em frente, mantendo-se competitiva, investindo e trabalhando para amortizar progressivamente sua dívida? Será um empreendimento de elevado nível de complexidade.

 

Em 5 de julho de 2013, considerando todo o cenário retratado, o grupo anunciou a nomeação do executivo moçambicano Zeinal Bava para a presidência da empresa. Bava estava no comando da Portugal Telecom desde 2008. Esta escolha já vinha sendo negociada há meses pelos controladores que entenderam que a empresa não estaria no melhor do seu momento. Alguns analistas interpretaram que a opção feita significaria o primeiro passo em direção da fusão entre a OI e a Portugal Telecom, cuja proposta acabou se configurando em outubro de 2013, quando as empresas assinaram um memorando de entendimentos para uma futura fusão.  A ANATEL concedeu anuência prévia para o negócio em março de 2014.

 

 

Notas do Autor

 

  • Embratel – operadora de longa distância nacional e internacional privatizada em 1998.
  • CEO – Chief Executive Officer.
  • Outsourcing – processo usado por uma empresa no qual outra organização é contratada para desenvolver uma certa área da empresa.
  • Wireless - comunicações sem fio.
  • BNDES – Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social.
  • Banda D – faixa do espectro (1710-1725) MHz e (1805-1820) MHz reservada para Serviço Móvel Celular.
  • CADE – conselho admnistrativo de defesa econômica, vinculado ao Ministério da Justiça.
  • Quadruple-play – combinação dos serviços de banda larga, televisão, telefonia fixa e móvel.
  • LTE – Long Term Evolution (tecnologia do 4G).