Seção: Tutoriais Telefonia Fixa

 

Estudo de Caso NGN II: Introdução

 

A tecnologia NGN resulta de diversas evoluções e quebras de paradigmas que as indústrias e prestadores de serviços tiveram de enfrentar, com o intuito de chegar à convergência.

 

A evolução citada trata-se de conceitos que foram mudados nas Telecomunicações, que tiveram grande influência da área da Informática e que por sinal complementa em muito o setor oferecendo hoje diversos equipamentos e softwares que geraram o grande impulso na comercialização e abrangência que o setor de Telecomunicações detém dentro da economia dos países.

 

Na informática as pesquisas de evolução de hardware crescem independentemente das pesquisas de software gerando assim inúmeras vantagens a todos, pois não era mais necessário estar dependendo de avanços dos hardwares, para que fossem criados novos softwares, os dois poderiam estar em avanços paralelos, destacando o que seria melhor para que tivessem melhores desempenhos, sem a necessidade de estar se limitando. Com isso demandou-se uma grande queda nos preços e criando um ambiente multi-fornecedor, onde diante de padrões estabelecidos desencadeou-se a iniciativa nos fabricantes de avançar muito mais na difusão do setor das telecomunicações.

 

Todo este processo reflete em como a tecnologia NGN acompanha estes avanços da informática, pois hoje possuímos fornecedores diferentes para hardwares e softwares de telecomunicações, que são compatíveis entre si diante do padrão estabelecido. Além dessa disseminação, os softwares são muito importantes na tecnologia NGN, visto que possui camadas onde são aplicados de formas diferenciadas e que não necessariamente precisam de hardwares para controlar. Exemplo disso são os softwares da camada de serviços e aplicações que trabalham sobre a gerência e o armazenamento de informações.

 

Foco do Assunto

 

Em virtude de uma mudança global nas tendências das telecomunicações, vemos que o termo convergência é o futuro para todas as operadoras, onde terão de participar destas tendências para continuarem disputando no mercado, pois será justamente este novo padrão que determinará realmente quem poderá liderar um mercado dentro de uma região. A operadora que oferecer mais serviços, com qualidade, preço, oportunidade, melhor desempenho, ou seja, melhor aproveitamento de sua própria rede, certamente terá grandes vantagens perante as demais.

 

Mas vamos analisar porque o mundo das telecomunicações apontou para este novo conceito de convergência, porque preferiu unir serviços que eram oferecidos por diferentes operadoras, em diversas infra-estruturas e agora tendem a unir-se em uma só prestadora de serviço chegando através de um só meio estruturado ao seu cliente.

 

A questão acima vem diante de alertas que a própria indústria de Telecomunicações colocava ao longo de alguns anos. Essas indústrias viram que para as operadoras oferecerem serviços cada vez mais sofisticados e aumentassem sua receita, não precisariam demandar maiores investimentos e custos nestes novos serviços. O que estas organizações precisavam era mudar o seu conceito de rede dedicada a um só serviço e poder focar em como ela iria agregar novos serviços sobre o que ela já possuía, enfim aproveitar o seu legado.

 

Para os prestadores de serviços de voz teríamos os principais desafios, pois diante da nova tecnologia esses serviços deverão transformar os sinais de voz em pacotes que seguirão o tráfego junto com os pacotes de dados e imagens. Ou seja, a idéia de transmissão de voz, tinha de se habilitar a meios de transmissão em pacotes IP, através de gateways que ficarão na camada de infra-estrutura física da rede fazendo a interface entre a rede pública de voz RTPC e o mundo IP.

 

Diante deste grande passo e na visão de telefonia fixa, em foco neste projeto, vemos que além dos benefícios que esta grande transformação no modo da transmissão de voz pode trazer, existe também o uso de interfaces e protocolos abertos e padronizados que são uma grande vantagem para a proposta, que como informado anteriormente, com este tipo de alteração teremos uma nova na arquitetura da rede atual de telefonia fixa, que poderá dispensar centrais trânsito por roteadores NGN (Next Generation Network).

 

Estes roteadores serão colocados em pontos de interconexão da rede de um Estado, nas estratégicas centrais trânsito. Seu papel principal será poder agregar a rede existente as redes que forem necessárias interconectar e quais serviços desejem implementar. As redes atuais que são formadas por anéis ópticos de alta capacidade, infelizmente ainda barram em equipamentos de conexão que não provêem uma melhor performance para ser oferecida a rede e ao usuário, tanto como oferta de novos serviços. As redes ópticas estão crescendo e já são encontradas em conexões de todos os tipos de infra-estrutura de redes, ou seja, estão sendo disponibilizados ambientes propícios para serviços que demandem banda e que possam atender uma gama cada vez maior de usuários.

 

Tendência do Mercado

 

Vemos que ao longo do tempo, novos serviços são oferecidos a clientes, serviços estes a princípio restrito a poucos ou até mesmo inexistentes a alguns usuários. As novas redes, cada vez mais inovadoras, pensam em como agregar mais serviços aos existentes, a exemplo a telefonia móvel que como conceito primitivo teria como serviço de voz, mas que em pouco tempo teve o serviço de dados incluso e falta pouco para termos o serviço de vídeo no Brasil, pois isso já realidade em alguns países.

 

Daí verificou como é importante estarmos procurando disponibilizar redes que possam suportar tudo o que há por vir, sem causar muitos transtornos ao legado e com isso propiciando a operadora um menor investimento em fazer o seu upgrade e rapidamente estar disponível para uma concorrência com o mercado.

 

As tendências não estão limitadas a determinados tipos de rede e também não só a específicas infra-estruturas. Vemos que todas as prestadoras de serviço, sejam elas de voz, dados ou vídeo, estão se preparando para uma integração com outros serviços que possuem, ou com parcerias entre prestadoras, buscando aliar o serviço de uma com o da outra e disponibilizando os dois nas duas redes, em suas próprias infra-estruturas.

 

Já temos exemplo até mesmo no Brasil de operadora de TV a cabo que se integrou com uma operadora de telefonia fixa e com isso ambas possibilitam a integração dos seus serviços entre si.

 

Isto funciona da seguinte forma, a operadora de TV a cabo já disponibiliza serviços de vídeo e dados, busca integrar o serviço de voz a sua rede. Com a integração com uma operadora de telefonia, a mesma não necessita fazer grandes investimentos neste ponto, fazendo o aproveitamento da rede da operadora de telefonia e com isso agregando mais um serviço em sua rede, tornando assim o “Tripple Play”. O mesmo também pode ser válido para a operadora de telefonia que já disponibiliza serviços de voz e dados, podendo também adaptar-se e aproveitar a rede da operadora de TV a cabo e agregar em sua rede o serviço de vídeo.

 

Vimos no exemplo acima como é possível, com um menor investimento da operadora, criar novos serviços em sua própria rede, uma boa alternativa em possibilitar integrações de redes diferentes com o propósito de disponibilizar um serviço a mais para cada uma.

 

É lógico que antes de qualquer planejamento existem os acordos entre companhias que precisam ser discutidos, mas é uma realidade inevitável e que cabe a operadora planejar e adequar a sua rede, para que possa receber novos serviços. É justamente neste ponto onde entraremos com a tecnologia NGN que vem auxiliar esta adaptação que a operadora deverá realizar em sua rede, para que enfim possa disponibilizar novos serviços.

 

Conteúdo

 

O tutorial parte I apresentou o sistema STFC, conceituando a tecnologia presente na rede atual e os equipamentos contidos nela, e a tecnologia NGN, definindo como ela funciona, suas características, arquiteturas e vantagens da sua aplicação na rede.

 

Este tutorial parte II apresenta de forma detalhada a rede legada existente, com as informações do foco deste estudo que são as centrais tandem, descreve a proposta de aplicação da tecnologia NGN na rede analisada, e, por fim, a conclusão resume os resultados esperados com a proposta aplicada à rede e traça as perspectivas que esta migração poderá trazer para o desenvolvimento da região estudada.