Seção: Tutoriais Operação

 

Privatizações e Produtividade II: Introdução

 

No Brasil a evolução da produtividade é um tema bastante discutido. O crescimento da economia frente às diversas ações do governo abre questionamentos empíricos sobre o quanto, de fato, o país se tornou mais produtivo. Gomes et alli (2003) apresenta em seu estudo uma análise sobre o comportamento histórico da produtividade brasileira elucidando as variações de 1950 a 2000. Malliagros e Ferreira (1998) apresentam análises empíricas na tentativa de segregar os setores e sua relação na eficiência do país. Neste estudo, os autores concluem que os setores que mais influenciam o PIB brasileiro são: Energia Elétrica, Transporte e Telecomunicações.

 

Contudo, dentre estes setores, quais os principais fatores que influenciam sua eficiência? Qual o impacto do governo sobre o setor? Bonelli e Fonseca (1998) atribuem o crescimento de eficiência, após analisar diversos setores da indústria, à difusão de novas técnicas de gestão, à liberalização do comércio exterior, à desregulamentação da economia e ao processo de privatização.

 

De fato, em outros países, estudos reafirmam que a regulamentação e as restrições à competição são barreiras ao crescimento da produtividade, Ark (1999). Baily (1993) compara o setor de telecomunicações da França, Alemanha, Japão, Reino Unido e Estados Unidos e mostra que certos tipos de regulação e a falta de uma competição reduzem a produtividade e que preços regulados em um mercado competitivo auxiliam no aumento da produtividade.

 

No Brasil, o setor de Telecomunicações é o que vem passando por mais mudanças políticas e econômicas nos últimos anos. Considerando mais de 100 anos de história, podemos segregar as telecomunicações brasileiras em três grandes ciclos: privado, público e privado. Esta última fase foi marcada pelo processo de privatização e desregulamentação da economia onde um dos objetivos do governo foi o aumento da eficiência do setor [Novaes, 2000], algo esperado e comprovado no caso do petróleo onde a eficiência mais que dobrou apenas com a abertura do mercado [Bridgman et alli, 2006].

 

Em outros países, como a Austrália [Rushidi, 2000] e no continente europeu [Ark, 1999], ganhos de produtividade foram registrados após a privatização e a desregulamentação do setor. Intven et alli (2000) afirma que com a privatização e a competição o setor de telecomunicações deve crescer entre 0,5% e 1% no nível de produtividade ao ano. Novaes (2000) afirma que o aumento da eficiência do setor brasileiro teve início com a abertura do mercado (quebra do monopólio em 1995), mas o autor não estima de quanto foi o aumento.

 

Assim, os objetivos da presente tese são estimar o índice de produtividade do setor de telecomunicações brasileiro entre o ciclo público-privado (1976-2002), identificar a variação provocada pela privatização e desregulamentação e analisar se os resultados descritos na literatura internacional e os ganhos de eficiência alcançados por outros setores se repetiram para as telecomunicações brasileiras.

 

Este tutorial parte II apresentada a construção do índice de produtividade, faz a análise do índice entre os ciclos público e privado e por fim apresentada a conclusão desse estudo.

 

Em função da não existência de dados detalhados para a construção do índice de produtividade para o período público, também é parte do objetivo a coleta e construção do banco de dados histórico de indicadores físicos e financeiros do setor de telecomunicações referente ao período de 1976 a 1998.