Seção: Tutoriais Infraestrutura

 

Redes FTTH: Metodologia

 

Primeiramente, na definição metodológica desse artigo, foi definido o projeto que será foco da análise crítica, no caso é um projeto na cidade de Sete Lagoas/Minas Gerais, em que os links de alguns clientes eram atendidos por rede de acesso metálico e foram impactados diretamente por: uma descarga elétrica no cabo de cobre, pela demora na tratativa de recuperação deste cabo e por furtos de baterias na URA de acesso (Unidade de Atendimento Remoto).

 

A avaliação consiste em descrever, averiguar e elucidar os ganhos que são propostos durante a migração da tecnologia de rede metálica para fibra óptica, usando o FTTH. Assim, serão analisados os pontos negativos da rede de cobre, o funcionamento básico de uma fibra óptica e seu uso na tecnologia FTTH com topologia ponto-a-ponto. De posse de tais levantamentos, serão elencados os motivos para a migração.

 

Para estruturar o desenvolvimento deste estudo, a fim de sintetizar e facilitar o entendimento, foram pontuadas as atividades a serem realizadas durante a pesquisa:

  • Definição de Conceitos e Avaliação;
  • Análise da Tecnologia FTTH;
  • Levantamento de Equipamentos de Otimização;
  • Definição de testes de Qualidade de Serviço.

 

Definição de Conceitos e Avaliação

 

No projeto em questão de Sete Lagoas as empresas se encontravam afastadas do centro da cidade, necessitando até mesmo se conectar a uma URA local, visto que a distância entre os clientes a estação principal da cidade não permitiu o acesso com rede metálica direta devido a estrutura física desta tecnologia. Assim, foram identificados dois pontos de falhas: rede metálica precária e URA com constantes falhas de energia. Para solucionar estas falhas, foi solicitada a implantação da fibra óptica, pois com ela será eliminado estes dois pontos de falhas o que traria uma otimização rápida e eficaz.

 

Em levantamento inicial, foi identificado que o meio físico de transmissão utilizado anteriormente pela Operadora de Telefonia era o par metálico.

 

Segundo Moura (2013, p. 16) o par metálico é utilizado para transmissão dos serviços de telecomunicações, tanto nas redes primárias, quanto nas secundárias. São compostos por dois fios paralelos de cobre e a transmissão ocorre por meio de variações de tensão. É ainda o meio físico mais utilizado pelas operadoras de serviço de telefonia fixa, devido ao custo e à simplicidade de implantação e também pelo fato de que pode ser utilizado nos demais serviços característicos do triplo play (serviços que combinam voz, dados e multimídia) que as empresas estão agregando aos serviços já oferecidos tradicionalmente, sem a necessidade de mudanças físicas (Moura 2017, p. 24).

 

No entanto, o meio físico metálico traz algumas desvantagens para a transmissão, são elas:

  • Sofre muita interferência de ruídos e atenuação;
  • Possui uma capacidade de transferência muito menor que a fibra;
  • A matéria prima principal usada é o cobre, ou seja, enferrujam e os cabos são constantemente furtados para o derretimento e venda do cobre;
  • Abrangem uma distância muito menor que a fibra;
  • Velocidade na transmissão dos dados muito menor que a fibra;
  • Exige uma grande dificuldade e demora na recuperação das falhas.

 

Alguns métodos para se comprovar problemas no par metálico, são baseados na utilização do megômetro e o psofômetro.

 

Segundo Morais (2010), o megômetro (figura 4) tem a mesma função do ohmímetro, medir resistência. Porém o megômetro pode medir altas resistências, que o ohmímetro não consegue medir.

 

Ao contrário do multímetro com escala de ohmímetro que utiliza apenas uma pilha de 9v, o megômetro produz uma alta tensão para vencer a grande resistência do componente e determinar pela corrente produzida o quanto vale a resistência do componente medido. O megômetro pode ser usado para determinar a isolação dos cabos telefônicos. Proporciona medições confiáveis, seguras e precisas de isolamento de até 10. 000. 000 MΩ.

 

Figura 4: Megômetro Digital Modelo MD-10KVx

Fonte: PORTAL NICRON, S. d

 

Também segundo Morais (2010), o psofômetro (figura 5) é um equipamento que tem a finalidade de executar medições básicas no par de fios de cobre que interliga central e o assinante. Entre outras facilidades, o psofômetro possui a de ser conectada a linha telefônica (com RJ11), em teste onde gera e recebe níveis e frequência e mostra parâmetros, a fim de qualificar a linha requerida.

 

TSW-300TIM-SK

Figura 5: Psofômetro Modelo TSW300TIMsk

Fonte: PORTAL WISE, S. d

 

Com a análise destes equipamentos, é possível definir qual o estado do cabo metálico. Em posse destes equipamentos, foram realizados testes durante o processo de análise dos links de Sete Lagoas. Os resultados dessas análises técnicas conduziram as definições para mudança de tecnologia de acesso para a fibra óptica.

 

Análise da Tecnologia FTTH

 

Após as análises da rede metálica existente e de posse dos laudos de que a mesma se encontra precária, foi definido o uso da Fibra Óptica como o meio de transmissão mais adequado para uso no projeto. Assim, é necessário decidir qual uso da fibra na FTTx será mais eficaz na nova rede que será implantada.

 

No projeto de Sete Lagoas/MG foi decidido o uso do FTTH, ou seja, fibra da central da operadora até o ambiente do cliente. Alguns motivos para a escolha se devem ao custo benefício, a necessidade de retirar toda a rede metálica destes clientes e a escolha de não usar mais nenhum armário de rede metálica ou URA entre estes clientes até a Operadora.

 

A fibra monomodo é mais bem-feita e mais cara do que a fibra multimodo, no entanto a mesma consegue alcançar distâncias maiores já que tem menos perda na transmissão. O motivo desta perda na fibra multimodo se deve a ter o núcleo mais espesso, favorecendo a divisão do sinal em vários feixes separados, que             refletem dentro do cabo em pontos de diferentes, aumentando a perda do sinal. Por este motivo a fibra utilizada no projeto de Sete Lagoas/MG foi a monomodo, já que a multimodo é mais utilizada em redes LANs.

 

Como visto, FTTH é a tecnologia que emprega fibra desde a central da operadora até o equipamento do cliente. Porém, ainda são usadas duas topologias distintas de atendimento até o equipamento do cliente, no caso a topologia Fibra Ponto-a-Ponto e a Fibra Ponto-Multiponto.

 

A topologia Ponto-a-Ponto (figura 6) consiste em entregar uma fibra desde a central da operadora de Telefonia até o usuário final, acarretando a necessidade de uma fibra para cada cliente o que fornece a maioria de largura da faixa, já que entrega toda a largura de faixa de uma única fibra.

 

Figura 6: Topologia Fibra Ponto-a-Ponto

Fonte: Elaborado pelos Autores, 2017

 

É uma tecnologia menos usual do que a topologia fibra Ponto-Multiponto (figura 7) em que uma única fibra é multiplexada em determinado ponto estratégico e assim atende vários clientes próximos. No entanto, a fibra óptica ponto-multiponto levaria a uma mudança de estrutura da central da operadora com necessidade de novos equipamentos para concentrar as fibras além de uma sala estruturada para atender a nova tecnologia o que elevaria os custos iniciais, podendo inviabilizar o projeto. Pelos motivos acima citados, foi utilizado no projeto de Sete Lagoas/MG a topologia Ponto a Ponto.

 

Figura 7: Topologia Fibra Ponto-Multiponto

Fonte: Elaborado pelos Autores, 2017

 

Definição de Equipamentos para Otimização

 

Como forma de melhoria do projeto foi utilizada a caixa pré-conectorizada (mostrada na figura 8). Esta tecnologia faz com que conexões para um futuro cliente já esteja disponível em um ponto estratégico. Assim, os custos para nova instalação e a intervenção na rede em produtividade são diminuídos significativamente:

  • A conexão na CTO (Caixa de Terminação Óptica) para ativação de novo cliente irá ser realizada com maior facilidade e rapidez;
  • Não será necessário que o técnico (que irá ativar o novo cliente) tenha qualificação de fusão em fibra, nem que leve uma equipe para realizar tal procedimento;
  • O técnico (que irá ativar o cliente) não necessitará ter consigo uma máquina de fusão. Assim, a empresa reduz a compra destes equipamentos;
  • Facilitará na manutenção da rede, visto que bastará desconectar o cabo óptico drop e conectar o cordão do equipamento de medição de testes (OTDR, por exemplo).

 

Figura 8: Caixa Pré-Conectorizada

Fonte: PORTAL FURUKAWA(Adaptado), 2016

 

Apesar da utilização da caixa pré-conectorizada no ambiente externo, pode-se fazer necessário fusão no ambiente interno ao cliente.

 

A fusão da fibra óptica é a junção, a partir da soldagem, de dois ou mais segmentos de fibra utilizando a máquina de fusão de fibra óptica (figura 9). Para isso, as fibras devem ser introduzidas limpas e clivadas no equipamento, com um alinhamento apropriado. Em seguida, a máquina gerará um arco elétrico, que eleva a temperatura nas faces dos cabos, com o objetivo de derreter e soldar estas pontas para formar uma única fibra óptica. Após a fusão, a fibra será revestida por resinas, com a função de dar resistência mecânica ao ponto de emenda, protegendo-o contra fraturas e quebras.

 

Figura 9: Máquina de Fusão de Fibra Óptica Modelo FSM-100p

Fonte: PORTAL FUJIKURA, 2015

 

Para que o cliente e a central da operadora se comuniquem pela fibra óptica dedicada é necessário um equipamento em cada ponta compatível com esta conexão, no projeto em questão foi utilizado o equipamento switch com porta óptica.

 

Um Switch (figura 10) pode ser descrito como um equipamento com um número de portas onde diferentes dispositivos podem ser conectados. O Switch implementa uma conexão ou circuito virtual, e a decisão de encaminhamento não é tomada pacote a pacote. Quando um pacote chega a um Switch este deve descartá-lo ou movê-lo para a porta correta de saída para que ele siga seu caminho. A porta de saída correta é determinada pela informação contida no pacote e em alguns casos no próprio Switch (TUDE; FILHO, 2004)

 

Um Switch tem as seguintes características:

  • Operam na camada 2 de enlace do protocolo OSI (do inglês Open System Interconnection – Sistema Aberto Interconexão) o que significa que realizar a leitura do sinal físico e trabalha informações primárias, como endereço de máquina (MAC Address);
  • O chaveamento é feito no hardware ou firmware do processador.

 

Figura 10: Switch Demarcador Modelo DM2100 EDD

Fonte: PORTAL DATACOM, 2017

 

Definição de Testes de Qualidade de Serviço

 

Após realizado a entrega das fibras, as fusões e a instalação dos novos switches de enlace, é realizado a análise deste processo de otimização através da verificação da:

  • Atenuação do sinal na fibra óptica;
  • Teste de gerências.

 

Os enlaces estão limitados em comprimento pela atenuação do sinal e em capacidade de transmissão pela distorção do sinal. Existe a atenuação devido à limitação da distância entre a origem e o fim da transmissão, a mesma define características de aprovação do enlace ou realização de novo estudo. Oliveira (2010).

 

Figura 11: Refletômetro Óptico por Domínio de Tempo (OTDR) – Modelo FHO5000

Fonte: PORTAL FIBRACEM, 2015

 

Um instrumento amplamente utilizado para certificação e realização de manutenção nas redes de fibra é o OTDR (do inglês Optical Time Domain Reflectometer - Refletômetro Óptico por Domínio de Tempo). Conforme Oliveira (2010), o OTDR (figura 11) é um instrumento de medida, o qual detecta luz refletida em emendas ou conectores e luz retro-refletida devido ao fenômeno de Espalhamento Rayleigh. Assim, localização de eventos (falhas, emendas e conectores) e medidas de perdas de transmissão a partir de um extremo da fibra óptica é possível de se efetuar de modo eficiente. É possível observar um exemplo de teste realizado com o OTDR na figura 12 em escala de DB/Km. Nesta figura uma fibra estava rompida e o equipamento realiza a leitura, alguns picos correspondem a possíveis emendas e conectores, e o ponto onde o sinal se perde é a localização do ponto de rompimento desta fibra.

 

Os testes na gerência dos equipamentos são utilizados tanto para verificar a estrutura anterior a otimização quando para validar a implantação da fibra nos clientes Corporativos.

 

Para circuitos IP nos equipamentos da marca CISCO podem-se identificar parâmetros como:

  • Runts: é um número de quadros recebidos menores que o tamanho de quadro mínimo do IEEE 802. 3 e com inconsistência no CRC. Uma possível causa podem ser problemas físicos, em elementos como cabeamento, porta ou placa de rede no dispositivo conectado;
  • Frame: é número de pacotes recebidos incorretamente, com erros de CRC e um número não inteiro de octetos (erro de alinhamento). Também podem ser causados por problemas em elementos físicos como cabeamento;
  • Input Errors: é o somatório de todos os erros, incluindo runts, giants, no buffer, CRC, frame, overrun e ignored counts.
  • Reliability (no português, confiabilidade): É o parâmetro que informa a confiabilidade da interface, o ideal é que seja 255/255 (100%). Caso a camada física ou de enlace estiverem tendo algum problema, esta confiabilidade é reduzida.

 

Figura 12: Teste realizado com OTDR Informando Fibra em falha

Fonte: Elaborado pelos Autores, 2017

 

Para links de voz como o E1 é possível análise de validação a partir da central telefônica. As informações de parâmetros podem mudar (dependendo da tecnologia da central): nas centrais de modelo EWSD (da marca Siemens) pode-se observar parâmetros que indicam taxas de erro (ERCO, AIS, D-BIT) ou escorregamento (SLIP) e nas centrais AXE (da Ericsson) tem-se o parâmetro que indica erros ou distúrbios (DFV), por exemplo.