Seção: Tutoriais Infraestrutura

 

Redes FTTH: Resultados

 

Como resultados dessa avaliação crítica, primeiramente são apresentados aqui as informações coletadas da estrutura não otimizada, com todas as análises das características da estrutura que motivaram a otimização.

 

De posse do diagnóstico, em seguida, é apresentado o processo de otimização recomendado (com análise das justificativas das implantações). Assim é apresentada uma abordagem dos testes realizados sobre a qualidade da comunicação que será propiciada ao cliente.

 

Avaliação da Estrutura Não Otimizada

 

No ambiente em questão de estudo, o par metálico sofreu uma descarga elétrica (vide figura 13) e estava em más condições de utilização. Esta falha estava acarretando a necessidade de uma nova estrutura metálica para atendimento a todos os clientes da localidade (tanto cliente residencial como os corporativos). Para clientes residenciais poderiam ser feitas as migrações dos mesmos para outro cabo metálico próximo, já que a sensibilidade dos equipamentos é menor e os links funcionariam em uma distância um pouco maior. No entanto, os equipamentos dos clientes corporativos sofrem drasticamente e sinalizam a qualquer aumento da distância ou precariedades do cabo. Assim, a migração para um outro cabo não resolveria a situação destes 8 links em Sete Lagoas/MG.

 

Figura 13: Armário de Rede Secundária afetada pela descarga elétrica

Fonte: ELABORADO PELOS AUTORES, 2017

 

A descarga elétrica afetou o Cabo 1 da URA, com um total de 27 caixas terminais alimentados por este cabo. Foi um efeito que se propagou, afetando 77 clientes Residenciais e 11 clientes Corporativos.

 

Como informado nas desvantagens do par metálico, o mesmo possui uma abrangência pequena de distância. Por este motivo os links ainda passavam em uma URA local, esta sofria de constantes furtos de baterias. Assim, a falta de energia da concessionária acarretava ainda mais as falhas para os links. Na figura 14, tem-se a imagem de uma URA em exemplo onde a tampa de proteção foi cortada e as baterias furtadas.

 

Pode-se observar na figura 15 um teste realizado em um link que se encontra em falha e que utiliza um acesso metálico. Em menos de 8horas, desde a última “limpeza” de contadores, já era possível observar na gerência dos equipamentos os incrementos de RUNTS, INPUT ERROS e CRC além da Reliability abaixo do ideal. Com base nestes testes é feito o troubleshooting do link. Como já se tem a informação do acesso ser metálico é vital solicitar acionamento técnico para realizar testes com o Megômetro e Psofômetro, a fim de identificar alguma falha na rede externa de cobre.

 

Figura 14: URA (Unidade Remota de Atendimento)com baterias furtadas

Fonte: ELABORADO PELOS AUTORES, 2017

 

 

Figura 15: Testes em um link com rede metálica precária. Gerando ERRORS, CRC e Baixa Confiabilidade

Fonte: ELABORADO PELOS AUTORES (2017)

 

Análise do Processo de Otimização

 

Para o início do processo, foi feito o levantamento das localidades dos clientes em que foi implantado o FTTH. Para isso foi realizado um levantamento inicial das distribuições dos clientes em um Mapa, conforme a figura 16.

 

Figura 16: Identificação dos Clientes

Fonte: ELABORADO PELOS AUTORES (2017)

 

No segundo momento e mais importante, foi realizado o projeto de fibra (figura 17). Neste projeto foram inseridas todas as informações necessárias para que a compreensão da equipe de implantação em campo. É informado, por exemplo, as localizações dos clientes, das caixas de passagens da fibra, dos lances de fibra nos postes, dos pontos de fusão. A figura 17 ilustra as informações acima citadas.

 

Figura 17: Projeto de infraestrutura por fibra óptica

Fonte: ELABORADO PELOS AUTORES, 2017

 

Com a conclusão do levantamento do projeto e aprovação dos custos, foi emitida uma ordem de execução para a passagem da fibra até o ponto de destino obedecendo principalmente as normas do Artigo 4º da Resolução Conjunta Nº4 (2014) entre ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) e ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações) sobre o compartilhamento de postes e da LEI Nº 13.116 (2015) que estabelece normas gerais para implantação e compartilhamento da infraestrutura de telecomunicações.

 

Conforme Valpecovski (2014), o ponto de fixação da rede óptica está situado na faixa de ocupação de 0,50 metro (situada entre 5,20 metros e 5,70 metros em relação ao solo) e será utilizada exclusivamente para fixação de cabos e cordoalha.

 

Pode-se visualizar a faixa de ocupação do cabo de fibra conforme figura 18.

 

Figura 18: Compartilhamento de Postes com Terceiros

Fonte: Valpecovski (2014, p. 37)

 

Para o procedimento de passagem de cabos de fibra aérea como o do projeto em questão, é necessário principalmente a NR-10 (1978) devido à proximidade com cabos de energia e a NR-35 (2012) para realização de trabalho em altura.

 

Para ancoragem do cabo óptico utilizou-se equipamentos responsáveis pela sustentação do cabo:

  • Braçadeira BAP: utilizada para sustentar acessórios em postes circulares de concreto ou madeira e em postes duplos. É composta de cinta de aço ajustável;
  • Suporte SIR: utilizado como apoiador de isoladores tipo roldana para terminação de linhas de fios;
  • Isolador tipo roldana, utilizada em construção de rede em que o fio passa em linha reta pelo poste.
  • Suporte dielétrico: utilizado para fixação de cabo óptico aéreo auto-sustentado em um poste sem provocar danos ao mesmo;
  • Alça pré-formada: destina-se a execução de pontos finais, é o componente que realmente exerce a ancoragem do cabo;
  • Protetor pré-formado é aplicado diretamente sobre a cobertura do cabo e tem a função receber e distribuir os esforços pela alça pré-formada, sem provocar danos à capa do cabo ou às fibras ópticas.

 

Como resultado, pode-se afirmar que a estrutura segue as condições técnicas mínimas para compartilhamento de infraestrutura em postes com as outras Operadoras de Telefonia locais e obedecerá às normas da Concessionária de Energia.

 

Resultados de Testes de Gerência

 

Após a implantação da fibra óptica e da certificação com o OTDR, é feita a instalação dos equipamentos Switchs, junto à interligação destes com a rede da Operadora de Telefonia e do Roteador (para links IP) ou PABX (para links E1) do cliente. Assim, já será possível a utilização do link pelo usuário final.

 

Na figura 19, pode-se observar um dos links, que foi otimizado neste projeto, encontra-se com Reliability alta e sem nenhum incremento de ERROS na Gerência do Roteador da Operadora após quase 6 horas de monitoramento. O mesmo teste também pode ser feito no Roteador do Cliente, para isso é feito o acesso remoto ao mesmo.

 

Figura 19: Testes em um link do projeto após a implantação da Fibra Óptica – Roteador Operadora

Fonte: ELABORADO PELOS AUTORES (2017)

 

A figura 20 é um teste realizado dentro do equipamento de um dos clientes que foi otimizado. Vale observar que após a otimização por tecnologia óptica, o mesmo solicitou um upgrade de velocidade. O Roteador do cliente é da marca Hewlett-Packard (HP).

 

Figura 20: Testes em um link do projeto após a implantação da Fibra Óptica – Roteador Cliente

Fonte: ELABORADO PELOS AUTORES (2017)

 

Também foi possível observar o teste dentro da Gerência da Central de Comutação AXE da Ericsson para os links com tecnologia E1, conforme figura 21. O DFV, valor de frequência da perturbação na direção de entrada (distúrbios por hora) da central, se encontra sem nenhum incremento de falha.

 

figura 21 – Testes em um link do projeto após a implantação da Fibra Óptica – Central Pública AXE

Fonte: ELABORADO PELOS AUTORES, 2017