Seção: Tutoriais Operação

 

Introdução

 

Durante 20 anos trabalhei para o governo, participei e fui um dos mentores, de 1975 até 1994, da política industrial e tecnológica de eletrônica e comunicações desse país. Trabalhei 14 anos no grupo ITT, onde na Standard Electrica, entrei como estagiário em 1960, atingindo funções de Chefe de Engenharias respectivamente de Rádio, Televisão, Microondas.

 

Trabalhei 3 anos nos laboratórios de desenvolvimentos da BTM em Antuérpia, Bélgica, e mais tarde nos laboratórios da Microwave Associates nos Estados Unidos. Sou um homem ligado à pesquisa e desenvolvimento. Fui um dos fundadores do GEICOM, do CPqD e da FUCAPI, e das idéias, que conduziram os brasileiros às posições de chefia de suas empresas no Brasil.

 

Minha experiência neste segmento pode ser útil aos jovens dirigentes que voltados ao futuro de forma empolgante e arrojados, em busca de um Brasil melhor, muitas vezes ignoram os erros e acertos passados e voltam a reproduzi-los com os mesmos resultados nas políticas e instituições de produção. O País deve ter a memória de seus atos, estratégias e resultados para conduzir o país e suas empresas no caminho correto.

 

Os países em desenvolvimento, vivem intensamente uma situação conflitante, eles necessitam:
  • Estimular a entrada de capitais de risco, e apoiar a atividade empresarial, mas ao mesmo tempo reduzir a dependência tecnológica;
  • Obter empréstimos e ao mesmo tempo não ampliar o endividamento;
  • Atuar em ciência e tecnologia, sem desviar recursos dedicados à atividade produtiva;
  • Expandir a economia com baixos níveis de importação, e acelerar o seu crescimento;
  • Consolidar indústrias para atender ao país, e ao mesmo tempo o mercado internacional.

Para alcançar a capacitação tecnológica, enormes barreiras devem ser superadas:

  • Recursos humanos qualificados escassos;
  • Infra-estrutura material de P&D modesta;
  • Capitais locais restritos;
  • Cenário adverso face a globalização;
    • Mercado globalizado;
    • Padrões universais;
    • Projetos a nível mundial.

Hoje há um cenário adverso. O mercado de produtos eletrônicos está globalizado, os padrões são universais. Os projetos são elaborados a níveis mundiais, para se alcançar escala econômica que reduzam custos que permitam adequar o produto ao mercado.

 

O processo de capacitação tecnológica é gradual e depende, via de regra das etapas graduais de:

  • Utilização de equipamentos e técnicas novas: aprende-se a operar e manter o equipamento;

  • Nacionalização do equipamento: busca-se substituir partes, peças e componentes importados por nacionais: a capacidade de criação se desenvolve;

  • Adaptação do produto às condições locais: conduz ao processo de capacitação tecnológica;

  • Pesquisa e desenvolvimento: desenvolve-se a capacidade criadora, originando condições essenciais à consolidação da indústria de componentes e de equipamentos.

Estes foram os conceitos que o Brasil utilizou de 1974 a 1990. Em menos de 10 anos se alcançou pleno sucesso. A participação média do conteúdo nacional em produtos fabricados no país alcançou doze dólares para cada dólar de insumos importados. Esse mesmo critério foi adotado, há décadas pelo Japão e Taiwan e Hong Kong e há poucos anos atrás pela Irlanda Israel, China, Malásia, e outros.