Seção: Banda Larga

 

WiMax I: Conceituação Teórica

 

WiMax Fórum

 

WIMAX (World Wide Interoperability for Microwave Access) fundada em Abril 2002 é uma organização sem fins lucrativos, formada por operadoras de telecomunicação (British Telecom, France Telecom) e vários fabricantes (INTEL, NOKIA, Siemens).O seu objetivo é acelerar a introdução de tecnologias BWA (Broadband Wireless Access), através da certificação de equipamentos baseados em normas, tornando possível níveis de preço/desempenho impossíveis de alcançar com as tecnologias proprietárias (2G, 3G,...). Providenciar especificações para comunicações fixas LOS na gama 10-66GHz (802.16c), para comunicações fixas nómadas NLOS na gama 2-11GHz (802.16a e 802.16d) e também define especificações para estações móveis a 150 km/h na gama 2-6GHz (802.16e).

 

Um operador escolhendo interoperabilidade e equipamentos baseados em Standards beneficiam de um crescente mercado de massas e reduz o risco de implementação, não ficando preso a um único fabricante. A sua Base Station é compatível com qualquer Subscriber Station desde que sejam certificadas pelo WiMAX Fórum.

 

Um fabricante de um produto apenas recebe o certificado WiMAX Fórum se cumprir a norma (atualmente IEEE 802.16-2004) e garantir a interoperabilidade com os outros equipamentos certificados. WiMAX Fórum é semelhante ao Wi-Fi Alliance em promoção do standard IEEE 802.11.

 

O primeiro laboratório de certificação abriu em Julho 2005 para o standard IEEE 802.16-2004 na banda dos 3.5GHz, e começou a receber de imediato equipamentos para teste. Em 16 de Janeiro de 2006, foram anunciados os primeiros 7 produtos certificados pelo WiMAX Fórum: 3 Base Stations (Aperto Networks, Redline Communications e Sequans Communications) e 3 Subsciber Station (Redline Communications, Sequans Communications e Wavesat Wireless Inc.). Mais tarde, em Março 2006 outros equipamentos receberam o mesmo certificado totalizando agora 14 produtos certificados. (WIMAX FORUM BRASIL)

 

Padrões IEEE 802 para Redes Sem Fio

 

O IEEE definiu uma hierarquia de padrões complementares para redes sem fio (figura 1). Essa padronização inclui o IEEE 802.15 para as redes pessoais (Personal Area Network – PAN), IEEE 802.11 para as redes locais (Local Area Network – LAN), 802.16 para as redes metropolitanas (Metropolitan Area Network) e o IEEE 802.20 para as redes geograficamente distribuídas (Wide Area Network – WAN). Cada padrão representa a tecnologia otimizada para mercados e modelos de uso distintos, sendo projetado para complementar os demais.

 

Um bom exemplo é a proliferação de redes locais sem fio domésticas, empresariais e hotspots comerciais baseados no padrão IEEE 802.11. Essa proliferação de WLANs está impulsionando a demanda por conectividade de banda larga para a Internet, demanda essa que o padrão 802.16 pode atender oferecendo conexão outdoor aos provedores de serviço de comunicação. Para os operadores e provedores de serviço, os sistemas construídos sob o padrão 802.16 representam um terceiro canal (third pipe), de fácil implantação, capaz de conectar residências e corporações ao núcleo das redes de telecomunicações em todo o mundo.

 

Descrição: padronização global IEEE

Figura 1: Padronização global (IEEE e ETSI) para redes sem fio

Fonte: matrasistemas.com.br

 

A figura 1 apresenta o posicionamento de cada um dos padrões de acesso wireless, mostrando do lado esquerdo o padrão IEEE e do lado direito o padrão ETSI equivalente.

 

As tecnologias sem fio existentes hoje se dividem em quatro tipos:

  • Wireless Personal Area Network (W-PAN): são as redes pessoais, com uma área de cobertura bastante limitada, principalmente em dispositivos móveis.
  • Wireless Local Area Network (W-LAN): são as redes locais, que atingem uma área geográfica limitada, com grande largura de banda, confiabilidade e disponibilidade.
  • Wireless Metropolitan Area Network (W-MAN): são as redes metropolitanas, com a finalidade principal de backhauling, ou seja, interconexão da rede. Atingem velocidades consideráveis a boas distâncias, para conectar LANs.
  • Wireless Wide Area Network (W-WAN): são as redes de longa distância, que atingem grandes áreas geográficas num enlace ponto a ponto, a fim de interconectar cidades ou MANs. São os chamados backbones das redes.

 

O WiMAX pode ser classificado com W-WAN, mas não é exclusivamente ponto a ponto. Ele pode operar na W-LAN (como hotspot), na W-MAN (como backhaul) ou na W-WAN (como backbone).

 

A cobertura dos serviços wireless varia de acordo com a tecnologia e a forma como esta é utilizada. No caso do WiMAX segundo a definição do próprio WiMAX Fórum: “WiMAX não é uma tecnologia e sim uma marca de certificação, ou melhor, um selo de qualidade”. Isso significa que o WiMAX foi desenvolvido para operar em diversas topologias e formas diferentes, em LANs, MANs e WANs.

 

Descrição: Cenários de aplicações sem fio

Figura 2: Cenários de aplicações sem fio

Fonte: Telecom.com.br

 

O Padrão IEEE 802.16

 

WiMAX é o nome popular dado ao padrão IEEE 802.16 para redes metropolitanas sem fio, também conhecido como IEEE WirelessMAN ou ainda “Air Interface for Fixed Broadband Wireless Access Systems”. Esse padrão tem como proposta inicial disponibilizar o acesso banda larga sem fio para novas localizações cobrindo distâncias maiores sem a necessidade de investimento em uma infra-estrutura de alto custo (como ocorre com uma rede de acesso banda larga cabeada) e sem as limitações de distância das tecnologias DSL. Entre as promessas associadas ao 802.16 figura a solução para o problema da última milha8, através da redução do custo de implantação e do tempo necessário para se conectar residências e escritórios aos troncos das linhas de comunicação.

 

Descrição: O padrão IEEE 802

Figura 3: Diferentes áreas de atuação WiMAX

Fonte: hasgar.4h.com.br

 

O padrão IEEE 802.16 pode ser definido como um padrão global, pois foi desenvolvido de modo a ser compatível com os padrões do ITU (International Telecommunication Union) e do ETSI (European Telecommunications Standards Institute), mais especificamente com os padrões HiperACCESS (High Performance Radio Access) e HiperMAN (High Performance Radio Metropolitan-Area Network) do projeto BRAN10 (Broadband Radio Access Networks) do ETSI e com o grupo de trabalho TM4 do ETSI. O mesmo não aconteceu com o padrão IEEE 802.11, o que de certa forma retardou a sua adoção. A Intel, uma das maiores patrocinadoras do Fórum WiMAX, acredita que o 802.16 é “a coisa mais importante desde o advento da própria Internet”. O padrão estenderá o potencial do Wi-Fi atual para distâncias bem maiores - em torno de 30 a 50 quilômetros. A empresa já comanda um teste real de uma rede sem fio de longo alcance em seu escritório na cidade de Hillsboro, no estado de Oregon, nos Estados Unidos. Com uma “fazenda de antenas” no topo do edifício, o sinal cobre aproximadamente 30 quilômetros e fornece acesso banda larga sem fio ao aeroporto da cidade, que fica a mais de 1 km de distância do edifício da Intel, e para 15 residências na vizinhança.

 

A popularidade das redes sem fio tem crescido rapidamente em função de uma padronização efetiva. Nesse contexto, os padrões são importantes pois viabilizam uma economia de escala, baixando os custos de equipamentos, assegurando a interoperabilidade e reduzindo o risco de investimento para os operadores da tecnologia sem fio.

 

A Família de Padrões IEEE 802.16

 

A versão inicial do padrão IEEE 802.16, publicada em abril de 2002, opera nas frequências de 10 a 66 GHz e requer visada direta (LOS – Line Of Sight). A extensão 802.16a, aprovada em janeiro de 2003, não requer transmissão com visada direta (NLOS – Non Line Of Sight) e permite o uso de frequências mais baixas (2 a 11 GHz), muitas das quais não são licenciadas.

 

O padrão IEEE 802.16 ostenta um alcance de 50 km e taxas médias de transferência de 70 Mbit/s, com taxas de pico de 268 Mbit/s, podendo atender a centenas de usuários. (figura 4).

 

Figura 4: Conexão sem fio NLOS ponto a multiponto e backhaul LOS

Fonte: blogcdigital.wordpress.com

 

As emendas ao padrão 802.16, possibilitarão que uma única estação base ofereça BWA tanto para terminais fixos quanto móveis. Essas correções irão preencher a lacuna entre as altas taxas de dados das redes locais sem fio (WLAN) e a alta mobilidade celular das redes metropolitanas (WAN). A seguir, a família de padrões que compõem o WiMAX é brevemente apresentada:

  • IEEE 802.16: Corresponde a especificação original, projetado para padronizar implementações LMDS (Local Multipoint Distribution System). É usado em frequências de 10 – 66 GHz.
  • IEEE 802.16a: Projetado para atender as frequências mais baixas (2 - 11 GHz). Foi especificado com o objetivo de competir com as tecnologias que oferecem acesso à última milha, como xDSL e cable modems. Pode obter taxas de transmissão de até 75 Mbit/s com um alcance máximo de 50 km. Emprega antenas fixas NLOS.
  • IEEE 802.16b: Trata aspectos relativos à qualidade de serviço.
  • IEEE 802.16c: Interoperabilidade, protocolos e especificação de testes de conformação.
  • IEEE 802.16d (Nomádico): Atualização do padrão 802.16 que consolida as revisões dos padrões 802.16a e 802.16c em um único padrão, substituindo o 802.16a como o padrão base. Entre as alterações pode-se destacar a provisão de suporte para antenas MIMO (Multiple-Input Multiple-Output), o que aumenta a confiabilidade do alcance com multipercurso. Facilita instalações com o uso de antenas indoor. Teve seus primeiros equipamentos (Aperto Networks, Redline Communications, Wavesat e Sequans) homologados em Janeiro de 2006 pelo laboratório espanhol Cetecom. Opera, assim como o 802.16a, nas frequências de 2 a 11 GHz. Porém o mesmo não é capaz de efetuar handoff entre as ERBs (Estação Rádio Base) em altas velocidades. Sua taxa de transmissão também fica em torno dos 75 Mbit/s e utiliza canais de 20 MHz. Quanto ao alcance deste padrão, consegue-se 8 a 12 km em cobertura NLOS e 30 a 40 km em cobertura LOS.

 

 

Figura 5: Dimensionamento em WiMAX Nomádico

Fonte: wimaxworld.com

 

  • IEEE 802.16e: Adiciona especificações de mobilidade (WMANs móveis). Aspectos como largura de banda limitada (um máximo de 5 MHz), velocidade mais lenta e antenas menores possibilitam o “walkabout” ou mobilidade veicular (até 150 km/h). É compatível com a especificação do padrão 802.16A .tabela 1 complementa a apresentação efetuada nos parágrafos anteriores trazendo um resumo comparativo que aponta as principais características dos padrões mais importantes da família IEEE 802.16. Em frequências inferiores a 3.5 GHz pode oferecer concorrência à tecnologia celular com alcance de 2 a 5 km (nas cidades).

 

Tabela 1: Tabela comparativa de padrões 802.16 (WiMAX Fórum)

Características

IEEE 802.16

IEEE 802.16a/REVd

IEEE 802.16e

Homologação

Dezembro de 2001

802.16a: Janeiro de 2003

802.16 REVd: junho de 2004

A ser homologado em 2005

Frequência

10-66GHz

2-11GHz

2-6GHz

Condições do Canal

LOS

(Line of Sight)

NLOS

(Non Line of Sight)

NLOS

(Non Line of Sight)

Taxa de Transmissão

Entre 32 e 134 Mbit/s

(canal de 28 MHz)

Até 75 Mbit/s

(canal de 20 MHz)

Até 15 Mbit/s

(canal de 5 MHz)

Modulação

QPSK, 16 QAM e 64 QAM

OFDM 256 sub-portadoras, OFDMA 64 QAM, 16 QAM, QPSK, BIT/SK

OFDM 256 sub-portadoras, OFDMA 64 QAM, 16 QAM, QPSK, BIT/SK

Mobilidade

Fixa

Fixa e portátil (nômade)

Mobilidade, roaming regional

Largura de Banda

20, 25 e 28 MHz

Entre 1,5 e 20 MHz, com até 16 sub-canais lógicos

Entre 1,5 e 20 MHz, com até 16 sub-canais lógicos

Raio da Célula

2 - 5 km

5-10 km

Alcance máximo de 50 km dependendo do tamanho da antena, seu ganho e potência de transmissão (entre outros parâmetros)

2 - 5 km

 

Considerações Tecnológicas

 

Como definido pelo padrão IEEE 802.16 (padrão base), a provisão de acesso banda larga sem fio nas redes metropolitanas é garantida inicialmente através do acesso “fixo sem fio”. Nesse cenário, um backbone de estações base é conectado a uma rede pública, cada estação base tem capacidade para prover acesso à centenas de estações assinantes fixas, as quais podem ser tanto hot spots Wi-Fi públicos quanto redes empresariais protegidas por firewalls.

 

As estações base devem usar a camada MAC como definida no padrão 802.16 e alocar largura de banda nos canais de uplink e downlink para os assinantes de acordo com as suas necessidades, utilizando a especificação 802.16 da camada física que se adéque a faixa de frequência em uso.

 

Nas próximas subseções serão apresentadas as especificações das camadas físicas e de controle de acesso ao meio (MAC) definidas no padrão 802.16 [Ramachandran, 2004] (figura 6).

 

Descrição: Pilha de protocolos do IEEE 802

Figura 6: Pilha de protocolo do IEEE 802.16

Fonte: teleco.com.br

 

Pilha de Protocolos IEEE 802.16

 

No projeto de especificação da camada física a propagação LOS foi adotada por questões tecnológicas, já que em faixas de frequências mais altas (10 – 66 GHz) não há suporte à propagação NLOS. A partir dessa restrição de projeto a técnica de modulação escolhida foi a SCM (Single Carrier Modulation) com FEC (Forward Error Correction), o que orientou a especificação da interface aérea, denominada “WirelessMAN-SC”. Muitos desafios de projeto ainda permanecem em aberto.

 

Por causa da arquitetura ponto-multiponto a estação base basicamente transmite um sinal TDM (Time Division Multiplexing),com cada assinante alocado serialmente a slots de tempo. Na direção do uplink a transmissão é feita através de acesso múltiplo por divisão de tempo (TDMA). Depois de uma série de discussões relativas à duplexação, um projeto para rajada foi selecionado o que permitiu que a interface aérea oferecesse suporte para os modos de operação TDD (uplink e downlink compartilham um canal mas não transmitem simultaneamente) e FDD (uplink e downlink operam em canais separados, algumas vezes simultaneamente). Essa característica permite a interoperabilidade do IEEE 802.16 com sistemas celulares e outros sistemas sem fio.

 

A provisão de suporte para assinantes FDD half-duplex (que é uma opção mais barata já que a transmissão e a recepção não são simultâneas) foi adicionada com pouca complexidade. Ambas as alternativas, TDD e FDD, oferecem suporte a perfis adaptativos de tráfego em rajada (figura 7) nos quais as opções de modulação e codificação podem ser associadas dinamicamente (burst by burst) [Eklund, 2002].

 

Figura 7: Perfis de rajada

Fonte: enigmatic-consulting.com

 

Assim como a intensidade do sinal diminui em função da distância relativa à estação base, a relação sinal/ruído também diminui. Por essa razão, o padrão IEEE 802.16 emprega três esquemas de modulação diferentes, dependendo da distância que a estação do assinante se encontre em relação à estação base representado na figura 7.

 

Para assinantes próximos, é usado o 64 QAM, com 6 bits/baud. No caso de assinantes situados a uma distância média, é usado o 16 QAM, com 4 bits/baud. Para assinantes distantes, é usado o QPSK, com 2 bits/baud. Por exemplo, para um valor típico de 25 MHz de espectro, o 64 QAM oferece 150 Mbit/s, o 16 QAM oferece 100 Mbit/s, e o QPSK oferece 50 Mbit/s. Em outras palavras, quanto mais distante o assinante estiver em relação à estação base, mais baixa será a taxa de transmissão de dados.

 

Como mencionado, as técnicas de modulação disponíveis no padrão IEEE 802.16 para as frequências de 10 – 66 GHz englobam os sistemas com modulação de fase (PSK - Phase Shift Keying) e os sistemas com modulação de amplitude em quadratura (QAM – Quadrature Amplitude Modulation).

 

Dentre os sistemas PSK, a camada física do padrão 802.16 utiliza o QPSK (Quadrature Phase Shift Keying) que é uma técnica de modulação na qual uma portadora é enviada em quatro fases (45o, 135o, 225o e 315o), com a transição entre dois símbolos vizinhos sendo codificada através de dois bits por símbolo.

 

Na figura 8 é mostrado um diagrama da constelação13 QPSK com quatro possíveis estados por símbolo, onde cada símbolo transmite dois bits de informação, exemplificando um possível mapeamento de estados para valores binários.

 

Figura 8: Diagrama da constelação do sistema QPSK

Fonte: enigmatic-consulting.com

 

Reuso das Frequências

 

A figura 9 ilustra o conceito do reuso de frequência, onde células com o mesmo número utilizam os mesmos grupos de canais. Nessa figura, D é a distância de reuso co-canal, que separa duas células pertencentes a clusters adjacentes que utilizam o mesmo conjunto de frequências. O plano de reuso de frequências é sobreposto a um mapa para mostrar onde serão usados diferentes grupos de canais. A forma hexagonal das células é conceitual, sendo um modelo simplista da cobertura provida por cada estação base. A cobertura real de uma célula é conhecida como planta (footprint) e é determinada por medições ou estimada por modelos de predição de propagação.

 

A planta real de cobertura é irregular por natureza, porém um formato regular de célula é necessário para o planejamento sistemático e adaptação a futuro crescimento. Embora pareça natural a escolha de um círculo para representar a área de cobertura de uma estação base, a superposição de círculos adjacentes sobre um mapa gera áreas descobertas (gaps) ou regiões de sobreposição.

 

Descrição: reuso das frequencias

Figura 9: Reuso das Frequências

Fonte: vivasemfio.com

 

Devemos considerar o reuso de frequências uma necessidade sendo o “fato de 3” muito utilizado, pois apresenta a melhor relação entre eficiência e máxima taxa disponível entre setores.

 

Descrição: fig_22_mar_06

Figura 10: Reuso de Frequência, evitando interferência de co-canal

Fonte: teleco.com.br